Lúpus: especialistas alertam para casos na infância e juventude
Lúpus pode afetar crianças e adolescentes com evolução mais severa e sintomas inespecíficos, alerta o Centro Universitário FMABC no Dia Mundial do Lúpus
- Publicado: 08/05/2026 17:01
- Alterado: 08/05/2026 17:01
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FMABC
O Lúpus é uma doença autoimune crônica mais frequentemente associada à vida adulta, mas também pode surgir ainda na infância e na adolescência. Nesses casos, o quadro tende a ser mais agressivo, com manifestações clínicas variadas e, muitas vezes, confundidas com outras condições, o que dificulta o diagnóstico precoce do Lúpus.
O alerta é do Centro Universitário FMABC em referência ao Dia Mundial do Lúpus, celebrado em 10 de maio. Segundo especialistas, o reconhecimento rápido dos sinais da doença é determinante para evitar complicações graves e reduzir os impactos do Lúpus ao longo da vida.
Lúpus na infância e adolescência: alerta da FMABC

De acordo com o reumatologista pediátrico Rogério do Prado, professor da FMABC, em crianças e adolescentes pode estar associado a fatores hormonais, ambientais e emocionais.
“Existem fatores de risco que aumentam a possibilidade de Lúpus em crianças e principalmente adolescentes. Nessa fase de mudanças hormonais, aumenta a chance de desenvolvimento de doenças autoimunes”, explica o especialista.
O médico destaca ainda que infecções, traumas e estresse emocional também podem atuar como desencadeantes do Lúpus, especialmente em pacientes com predisposição genética.
Sintomas podem confundir diagnóstico precoce

Na fase inicial, pode se manifestar de forma inespecífica, com sintomas como febre persistente, perda de peso, lesões na pele e alterações renais leves. Esse conjunto de sinais dificulta o reconhecimento imediato da doença.
Segundo Rogério do Prado, pode evoluir de forma silenciosa e inicialmente se assemelhar a outras enfermidades.
“O Lúpus pode começar parecido com várias doenças. Conforme ele evolui, surgem manifestações cardíacas, neurológicas, pulmonares e renais, além de alterações laboratoriais, como anemia e queda das células de defesa”, afirma.
Em crianças, costuma ter maior impacto sobre rins e sistema nervoso central, o que exige acompanhamento mais rigoroso e especializado desde o início do quadro.
Tratamento e impacto emocional em pacientes jovens
O tratamento geralmente começa com o uso de corticoides para controle da inflamação, seguido de imunossupressores ajustados conforme os órgãos afetados. Apesar da complexidade, os avanços da medicina mudaram significativamente o prognóstico da doença.
“Hoje, mais de 90% dos pacientes com Lúpus atingem a maioridade com vida ativa e sem sequelas importantes. Há 20 anos, a taxa de mortalidade era muito maior”, ressalta o especialista.
Além do impacto físico, também afeta diretamente a saúde emocional de adolescentes. O uso prolongado de corticoides pode causar alterações como inchaço facial, acne e queda de cabelo, o que frequentemente gera sofrimento psicológico e estigmatização social.
“Estamos falando de uma faixa etária muito exposta às redes sociais e aos padrões de beleza. Isso afeta diretamente a autoestima desses pacientes com Lúpus”, observa Rogério do Prado.
Acompanhamento multidisciplinar e riscos da desinformação
Atualmente, o ambulatório de reumatologia pediátrica da FMABC acompanha entre 16 e 20 pacientes por mês, com atendimento semanal. O cuidado multiprofissional é considerado essencial para o controle da doença.
“Não é uma doença que afeta apenas a criança ou adolescente. Toda a família acaba impactada pelo Lúpus. Por isso, além do reumatologista, é importante o suporte de psicólogos, terapeutas, nutricionistas e outros profissionais”, afirma o médico.
Outro ponto de atenção é o risco da desinformação. Segundo o especialista, pesquisas na internet sobre Lúpus podem gerar interpretações equivocadas e alarmistas.
“Muitas vezes aparecem conteúdos relacionados à morte ou à necessidade de diálise. É fundamental buscar informações confiáveis sobre o Lúpus, como sociedades médicas especializadas”, conclui.