Meningite: Brasil amplia proteção com nova vacina para bebês
Com essa nova medida, as crianças estarão protegidas não apenas contra o sorotipo C, mas também contra os sorotipos A, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis
- Publicado: 26/06/2025 09:17
- Alterado: 26/06/2025 09:17
- Autor: Redação
- Fonte: Prefeitura de São Paulo
Em uma importante atualização no calendário de vacinação, a partir do dia 1º de julho, bebês com 12 meses de idade passarão a receber a vacina meningocócica ACWY como reforço à já existente meningocócica C. Com essa nova medida, as crianças estarão protegidas não apenas contra o sorotipo C, mas também contra os sorotipos A, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis, contribuindo para a prevenção de casos de meningite bacteriana e meningococcemia, uma infecção grave que afeta o sangue.
Os dados mais recentes indicam que, somente neste ano, o Brasil contabilizou 361 casos de meningite provocada por meningococos, resultando em 61 óbitos. Segundo Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o sorogrupo W tem se tornado uma preocupação crescente, especialmente nas regiões Sul do país. “Observamos um aumento significativo na incidência desses casos. Portanto, essa mudança na vacinação representa uma ampliação da proteção contra sorogrupos que oferecem riscos, especialmente às crianças”, afirma Bravo.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) já disponibiliza a vacina ACWY nas unidades básicas de saúde, onde é administrada em adolescentes entre 11 e 14 anos. Para os bebês, o esquema vacinal inclui três doses da vacina meningocócica C: duas doses administradas aos 3 e 6 meses de idade e um reforço aos 12 meses. A modificação anunciada afetará apenas essa dose de reforço.
Crianças que já completaram as três doses da vacina meningocócica C não necessitarão receber o reforço com a nova ACWY neste momento. Contudo, aquelas que não foram imunizadas aos 12 meses poderão completar o esquema vacinal com a nova vacina até completarem 5 anos de idade.
O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica enfatizando a eficácia e o impacto positivo dessas vacinas no Brasil, observando uma redução na incidência das doenças meningocócicas tanto em indivíduos vacinados quanto nos não vacinados. Apesar dos avanços, a nota alerta que a ocorrência de meningites bacterianas ainda representa um risco significativo, principalmente as causadas pela Neisseria meningitidis e pelo Streptococcus pneumoniae.
A introdução desta nova estratégia faz parte do compromisso contínuo do Brasil no combate às meningites, alinhando-se às Diretrizes para Enfrentamento da Doença propostas globalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o SUS disponibiliza vacinas contra outros agentes infecciosos associados à meningite, como pneumococo e Haemophilus influenzae.