Flávio Bolsonaro enfrenta crise após revelações sobre Banco Master
Pré-campanha do senador, Flávio Bolsonaro, é impactada por denúncias envolvendo aliados e o empresário Daniel Vorcaro, enquanto Lula retoma protagonismo político
- Publicado: 17/05/2026 18:46
- Alterado: 17/05/2026 18:46
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
A pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro atravessa um dos momentos mais delicados desde o início da corrida eleitoral de 2026. Em menos de uma semana, denúncias relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro colocaram o senador do PL no centro de uma crise política que provocou desgaste entre aliados, integrantes do centrão e setores do mercado.
O episódio interrompeu o avanço do parlamentar nas pesquisas eleitorais e alterou o cenário político que vinha sendo favorável ao bolsonarismo nos últimos meses. Até então, aliados avaliavam que Flávio havia conseguido crescer nas intenções de voto sem enfrentar ataques mais contundentes da oposição.
Investigações e suspeitas ampliam pressão sobre campanha
A primeira turbulência surgiu após uma operação da Polícia Federal envolvendo o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de pagamentos mensais de R$ 300 mil ligados ao Banco Master, acusação negada pelo senador.
Na sequência, vieram à tona informações de que o publicitário Marcello Lopes, responsável pela comunicação da pré-campanha de Flávio, teria sido citado em documentos relacionados a uma estratégia de ataques ao Banco Central supostamente articulada por Daniel Vorcaro. O profissional afirmou não ter participado da ação.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de mensagens e áudios que indicam proximidade entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Segundo reportagens publicadas nesta semana, o empresário teria prometido financiar o filme “Dark Horse”, produção em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em um dos áudios divulgados, Flávio cobra recursos do empresário, tratado por ele como “irmão”. O senador afirma que não houve ilegalidade na relação e sustenta que desconhecia possíveis irregularidades atribuídas ao ex-banqueiro.
Aliados de Bolsonaro demonstram preocupação com desgaste político
Nos bastidores, integrantes do centrão e lideranças da direita avaliam que o episódio abalou a confiança em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. A crise também gerou dúvidas sobre futuras alianças eleitorais e sobre a disposição de partidos em ampliar apoio político e financeiro ao PL.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado um dos principais fiadores da candidatura do senador, afirmou que o caso precisa ser esclarecido. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, classificou os áudios divulgados como “imperdoáveis”.
A estratégia de reação adotada pela equipe de Flávio também passou a ser alvo de críticas internas, especialmente após o senador afirmar anteriormente que não conhecia Vorcaro.
Lula reage e governo amplia ofensiva política
Enquanto o bolsonarismo enfrenta desgaste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a ofensiva política. O governo federal lançou medidas econômicas voltadas ao consumo e à renegociação de dívidas, além de apoiar pautas populares em tramitação no Congresso.
Nas redes sociais, aliados do PT passaram a utilizar o termo “BolsoMaster” para associar Flávio Bolsonaro ao escândalo. O presidente Lula declarou que o caso deve ser tratado como assunto de polícia.
Mesmo com o desgaste recente, pesquisas ainda mostram equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno. Levantamento divulgado neste sábado aponta empate técnico entre os dois candidatos, embora grande parte das entrevistas tenha sido realizada antes da divulgação das conversas envolvendo Daniel Vorcaro.
Crescimento eleitoral de Flávio vinha surpreendendo
Desde o fim de 2025, Flávio Bolsonaro vinha apresentando crescimento consistente nas pesquisas eleitorais. O senador adotou um discurso mais moderado e buscou reduzir a rejeição associada ao pai, enquanto aliados assumiam a retórica mais radical do bolsonarismo.
A estratégia permitiu que o parlamentar ampliasse apoio político mesmo sem anunciar oficialmente alianças, vice-presidente ou equipe econômica. Agora, porém, a sucessão de denúncias coloca a campanha em um cenário de maior instabilidade e incerteza para os próximos meses.