Crianças Offline: o impacto do tempo de tela na infância

A primeira reportagem da série especial "Crianças Offline" mostra, com dados e especialistas, como o ambiente digital transforma a infância e a adolescência

Crédito: Via IA

O celular deixou de ser apenas um aparelho dos adultos e passou a ocupar espaço central na infância. Antes mesmo de aprender a ler, muitas crianças já sabem desbloquear uma tela, escolher um vídeo, reconhecer personagens, pedir um jogo ou acompanhar desenhos em plataformas digitais. Entre adolescentes, a presença das telas é ainda mais intensa: celular, redes sociais, jogos online, vídeos curtos, grupos de conversa e plataformas de streaming fazem parte da rotina de estudo, lazer, socialização e, em muitos casos, também de fuga do tédio, da ansiedade e da frustração.

Esta é a primeira reportagem da série especial “Crianças Offline”, produzida pelo ABCdoABC para investigar como o ambiente digital vem transformando a infância e a adolescência. Ao longo das próximas publicações, a série abordará os impactos do uso das tecnologias no desenvolvimento infantil, na saúde, na educação, nas relações familiares e na formação das novas gerações, reunindo dados científicos, especialistas e histórias reais.

O tempo de tela passou a preocupar pais, professores, pediatras e psicólogos infantis. O debate não está restrito ao número de horas diante de celulares, tablets, computadores e videogames, mas ao que esse uso substitui no cotidiano das crianças e adolescentes. Quando o tempo de tela ocupa o lugar do sono, das brincadeiras, da atividade física, da conversa em família, da leitura, da criatividade e da convivência presencial, os impactos deixam de ser apenas comportamentais e passam a envolver saúde, aprendizagem e desenvolvimento emocional.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), no manual “#Menos Telas #Mais Saúde – Atualização 2024”, alerta que crianças e adolescentes estão expostos cada vez mais cedo às tecnologias digitais. O documento cita a multiplicação do acesso a aplicativos, jogos online e redes sociais direcionados ao público infantil e adolescente, o que exige maior atenção de famílias, escolas, profissionais de saúde e poder público. A entidade também reforça que brincar é um direito universal de crianças e adolescentes e que a chamada “distração passiva”, quando a tela é usada apenas para manter a criança quieta, é muito diferente do brincar ativo, essencial para o desenvolvimento cerebral e mental.

A geração conectada desde cedo

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, citada pela SBP, dimensiona o tamanho do desafio. O levantamento, realizado pelo Cetic.br/NIC.br com 2.704 famílias e crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos, apontou que 95% desse público está conectado à internet, o equivalente a 25,5 milhões de usuários. Nas regiões Sul e Sudeste, o índice varia entre 97% e 100%, enquanto nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste fica entre 89% e 92%.

O celular é o principal meio de acesso: 97% das crianças e adolescentes conectados usam o telefone para entrar na internet. A televisão aparece em seguida, com 70%, e o computador, com 38%. O uso é variado e atravessa lazer, estudo e comunicação. Segundo os dados citados no manual da SBP, 88% ouviram música pela internet, 82% assistiram vídeos, 59% jogaram online, 82% pesquisaram para fazer trabalhos escolares e 66% buscaram informações por curiosidade ou vontade própria. O videogame também aparece com força: 75% acessaram jogos conectados com outros jogadores e 74% jogaram sem conexão. Em 21% dos casos, houve compras em jogos online.

Jogos online em excesso podem afetar o comportamento de adolescentes (Imagem/Freepik)

O dado que mais chama atenção, porém, é a idade de início. De acordo com o documento, 24% relataram o primeiro acesso à internet até os seis anos de idade e 63% até os 10 anos. Para a SBP, isso demonstra uso precoce e reforça a necessidade de discutir o tempo de tela não apenas na adolescência, mas desde a primeira infância.

A psicóloga Nathália Rezende avalia que a mudança não está apenas na quantidade de horas conectadas, mas na forma como as telas passaram a organizar a rotina das crianças e adolescentes. Segundo ela, celulares, videogames e redes sociais deixaram de ser apenas instrumentos de lazer e passaram a interferir na comunicação, na aprendizagem, na diversão e até na regulação emocional.

“As crianças e adolescentes recorrem às telas diante do tédio, da ansiedade ou da frustração. Quando isso acontece com frequência, elas podem perder oportunidades importantes de desenvolver habilidades como criatividade, resolução de problemas, espera e tolerância ao desconforto”, explica Nathália.

Bebês, mídias sociais e a tela como brinquedo

Bebês conectados desde os primeiros meses de vida também traz preocupação para SBP - (Freepik)
Crianças conectadas trazem preocupação para a SBP (Imagem/Freepik))

O alerta da SBP também alcança os bebês. No trecho “Bebês e mídias sociais”, o manual afirma que tem se tornado cada vez mais frequente não apenas o uso de tecnologias como babás eletrônicas e equipamentos de monitoramento nos quartos, mas também o repasse do celular da mãe, do pai ou de outros familiares para o bebê manusear como se fosse brinquedo. O documento também menciona produtos vendidos como artigos de puericultura ou mobiliário infantil que já incorporam telas, sons, vídeos, desenhos animados e recursos coloridos para atrair a atenção da criança.

Para a SBP, esses produtos ainda precisam ser regulamentados no Brasil com critérios compatíveis com um desenvolvimento cognitivo e emocional saudável. A entidade reforça que nada substitui o contato humano, o apego, o afeto, o olhar, o sorriso, a expressão facial e a voz da mãe, do pai, da família e dos cuidadores, especialmente na primeira infância, de 0 a 6 anos.

O tempo de tela nessa fase preocupa porque os primeiros anos são decisivos para o desenvolvimento cerebral e mental. A SBP destaca que os primeiros 1.000 dias de vida, a idade escolar e a adolescência envolvem amadurecimento de diferentes estruturas cerebrais. Nesse processo, estímulos sensoriais como toque, aconchego, sons, luz, olfato, presença familiar e interação com o ambiente ajudam a formar conexões fundamentais. O olhar e a presença dos cuidadores, segundo o documento, são fontes naturais de estímulo e apego e não podem ser substituídos por telas.

A entidade também alerta que o atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem é frequente em bebês passivamente expostos às telas por períodos prolongados. Isso ocorre porque a linguagem não se desenvolve apenas ouvindo sons ou assistindo imagens, mas na troca viva com outra pessoa: no olhar, na resposta, na repetição, no afeto e na interação.

Conteúdos sensíveis e riscos no ambiente digital

Além do excesso de tempo de tela, a SBP chama atenção para aquilo que crianças e adolescentes encontram quando estão conectados. A pesquisa TIC Kids Online, citada no manual, aponta que, no ano anterior ao levantamento, 20% relataram contato com conteúdos sensíveis sobre alimentação ou sono; 16% viram conteúdos sobre formas de machucar a si mesmos; 14% tiveram contato com conteúdos sobre formas de cometer suicídio; e 11% relataram experiências ligadas ao uso de drogas.

Os riscos também aparecem nas interações. Segundo o documento, cerca de 26% foram tratados de forma ofensiva, em situações como discriminação ou cyberbullying, e 16% disseram ter visto ou recebido imagens, vídeos ou mensagens de conteúdo sexual. No total da amostra, 24% afirmaram ter ficado muito tempo na internet e 25% disseram não conseguir controlar o tempo de uso, mesmo tentando passar menos tempo conectados.

Esses números mostram que a discussão sobre tempo de tela vai além da quantidade de horas. Uma criança pode estar conectada por pouco tempo e, ainda assim, ser exposta a conteúdo inadequado. Um adolescente pode usar a internet para estudar, mas também pode encontrar desafios perigosos, violência, assédio, pressão estética, desinformação, jogos de azar, compras escondidas, cyberbullying ou contato com desconhecidos.

A SBP cita a classificação CO de riscos online para crianças e adolescentes, organizada em quatro grandes dimensões: conteúdo, contato, conduta e contrato. Em “conteúdo”, entram situações em que a criança é exposta a materiais potencialmente danosos, como violência explícita, discurso de ódio, racismo, pornografia, sexualização, desinformação, publicidade imprópria para a idade e conteúdos gerados por usuários. Em contato, aparecem riscos como assédio, perseguição, ataques de ódio, vigilância indesejada, aliciamento sexual, sextorsão, manipulação ideológica, radicalização e recrutamento extremista.

Na categoria “conduta”, os riscos envolvem aquilo que a criança testemunha, pratica ou sofre nas interações com pares, como cyberbullying, trollagem, exclusão, constrangimento público, assédio sexual, troca não consensual de mensagens sexuais, pressões sexuais e participação em comunidades potencialmente danosas, incluindo automutilação, antivacinação e outras pressões entre grupos. Já em “contrato”, entram situações em que crianças e adolescentes podem ser explorados comercialmente ou juridicamente, como roubo de identidade, fraude, phishing, golpes, invasão e roubo de dados, chantagem, jogos de azar, microsegmentação e padrões ocultos de design criados para induzir à compra ou à permanência nas plataformas.

A tabela citada pela SBP também aponta riscos transversais: violações de privacidade, danos à saúde física e mental, sedentarismo, isolamento, ansiedade, desigualdades, discriminação e exploração de vulnerabilidades por algoritmos. Em outras palavras, o problema não é apenas a criança estar conectada. É a criança estar conectada em ambientes desenhados para prender a atenção, coletar dados, estimular consumo e ampliar exposição a conteúdos que muitas vezes não são compatíveis com sua idade ou maturidade.

Sono, aprendizagem e comportamento

O tempo de tela excessivo também aparece relacionado a problemas de sono, concentração, memória e rendimento escolar. Segundo a SBP, a luz azul emitida por telas pode bloquear a melatonina, hormônio importante para o sono, e contribuir para dificuldades para dormir e manter uma boa qualidade de descanso durante a noite. A entidade cita ainda aumento de pesadelos, terrores noturnos, sonolência diurna, problemas de memória, dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar.

A psicóloga Nathália Rezende explica que aplicativos e plataformas digitais são pensados para manter a atenção do usuário por meio de novidades constantes, recompensas imediatas e grande quantidade de estímulos. Esse funcionamento pode dificultar o foco em atividades que exigem atenção prolongada, como leitura, estudo, escrita ou resolução de problemas.

“Quando todo momento de tédio é imediatamente preenchido por uma tela, a criança perde oportunidades importantes de exercitar a imaginação, a criatividade e a autonomia. O tédio, embora desconfortável, desempenha um papel relevante no desenvolvimento infantil, favorecendo a exploração, a brincadeira espontânea e a construção de soluções criativas”, afirma.

Nathália pondera que os efeitos não são iguais para todas as crianças. Eles dependem da idade, da intensidade do uso, do conteúdo acessado, da presença dos pais, das características individuais e do ambiente familiar. Ainda assim, ela reforça que o excesso de tempo de tela pode prejudicar habilidades importantes quando passa a substituir experiências presenciais.

Quando o uso vira sinal de alerta

Para a psicóloga, mais importante do que estabelecer um número fixo de horas é observar o impacto do tempo de tela na rotina. O sinal de alerta aparece quando o uso deixa de ser uma forma de lazer ou estudo e passa a gerar prejuízo.

Entre os sinais que merecem atenção estão perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, conflitos frequentes quando o uso precisa ser interrompido, prejuízo no sono, queda no rendimento escolar, redução das interações presenciais, abandono de esportes ou hobbies e uso das telas como principal ou única forma de lidar com tristeza, ansiedade, tédio ou frustração.

Na psicologia, procuramos compreender qual função aquele comportamento está exercendo. Muitas vezes, o celular não é o problema em si, mas uma estratégia para evitar emoções difíceis. Quando essa passa a ser a principal forma de lidar com o desconforto, vale investigar o que está acontecendo por trás desse comportamento, em vez de focar apenas em retirar o aparelho”, explica Nathália.

A SBP também lista os principais problemas médicos e alertas de saúde associados ao uso precoce, excessivo e prolongado das tecnologias. Entre eles estão dependência digital, uso problemático de mídias interativas, irritabilidade, ansiedade, depressão, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, transtornos do sono, isolamento no quarto ou em casa por longos períodos, transtornos alimentares, sobrepeso, obesidade, anorexia, bulimia, sedentarismo, falta de exercícios, bullying, cyberbullying, baixa autoestima, riscos ligados à sexualidade, sexting, sextorsão, abuso sexual, estupro virtual, comportamentos autolesivos, indução ao suicídio, aumento da violência, problemas visuais, problemas auditivos, alterações posturais e uso de substâncias como nicotina, bebidas alcoólicas e outras drogas.

Classificação indicativa e controle parental

Outro ponto destacado pela SBP é a necessidade de atenção à classificação indicativa. O documento lembra que os critérios do Ministério da Justiça existem para orientar famílias sobre games, filmes, vídeos, desenhos animados, programas de televisão e jogos de interpretação, levando em conta conteúdos de sexo, drogas e violência.

A classificação indicativa não proíbe nem censura conteúdos, mas oferece sugestões por faixa etária: livre ou inadequado para menores de 10, 12, 14, 16 e 18 anos. Para a SBP, essa orientação pode ajudar pais e responsáveis a compreenderem se determinado conteúdo é adequado à idade e à maturidade da criança ou do adolescente.

Nos videogames, plataformas de streaming, aplicativos e jogos, os responsáveis também podem recorrer a ferramentas de controle parental. Segundo o manual, esses recursos permitem selecionar jogos e aplicativos permitidos, definir tempo de uso, limitar compras digitais, aplicar filtros, controlar o acesso à internet, acompanhar interações online, restringir chats e monitorar trocas de mensagens.

Mesmo assim, a SBP ressalta que nenhuma ferramenta substitui a presença dos pais. A orientação, o interesse, a conversa aberta sobre riscos, privacidade e segurança são apontados como fatores fundamentais para a proteção e a saúde mental de crianças e adolescentes.

O papel da família diante do tempo de tela

Crianças no Celular - Excesso de Telas
O exemplo da família influencia o uso saudável das telas pelas crianças (Imagem: Freepik)

O manual da SBP apresenta fatores de risco e proteção no contexto familiar. Entre os fatores de risco estão falta de afeto, abandono, falta de limites, negação de comportamentos inadequados dos filhos, violência familiar, família disfuncional, episódios frequentes de estresse tóxico, uso de álcool e drogas e falta de suporte. Entre os fatores de proteção aparecem diálogo, respeito, regras claras de convivência, modelos saudáveis de identificação, olhar de cuidado, oportunidades mais saudáveis, desenvolvimento de valores éticos e apoio familiar.

Para Nathália Rezende, é importante reconhecer que muitas famílias recorrem às telas porque vivem rotinas difíceis, com jornadas longas de trabalho, responsabilidades domésticas e pouco apoio. O problema, segundo ela, não está em usar a tecnologia em alguns momentos, mas em transformá-la na única estratégia para entreter, acalmar ou regular emoções.

“A tecnologia faz parte da vida contemporânea e não precisa ser tratada como inimiga. O objetivo não deve ser proibir o uso das telas, mas ensinar crianças e adolescentes a utilizá-las de forma saudável, consciente e equilibrada”, afirma.

Ela recomenda estabelecer horários previsíveis para o uso, criar momentos livres de telas, evitar celulares e tablets durante as refeições, retirar dispositivos do quarto durante a noite, acompanhar os conteúdos consumidos pelas crianças menores e garantir espaço para brincadeiras, atividade física, convivência familiar e sono adequado.

Segundo a psicóloga, o exemplo dos adultos é decisivo. Crianças observam como pais e responsáveis se relacionam com os próprios celulares. Quando os adultos interrompem conversas para responder mensagens, mexem no aparelho durante as refeições ou passam longos períodos conectados, a regra transmitida na prática pode ser diferente da regra dita em palavras.

“Crianças aprendem muito mais observando como os pais utilizam a tecnologia do que apenas seguindo regras. Quando os adultos também conseguem estabelecer limites para si, favorecem o desenvolvimento da autorregulação e do uso consciente das telas”, completa.

As recomendações da SBP

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar a exposição de crianças menores de 2 anos às telas, mesmo de forma passiva. Para crianças de 2 a 5 anos, o tempo de tela deve ser limitado a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão. Entre 6 e 10 anos, a recomendação é limitar o uso a uma ou duas horas por dia, também com acompanhamento de pais ou responsáveis. Para adolescentes de 11 a 18 anos, a orientação é limitar o tempo de uso de telas e jogos de videogame a duas ou três horas por dia e nunca permitir que passem a noite jogando. A entidade alerta que o uso acima de quatro ou cinco horas por dia aumenta os riscos à saúde e os problemas comportamentais.

A SBP também orienta que crianças e adolescentes não fiquem isolados nos quartos com televisão, computador, tablet, celular, smartphone ou webcam. O uso deve ocorrer preferencialmente em locais comuns da casa. Para todas as idades, a recomendação é evitar telas durante as refeições e desconectar de uma a duas horas antes de dormir.

A entidade também defende oferecer alternativas de brincadeiras, atividades esportivas, exercícios ao ar livre e contato com a natureza, sempre com supervisão responsável. Outra recomendação é criar regras saudáveis e éticas para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, com atenção à privacidade, à segurança, às senhas, aos filtros apropriados, aos momentos de desconexão e à convivência familiar.

No caso de conteúdos com violência, abuso, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, a SBP orienta que sejam denunciados, bloqueados e deletados pelas empresas responsáveis.

Crianças Offline: a reconexão de experiências

Férias escolares - Crianças
Crianças Offline redescobrem o brincar, a convivência e o mundo real.
(Imagem/Freepik)

O desafio do tempo de tela não se resolve apenas tirando o celular da mão da criança. A questão é mais ampla: envolve rotina familiar, segurança, escola, espaços públicos, acesso ao esporte, ao lazer, à cultura e à convivência. Quando uma criança passa muitas horas diante de uma tela, é preciso perguntar também o que existe fora dela. Há praça segura? Há tempo dos pais? Há amigos por perto? Há escola que estimula o brincar? Há atividades acessíveis no bairro? Há alternativas reais ao celular?

A psicóloga Nathália Rezende resume esse ponto ao afirmar que o objetivo não é demonizar a tecnologia, mas construir equilíbrio. A infância contemporânea não será igual à de outras gerações, mas ainda precisa preservar elementos fundamentais: brincar, imaginar, correr, conviver, esperar, perder, ganhar, frustrar-se, conversar, dormir bem e aprender com o mundo concreto.

É esse o ponto de partida da série “Crianças Offline”. Neste primeiro episódio, o tempo de tela aparece como uma das faces mais visíveis de uma mudança profunda na infância. Nos próximos capítulos, a discussão avança para outra pergunta: quando a tela ocupa o centro da rotina, o que acontece com as brincadeiras ao ar livre, com a atividade física e com a antiga experiência de crescer também na rua?

O tempo de tela é apenas o ponto de partida. Nos próximos episódios da série “Crianças Offline”, o ABCdoABC investigará como o ambiente digital influencia a saúde, o comportamento, a educação, as relações familiares e o desenvolvimento de crianças e adolescentes, reunindo especialistas, evidências científicas e histórias reais.

  • Publicado: 08/07/2026 18:36
  • Alterado: 08/07/2026 18:43
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC