Misoginia entre adolescentes cresce nas redes e preocupa especialistas
Alta nas denúncias de violência digital acende alerta sobre influência das redes sociais no comportamento de jovens em casos de misoginia
- Publicado: 28/05/2026 17:53
- Alterado: 28/05/2026 17:53
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: Hospital Pequeno Príncipe
A misoginia entre adolescentes tem crescido nas redes sociais e preocupado especialistas da área da saúde e proteção à infância. Dados da SaferNet Brasil mostram que as denúncias desse tipo de discurso na internet aumentaram 224% em 2025 em comparação ao ano anterior, evidenciando o avanço da violência digital e seus impactos no comportamento de jovens.
O tema ganha ainda mais relevância durante as mobilizações do 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Ao completar 20 anos da campanha “Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes”, o Hospital Pequeno Príncipe reforça a necessidade de ampliar o debate sobre o ambiente virtual e a construção de relações sociais mais saudáveis.
Redes sociais influenciam comportamento e casos de misoginia
Especialistas alertam que o acesso precoce às redes sociais e a conteúdos violentos ou sexualizados tem influenciado a forma como muitos adolescentes enxergam masculinidade, relacionamentos e o papel das mulheres na sociedade.
Para a coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Angelita Wisnieski da Silva, o problema exige envolvimento coletivo.
“Vivemos um momento em que o uso das redes sociais deixou de ser apenas uma questão familiar e passou a representar também um desafio de saúde coletiva”, afirma.
Segundo ela, o fortalecimento do diálogo dentro de casa, aliado a ações educativas voltadas ao respeito e à educação emocional, é fundamental para prevenir comportamentos violentos.
Conteúdos violentos e algoritmos preocupam especialistas
Recentemente, o TikTok voltou ao centro das discussões sobre casos de violência de gênero e misoginia após investigações envolvendo a trend conhecida como “Caso ela diga não”. O conteúdo simulava agressões contra mulheres após situações de rejeição amorosa, reacendendo o debate sobre a banalização da violência contra o público feminino nas plataformas digitais.
Especialistas alertam que adolescentes em situações de frustração emocional, insegurança ou conflitos sociais podem se tornar mais vulneráveis a conteúdos extremistas e misóginos, especialmente quando não encontram apoio emocional adequado.
Outro ponto de atenção é o funcionamento dos algoritmos das redes sociais, que podem ampliar a exposição a conteúdos baseados em ressentimento, controle e discursos de ódio.
Repressão emocional masculina também entra no debate
Profissionais da área da saúde mental destacam ainda que muitos meninos crescem em ambientes onde sentimentos como tristeza, insegurança e vulnerabilidade são associados à fragilidade.
Sem espaço para expressar emoções de forma saudável, frustrações e rejeições podem acabar se transformando em comportamentos agressivos e discursos violentos direcionados às mulheres.
Famílias devem observar mudanças de comportamento
O Hospital Pequeno Príncipe orienta que famílias estejam atentas a sinais como isolamento excessivo, mudanças bruscas de comportamento, consumo secreto de conteúdos on-line e falas frequentes de ódio contra meninas e mulheres.
Especialistas também reforçam que relações familiares baseadas apenas em punição tendem a dificultar o diálogo durante a adolescência. A criação de vínculos de confiança e conversas abertas sobre emoções, relacionamentos e respeito podem funcionar como fatores de proteção.
Nos casos em que há rompimento do diálogo ou mudanças mais intensas de comportamento, o acompanhamento psicológico pode auxiliar no fortalecimento dos vínculos familiares e na compreensão do que está acontecendo com o adolescente.
Campanha reforça proteção à infância
Em 2026, a campanha “Pra Toda Vida” traz o tema “Proteger a infância é um compromisso de todos”, reforçando a importância da responsabilidade coletiva na construção de ambientes mais seguros para crianças e adolescentes, tanto no ambiente físico quanto no digital.
As denúncias de violência podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais:
- Disque 100;
- 181, no Paraná;
- 156, em Curitiba.