Mãe adotiva também pode amamentar
Técnica de translactação no HMU permite criar esse importante elo com o bebê
- Publicado: 18/09/2012 19:50
- Alterado: 18/09/2012 19:50
- Autor: Malu Marcoccia
- Fonte: FUABC
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A máxima de que mãe não é quem gera, mas quem cria, ganha reforço com técnica que possibilita à mulher não-gestante produzir leite materno. A prática – denominada translactação — ainda é pouco conhecida, mas perfeitamente possível para mulheres que querem tornar completa a missão da maternidade após a decisão de adotar um filho.
O Ambulatório de Aleitamento do Hospital Municipal Universitário (HMU) de São Bernardo dispõe de equipe multidisciplinar treinada para facilitar e apoiar essa iniciativa. A translactação consiste em colocar pequena sonda conectada a um recipiente com leite materno ou leite artificial junto ao mamilo da mãe para que o bebê, ao sugar o seio, receba junto o conteúdo desse recipiente. Com o tempo, através do medicamento galactogogo, a mãe adotiva passa a produzir o próprio leite, estimulado também por massagens nas mamas e pelo movimento de ordenha do nenê.
“O ideal é que a mulher, ao saber da possibilidade da adoção logo após o bebê nascer, comece algumas semanas antes a tomar o galactogogo, além de realizar massagens e estímulos na mama” – comenta Fabíola Bottechia Rinaldi, nutricionista do Ambulatório de Aleitamento Materno do HMU.
O principal entrave para ampliar o conhecimento no Brasil de que é possível às mães adotivas amamentar está no próprio processo adotivo, já que crianças abandonadas vão para Conselhos Tutelares e aguardam durante meses (ou até anos) os trâmites da Justiça e a escolha por um casal. Nesse período prolongado, o recém-nascido acaba alimentado por leite artificial e outros alimentos, tornando difícil reverter o processo para a amamentação exclusiva com leite materno até seis meses de idade, como recomenda a Unicef, órgão das Nações Unidas para a infância e adolescência.
Pai presente: O apoio e a participação do pai também são fundamentais na translactação, pois permitem à mãe adotiva aumentar o vínculo com o bebê. “Temos o exemplo do pai da Lara, Welinton Sprovieri, que, na segunda consulta da esposa Eliane, se emocionou ao ver as primeiras gotas de leite. Esse apoio é primordial e decisivo” – descreve a dentista Ester Marques Martim Machado, também do HMU, hospital-escola cogerido pela Fundação do ABC-Faculdade de Medicina do ABC.
Lara Fernanda tem hoje dois meses e foi adotada com 3 dias de vida por Eliane Santos Sprovieri, que chegou ao Ambulatório de Aleitamento Materno do HMU encaminhada pela assistente social Marinice Tomasine. Ao amamentar Lara pela primeira vez, Eliane utilizou a técnica de translactação após orientações das profissionais. Na segunda consulta, 15 dias depois, já produzia seu leite naturalmente.
“Foi uma pena conhecer a técnica só quando fizemos a consulta ao pediatra, senão já teria me preparado antes. Mais do que uma realização minha, a amamentação está sendo importante para a Lara, que procura o peito constantemente. É coisa de Deus” – comenta Eliane, que incentiva outras mães adotivas à prática. Lara saiu com 2.500 gramas da maternidade e, 45 dias depois, estava com 3.990 gramas. “É um ganho de peso ótimo” – testemunha a nutricionista Fabíola Bottechia Rinaldi.
Por conter todos os nutrientes necessários ao recém-nascido, a Unicef recomenda aleitamento materno exclusivo até seis meses de vida e concomitante com alimentos até dois anos de idade.