Março Amarelo em São Caetano conscientiza mulheres sobre endometriose

Com foco no diagnóstico precoce, o Março Amarelo reforça que dores incapacitantes não devem ser normalizadas pelas mulheres.

Crédito: Eric Romero / PMSCS

A frase “dor não é normal” ecoou nos corredores do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) em São Caetano do Sul nesta quinta-feira (19/03). Em uma mobilização estratégica voltada ao Março Amarelo, a unidade transformou sua rotina para alertar sobre a endometriose, uma condição inflamatória que afeta a qualidade de vida de milhares de brasileiras. Decorado com a cor que simboliza a luta contra a doença, o espaço tornou-se palco de acolhimento e informação técnica para pacientes que, muitas vezes, sofrem em silêncio por anos.

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora da cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas e até o intestino. O resultado é um quadro de inflamação crônica e dores que podem se tornar incapacitantes. Segundo Bruna Nakauchi, responsável técnica do Caism, o maior desafio é romper a barreira cultural da aceitação do sofrimento: “Muitas mulheres acabam normalizando essa dor e não se dão conta de que estão perdendo qualidade de vida”, enfatiza a profissional durante a campanha do Março Amarelo.

Relatos reais: 10 anos de dor e a busca pela cura

A gravidade da doença é ilustrada por histórias como a de Katia Pereira, de 46 anos. A moradora do Bairro São José enfrentou uma década de sintomas severos antes de encontrar suporte especializado. “Foram 10 anos com dores muito fortes e cólicas intensas, chegando a ficar acamada”, relata Katia. Para ela, o divisor de águas foi a realização de um ultrassom transvaginal, que permitiu o diagnóstico preciso e o encaminhamento para o tratamento definitivo no Caism.

Em junho de 2025, Katia passou por uma cirurgia de remoção dos ovários no Hospital Municipal Maria Braido, o que encerrou um ciclo de irritabilidade e hemorragias. “Foi a melhor coisa que fiz na vida. Agora não tenho mais nenhuma dor”, comemora. O caso dela reforça o objetivo do Março Amarelo: mostrar que a intervenção médica adequada é capaz de devolver a dignidade e o bem-estar à paciente.

Eficiência no atendimento reduz espera por cirurgias em 1 mês

Para quem ainda aguarda o procedimento, como a gerente financeira Jéssica Cristina Albino Silva, de 33 anos, o cenário em São Caetano do Sul é de otimismo. Com exames pré-operatórios em mãos, ela destaca a importância de combater o preconceito: “Às vezes surgem pensamentos machistas de normalizar a dor da mulher, mas não é normal ficar indisposta”.

A rede municipal de saúde apresentou avanços significativos na gestão da patologia. Graças à contratação de novos cirurgiões especialistas e à abertura de novos períodos cirúrgicos, o tempo de espera para operações de endometriose caiu de 3 meses para apenas 1 mês. Esse agilidade é crucial, especialmente durante o Março Amarelo, quando a demanda por diagnósticos costuma aumentar devido à maior circulação de informações.

Tratamentos e Sinais de Alerta: Quando procurar ajuda?

É importante ressaltar que a cirurgia nem sempre é o primeiro caminho. O protocolo clínico inclui alternativas conservadoras, como o uso de medicamentos hormonais e analgésicos específicos, adaptados à necessidade de cada organismo. O foco é sempre o controle da dor e a preservação da fertilidade, quando desejado pela paciente.

Fique atenta aos principais sinais indicativos de endometriose:

  • Cólicas menstruais de forte intensidade;
  • Dor durante ou após relações sexuais;
  • Desconforto ao evacuar ou urinar no período menstrual;
  • Inchaço abdominal persistente e sangramento irregular;
  • Dificuldade para engravidar.

Em São Caetano do Sul, o fluxo de atendimento é desenhado para ser ágil. O primeiro passo é buscar o ginecologista na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Caso haja suspeita, o encaminhamento para o Caism é imediato. “Não temos fila para consultas. Tendo o encaminhamento, a paciente passa com o médico em poucos dias”, garante Bruna Nakauchi. Campanhas como o Março Amarelo servem para lembrar que o diagnóstico precoce é a ferramenta mais poderosa para evitar complicações severas e garantir que nenhuma mulher precise abrir mão de sua rotina por causa da dor.

  • Publicado: 19/03/2026 17:50
  • Alterado: 19/03/2026 17:50
  • Autor: 19/03/2026
  • Fonte: PMSCS