Geografo Aziz Ab-Sáber falece aos 87 anos.
Geografo contribuiu com Plano Diretor de Mauá em 1970
- Publicado: 16/03/2012 21:43
- Alterado: 16/03/2012 21:43
- Autor: Redação
- Fonte: Wikipédia/PMRP
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Filho de um mascate libanês e de uma brasileira de São Luiz do Paraitinga e criado em meio as roceiros dos quais sua mãe era filha, se muda para São Paulo pouco antes de ingressar na USP no curso de Geografia e História aos dezessete anos, assumindo sua primeira função pública como jardineiro da Universidade, enquanto dava continuidade a sua formação com cursos de especialização.
Trabalhou durante vários anos como professor do ensino básico. Posteriormente lecionou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e finalmente na Universidade de São Paulo.
Iniciou suas pesquisas na área de geomorfologia e logo passou a incorporar conceitos de diferentes áreas do saber.
Desenvolveu centenas de pesquisas e tratados científicos, dando contribuições importantes para a ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia, além da geografia. Dentre algumas dessas múltiplas contribuições, estão estudos que corroboram a descoberta de petróleo na porção continental na Bacia Potiguar e a coordenação da criação dos parques de preservação da Serra do Mar e do Japi. Os temas abordados incluem exaustivas classificações e levantamentos nos domínios morfoclimáticos e dos ecossistemas continentais sul-americanos, reconstituição de paleoclimas sul-americanos, estudos de planejamento urbano aerolar, pesquisas de geomorfologia climática sul-americana, elaboração de modelos explicativos para a diversidade biológica neo-tropical – Redutos Pleistocênicos – além de estudos sobre rotas de migração dos povos pré-colombianos sul-americanos. Atuou também com medidas para preservação do patrimônio histórico – tombamento do Teatro Oficina) – e teorias da educação, com o fim de incluir currículos setoriais em grades de ensino regionais e nacionais.
Falecimento
Morreu na manhã de 16 de março de 2012, às 10h20, em São Paulo. Ele tinha 87 anos. A informação foi dada pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), instituição que AbSaber presidiu de 1993 a 1995 e da qual era presidente de honra e conselheiro. Segundo informações do departamento de geografia da USP, AbSaber morreu em casa. Apesar da idade avançada, AbSaber continuava sendo um observador das controvérsias políticas envolvendo a questão ambiental. Envolveu-se, por exemplo, com a discussão do novo Código Florestal, que pode alterar as áreas de preservação obrigatórias em propriedades particulares, nos últimos dois anos. Segundo a SBPC, o geógrafo criticou o texto por não considerar o zoneamento físico e ecológico de todo o país, levando em consideração a diversidade de paisagens naturais no Brasil. O estudioso também chegou a sugerir a criação de um Código da Biodiversidade para implementar a proteção a espécies da flora e da fauna.
Características de sua obra
AbSaber defende um papel mais ativo dos cientistas numa ciência aplicada e colocada a serviço dos movimentos sociais. Esse ideal o levou a ser consultor ambiental do Partido dos Trabalhadores e a tornar-se próximo de Lula por um longo período. Posteriormente tornou-se crítico do Governo Lula devido, especialmente, à sua política ambiental – a qual classifica como a maior frustração na história do movimento ambientalista brasileiro. O intenso apoio governamental aos usineiros e ao projeto de Transposição do Rio São Francisco – que julga servir primordialmente aos interesses dos grandes proprietários de terra do nordeste seco – também colaboram para seu distanciamento. Avalia que o governo, ao mesmo tempo que consegue popularidade com medidas mitigadoras, aprofunda um modelo de desenvolvimento hostil aos interesses da maior parte da população brasileira. Com a credibilidade adquirida nas décadas de trabalho como cientista, AbSaber procura respaldar os movimentos sociais que lutam contra obras desenvolvimentistas hostis aos seus interesses e seus modos de vida – como a citada transposição do Rio São Francisco ou a barragem dos rios do Vale do Ribeira.Homenageado do ano pela reunião do SBPC de 2010, proferiu pesadas críticas as mudanças no Código Florestal brasileiro colocando-o no contexto de desmonte da política ambiental brasileira.
Sua última crítica vai ao encontro do chamado aquecimento global, classificando-o como uma das grandes farsas da atualidade. AbSaber não nega o aquecimento mas afirma que a contribuição antrópica para o fenômeno ainda não é suficientemente conhecida. Afirma que algumas das previsões de impactos estão baseadas em pressupostos equivocados, resultando em diagnósticos consequentemente inválidos. Aponta a onda de calor do verão (no hemisfério sul) 2009-2010 como exemplo de como, por vezes, a interpretação dos fenômenos climáticos é distorcida. Enquanto muitos argumentam que o aquecimento global foi o responsável por isso, AbSaber recorda que este é o pico de atividade do El Niño, que se repete de 12 em doze anos (ou de 13 em treze anos ou ainda a cada 26 anos) e que, portanto, um pico de calor era esperado.
Teve também o valor literário de sua obra destacado – recebeu três vezes o Prêmio Jabuti, duas na categória de ciências humanas e uma na de ciências exatas.
Nota da Prefeitura de Mauá:
A Prefeitura de Mauá lamenta o falecimento do geógrafo Aziz Nacib Ab-Sáber na manhã de hoje (16/3/2012), aos 87 anos. Um dos mais importantes intelectuais brasileiros, Ab-Sáber contribuiu de forma decisiva na elaboração dos estudos técnicos para o Plano Diretor de Mauá em 1970. Foi a primeira vez que a Faculdade de Geografia da USP participou de um plano desse gênero em qualquer cidade brasileira. Semanas depois, ele participou, de forma voluntária, da análise dos parques do município.
Entre 2002 e 2004, o geógrafo contribuiu com estudos sobre os mananciais de Mauá, ajudando a refletir sobre a importância do Rio Tamanduateí para a cidade e para toda a região metropolitana de São Paulo. Seu trabalho foi importante na elaboração de legislações específicas sobre a área de mananciais e o meio ambiente. Em 2004, em virtude de suas contribuições, Ab-Sáber recebeu o título de cidadão mauaense pela Câmara Municipal.