Março Amarelo em São Caetano conscientiza mulheres sobre endometriose
Com foco no diagnóstico precoce, o Março Amarelo reforça que dores incapacitantes não devem ser normalizadas pelas mulheres.
- Publicado: 19/03/2026 17:50
- Alterado: 19/03/2026 17:50
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: PMSCS
A frase “dor não é normal” ecoou nos corredores do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) em São Caetano do Sul nesta quinta-feira (19/03). Em uma mobilização estratégica voltada ao Março Amarelo, a unidade transformou sua rotina para alertar sobre a endometriose, uma condição inflamatória que afeta a qualidade de vida de milhares de brasileiras. Decorado com a cor que simboliza a luta contra a doença, o espaço tornou-se palco de acolhimento e informação técnica para pacientes que, muitas vezes, sofrem em silêncio por anos.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora da cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas e até o intestino. O resultado é um quadro de inflamação crônica e dores que podem se tornar incapacitantes. Segundo Bruna Nakauchi, responsável técnica do Caism, o maior desafio é romper a barreira cultural da aceitação do sofrimento: “Muitas mulheres acabam normalizando essa dor e não se dão conta de que estão perdendo qualidade de vida”, enfatiza a profissional durante a campanha do Março Amarelo.
Relatos reais: 10 anos de dor e a busca pela cura
A gravidade da doença é ilustrada por histórias como a de Katia Pereira, de 46 anos. A moradora do Bairro São José enfrentou uma década de sintomas severos antes de encontrar suporte especializado. “Foram 10 anos com dores muito fortes e cólicas intensas, chegando a ficar acamada”, relata Katia. Para ela, o divisor de águas foi a realização de um ultrassom transvaginal, que permitiu o diagnóstico preciso e o encaminhamento para o tratamento definitivo no Caism.
Em junho de 2025, Katia passou por uma cirurgia de remoção dos ovários no Hospital Municipal Maria Braido, o que encerrou um ciclo de irritabilidade e hemorragias. “Foi a melhor coisa que fiz na vida. Agora não tenho mais nenhuma dor”, comemora. O caso dela reforça o objetivo do Março Amarelo: mostrar que a intervenção médica adequada é capaz de devolver a dignidade e o bem-estar à paciente.
Eficiência no atendimento reduz espera por cirurgias em 1 mês
Para quem ainda aguarda o procedimento, como a gerente financeira Jéssica Cristina Albino Silva, de 33 anos, o cenário em São Caetano do Sul é de otimismo. Com exames pré-operatórios em mãos, ela destaca a importância de combater o preconceito: “Às vezes surgem pensamentos machistas de normalizar a dor da mulher, mas não é normal ficar indisposta”.
A rede municipal de saúde apresentou avanços significativos na gestão da patologia. Graças à contratação de novos cirurgiões especialistas e à abertura de novos períodos cirúrgicos, o tempo de espera para operações de endometriose caiu de 3 meses para apenas 1 mês. Esse agilidade é crucial, especialmente durante o Março Amarelo, quando a demanda por diagnósticos costuma aumentar devido à maior circulação de informações.
Tratamentos e Sinais de Alerta: Quando procurar ajuda?
É importante ressaltar que a cirurgia nem sempre é o primeiro caminho. O protocolo clínico inclui alternativas conservadoras, como o uso de medicamentos hormonais e analgésicos específicos, adaptados à necessidade de cada organismo. O foco é sempre o controle da dor e a preservação da fertilidade, quando desejado pela paciente.
Fique atenta aos principais sinais indicativos de endometriose:
- Cólicas menstruais de forte intensidade;
- Dor durante ou após relações sexuais;
- Desconforto ao evacuar ou urinar no período menstrual;
- Inchaço abdominal persistente e sangramento irregular;
- Dificuldade para engravidar.
Em São Caetano do Sul, o fluxo de atendimento é desenhado para ser ágil. O primeiro passo é buscar o ginecologista na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Caso haja suspeita, o encaminhamento para o Caism é imediato. “Não temos fila para consultas. Tendo o encaminhamento, a paciente passa com o médico em poucos dias”, garante Bruna Nakauchi. Campanhas como o Março Amarelo servem para lembrar que o diagnóstico precoce é a ferramenta mais poderosa para evitar complicações severas e garantir que nenhuma mulher precise abrir mão de sua rotina por causa da dor.