Ministro da Saúde anuncia investimentos no combate ao crack

Alexandre Padilha participou na sexta (15) de cerimônia de entrega de cinco viaturas do Samu de Santo André; governo federal propõe ampliar unidades de atendimento

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O governo de Santo André anunciou nesta sexta-feira (15),
durante cerimônia oficial de entrega de cinco viaturas do Samu (Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência), força-tarefa na luta contra o crack na cidade.
Para garantir políticas de combate à droga, o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha – presente ao evento – prometeu recursos federais para ampliar a rede
de Saúde Mental, praticamente abandonada na gestão anterior, com a construção
de mais dois Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas 24 horas – um
deles destinado ao público infanto-juvenil, outro ao adulto – duas unidades de
acolhimento e um consultório de rua.

“É a retomada de uma
parceria do governo federal com a Prefeitura de Santo André. Em abril, mês do
aniversário da cidade, eu prometo voltar para concretizarmos os pedidos
solicitados, inclusive entregarmos mais seis viaturas do Samu. Vamos mudar a
realidade da Saúde aqui”, afirmou o ministro. Desde o fim de 2011, segundo
Padilha, o Ministério da Saúde dispôs R$ 500 milhões de recursos na área para
todos os municípios do Brasil.

Com a garantia de recursos federais na ampliação da rede do
município, uma das áreas contempladas será a de Saúde Mental, praticamente
abandonada na gestão anterior, com a construção de mais dois Centros de Atenção
Psicossocial Álcool e Drogas 24 horas – um deles destinado ao público
infanto-juvenil, outro ao adulto – duas unidades de acolhimento e um
consultório de rua. “É uma rede de acolhimento no trabalho de prevenção às
drogas, principalmente ao crack, inclusive com atividades educativas nas
escolas”, ressaltou Padilha.

Para o chefe do Executivo, Carlos Grana, somente a presença
do ministro foi importante para a retomada da parceria com o governo Dilma
Rousseff. “A Saúde é uma grande prioridade do nosso governo. Vamos investir na
cidade em casas de acolhimento aos dependentes químicos e, especialmente, de
crack”, assegurou o prefeito.

Na oportunidade, o secretário de Saúde de Santo André,
Homero Nepomuceno Duarte, entregou ao representante do governo federal
protocolo de intenções para liberação de verba para construção de unidades de
Saúde e de um centro de reabilitação, ampliação de equipes do Programa de Saúde
da Família, reforma do centro de zoonose e qualificação do Programa de
Internação Domiciliar. Documento que será protocolado junto ao Ministério da
Saúde.

Na próxima quinta-feira (21), um representante da Secretaria
de Saúde irá à Brasília para dar andamento aos projetos previstos para a área.
Entre eles, está a ampliação das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) 24 horas
no município. Hoje, são três – região Central, bairro Sacadura Cabral e Jardim
Santo André. No entanto, o secretário de Saúde adiantou que os equipamentos
estão sendo redefinidos, inclusive com repactuação de porte e locais. “A UPA do
Centro é totalmente irregular aos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde,
sem dimensão correta e sem área de acesso ao usuário. Nossa ideia é construir
um novo equipamento, em local ainda não definido, e o atual espaço se
transformar em um Centro de Especialidades Médicas”, adiantou Homero.

No total, Santo André ganharia nove UPAs nos próximos quatro
anos – a construção de mais quatro, sendo uma transferida do Centro para outro
espaço físico, além das duas já existentes. Os três Prontos Atendimentos que
funcionam hoje (Centro, Vila Luzita e Bangu) serão, futuramente, habilitados e
qualificados pelo Ministério da Saúde com o padrão UPA, segundo o secretário.

SAMU – Com as
cinco ambulâncias, a frota foi ampliada para 16 viaturas. Embora os veículos tenham sido entregues em
novembro de 2012 – no governo anterior –, somente neste ano foram colocadas em
uso nas ruas para atender à população. Apesar da necessidade expressa diante de
uma frota sucateada e sem contrato de manutenção vigente, a administração anterior
não fez o pagamento nem transferiu os seguros dos velhos para os novos veículos
– cujo valor total era de R$ 1.250.

Nesta sexta-feira (15), equipes de profissionais do Samu
fizeram duas simulações de atendimento de emergência em via pública – um homem
vítima de atropelamento; outro, que acompanhava, tem um estresse emocional e,
consequentemente, uma convulsão. O ministro ressaltou que, hoje, 30% das
ligações feitas ao Samu no País são frutos de trote. “É uma vida que deixa de
ser salva por uma brincadeira”, pontuou.

Outras seis viaturas foram solicitadas e já garantidas pelo
ministro, sendo três para atendimento diário e as demais para reserva técnica
(substituição em caso de quebra ou manutenção). Hoje, todas as viaturas da
frota do Samu estão habilitadas e qualificadas pelo Ministério, exigências para
que o serviço possa ser oferecido e receba verba mensal do governo federal.

Desde 26 de agosto de 2012, o Samu local passou a ter o
serviço regionalizado, o que, na prática, implicou na qualificação da Central
de Regulação Médica das Urgências de Santo André e na transferência de custeio
aos municípios. Além da população andreense, o serviço atende também aos
moradores de São Caetano, também pelo número 192. Em dezembro do ano passado,
foram 1.411 atendimentos no próprio município; e 276 em São Caetano.

Com a regionalização, a partir deste ano, a Central de
Regulação de Santo André passará a receber R$ 4,6 milhões por ano – antes, a
verba repassada era de R$ 2,4 milhões. Apesar de o serviço ter sido
regionalizado e qualificado no ano passado, com maior investimento na sala
centralizadora de todas as chamadas do 192, o estado físico das viaturas foi
deixado de lado, bem como a educação permanente dos funcionários, de acordo com
a coordenadora geral do Samu andreense, Rosa Maria Pinto de Aguiar.

Em dezembro de 2012, apenas seis viaturas tinham condições
de rodar, segundo o coordenador da frota do Samu, Alessandro Bertolo. O que
desobedecia, inclusive, a legislação do Ministério da Saúde. Pela lei que
estabelece o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em cada município do
País, exige-se uma unidade de suporte básico para cada 100 mil habitantes e uma
unidade de suporte avançado, com UTI, para cada 400 mil habitantes. E da frota
total, no mínimo, 11 ambulâncias são obrigadas, diariamente, a estarem nas ruas
para atendimento imediato ao chamado.

“Em alguns momentos,
as ambulâncias quebravam e não tínhamos reposição de carros para trocá-las”,
contou o coordenador da frota. E Bertolo foi além. “Atualmente, o que restou da
frota não serve nem para reserva técnica. As condições externas e internas são
lamentáveis. Temos algumas que chove dentro”, relatou. Por se tratar de bem
público, pelo menos dois veículos vão futuramente para leilão.

Segundo Rosa Maria, a deterioração da frota ocorreu pela
falta de um contrato de manutenção no governo anterior. “São veículos de
intervenção rápida, e que atendem e transportam pacientes com urgência e
emergência. Sem dúvida, que cada viatura tem de estar em condição de uso
adequado, a fim de não colocar a vida não só dos pacientes como dos
funcionários em risco”, avaliou a médica.

Inaugurado no município em agosto de 2004, o serviço de
atendimento de urgência da cidade não só será reforçado com a ampliação da
frota, mas com outras melhorias, de acordo com a Secretaria de Saúde. O
cronograma de ações inclui a retomada do projeto de cursos de capacitação dos
profissionais, por meio do Núcleo de Estudo Permanente de Urgência, atividade
rotineira que caiu no esquecimento na gestão passada. E também a compra de
gerador para manter o sistema informatizado do Samu por 24 horas. Haverá ainda
aquisição de novos uniformes à equipe – cada kit é composto por macacão,
camiseta, jaqueta de frio, capa de chuva e botas.

Números – Segundo
levantamento da Central de Regulação do Samu, instalada no Jardim Las Vegas,
são atendidas, em média, 180 ligações diárias em cada plantão 24 horas, cerca
de 5.500 atendimentos por mês. Do total dos chamados, 80% geram envio de
ambulâncias ao local, 10% orientação médica pelo telefone e 10% trote, pontuou
o coordenador médico do Samu, Evandro José Gonçalves. “Infelizmente, ainda
somos alvos de trotes. Uma prática condenável, porém comum em outros
municípios”, afirmou o médico.

Por cada plantão de 12 horas, o Samu dispõe nas ruas 11
condutores (motoristas), nove auxiliares de enfermagem, dois enfermeiros e dois
médicos. Na Central de Regulação, a equipe é composta por três médicos
reguladores, dois operadores de rádio e três técnicos auxiliares de regulação
médica (telefonista).

Com funcionamento 24 horas, o Samu realiza o atendimento de
urgência e emergência em qualquer lugar: vias públicas, residências e locais de
trabalho. O socorro começa a partir da chamada gratuita feita para o telefone
192. A ligação é atendida por técnicos que identificam a emergência e
transferem o telefonema para um médico para o diagnóstico da situação e início
do atendimento no mesmo instante. O profissional orienta o paciente, ou a
pessoa que fez a chamada sobre as primeiras ações. Conforme a situação da
vítima, o médico pode orientar a pessoa a procurar uma unidade de Saúde, enviar
ao local uma ambulância com auxiliar de enfermagem e socorrista ou uma UTI
móvel, com médico e enfermeiro. Paralelamente, o médico avisa sobre a
emergência ao hospital público mais próximo para que a rapidez do tratamento
tenha continuidade.

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  • Publicado: 19/02/2013 15:37
  • Alterado: 19/02/2013 15:37
  • Autor: Redação
  • Fonte: SECOM PSA