Leite humano tem mais de 250 constituintes, frisa Marisa da Matta Aprile, assistente técnica da Pediatria do Complexo de Saúde Irmã Dulce.
Aprile é coordenadora do I Curso Preparatório para Iniciativa Amigo da Criança
- Publicado: 17/04/2012 17:10
- Alterado: 17/04/2012 17:10
- Autor: Nádia Almeida
- Fonte: FUABC
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Na prática, o segredo do sucesso do aleitamento materno está em dar à mãe que amamenta orientação e apoio. Mas para profissionais de saúde, mais do que defender o leite materno é preciso conhecê-lo a fundo. Termos técnicos como lactogenese, prolactina e lipase, comuns na medicina e enfermagem, traduzem o que estudos científicos confirmam: um alimento perfeito para o bebê e exclusivo nos primeiros seis meses de vida. “É um fluído dinâmico, não estático. Tem muitas variações e mais de 250 constituintes conhecidos. Ficamos maravilhados com seu sistema imunológico”, explica a médica pediatra Marisa da Matta Aprile, assistente técnica da Pediatria do Complexo de Saúde Irmã Dulce.
Consultora internacional em lactação, Aprile coordena o I Curso Preparatório para Iniciativa Amigo da Criança (IHAC), que teve início na semana passada e prossegue na próxima quinta-feira (19), no anfiteatro. Voltado a profissionais de atenção materno-infantil do complexo e da rede, tem carga horária de 20 horas e é reconhecido pelo Ministério da Saúde. Treinar seus funcionários é um dos passos para o Hospital Municipal Irmã Dulce, que faz parte do complexo, busque a certificação IHAC, conferida pelo Unicef.
Imunoglobulinas, lípase, vitaminas e lactobacilos estão entre os componentes, fatores de proteção com ação probiótica. Mas os benefícios do leite humano vão além da nutrição adequada e proteção imunológica. Também não se restringem à infância: o aleitamento materno previne infecções e alergias, evitando a mortalidade infantil, e ainda produz efeito a longo prazo, reduzindo as chances de doenças crônico-degenerativas na vida adulta, segundo a médica. Bebês amamentados ao peito têm menos chance de sofrer com deformidades orofaciais. Desenvolvimento, vínculo afetivo entre mãe e filho e economia financeira, por ser gratuito, são outros ganhos.
FRAÇÕES – Visto num copo transparente, o leite se apresenta em frações, sendo diferente no início (fração solução), meio (fração suspensão) e final (fração emulsão) de cada mamada, daí a importância de a mãe esvaziar completamente uma mama antes de oferecer a outra. O esvaziamento impede o ingurgitamento das mamas e facilita o processo. Atenção especial deve ser dada à posição do bebê junto ao corpo da mãe e à pega, com a boca do bebê bem aberta, cobrindo parte da auréola, não só o mamilo, para evitar fissuras e lesões. Estresse, dor e consumo de álcool, drogas e nicotina prejudicam a prática, com o agravante de tais substâncias passarem pelo leite.
A antiga recomendação de se amamentar de três em três horas foi substituída pela de livre demanda, ou seja, quando o bebê desejar. Para aumentar a produção, a melhor receita é dar de mamar, inclusive à noite, quando a liberação de prolactina (hormônio que estimula a produção de leite) é maior. “A mulher precisa estar com os níveis hormonais adequados e fazer o esvaziamento completo das mamas”, afirma a pediatra, que discorreu sobre a anatomia e fisiologia da mama no curso. “O organismo não é perdulário. Só produz o que precisa.”
Logo após o nascimento e até o sétimo dia de vida, o leite se apresenta meio transparente, rico em proteínas e seis minerais, com grande quantidade de imunoglobulina (IgA, anticorpo) secretora e de lactoferrina. “É o leite ideal para prematuros”, observa. De 7 a 14 dias, é o de transição. Após 15 dias o leite se torna maduro, com um volume maior que o colostro, contendo lactose, gorduras, proteínas e mais denso.
Entre os fatores de desmame precoce estão vivência anterior negativa, insegurança, desinformação, problemas de saúde, falta de apoio, gestação múltipla, desconhecimento dos riscos de bicos artificiais e início tardio de pré-natal. Para combatê-los, o complexo precisa preparar melhor as equipes para acolher, escutar, elogiar, informar e sugerir as nutrizes. “A mãe não consegue fazer nada sozinha. Precisa de todos nós da saúde, enquanto equipe”, ressalta.