Lula diz que estratégia com Trump é pragmática e sem submissão

Em entrevista ao Washington Post, Lula afirma que busca diálogo com os EUA sem abrir mão de críticas a Trump sobre Irã, Palestina e América Latina

Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que adotou uma estratégia “pragmática” na aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro realizado em maio na Casa Branca.

Em entrevista ao jornal The Washington Post, Lula contou que tentou quebrar o clima formal da reunião ao brincar com Trump sobre os retratos oficiais dos presidentes americanos. Segundo o brasileiro, ele perguntou ao republicano por que não sorria nas fotografias. Trump respondeu que eleitores preferem líderes com aparência séria.

Lula disse ter reagido afirmando que, após a eleição, governantes podem demonstrar leveza. “Se consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também”, declarou o presidente brasileiro ao comentar sua estratégia diplomática.

Presidente reforça divergências políticas com os Estados Unidos

Apesar da tentativa de aproximação, Lula afirmou que deixou claras suas divergências em relação a temas internacionais. Entre os pontos citados estão a posição dos Estados Unidos sobre o Irã, a atuação americana na Venezuela e a guerra na Faixa de Gaza.

O presidente brasileiro afirmou que suas diferenças políticas não impedem uma relação institucional entre os dois países. Segundo ele, o objetivo é manter um diálogo baseado no respeito entre chefes de Estado.

Lula também relembrou o momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos em 2025, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e aplicou sanções contra autoridades do país em meio às discussões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Relação entre Brasil e EUA melhorou após reuniões

De acordo com Lula, o cenário diplomático mudou após encontros presenciais e conversas telefônicas entre os dois líderes. O presidente afirmou que Trump reduziu tarifas comerciais, suspendeu sanções e passou a fazer elogios públicos ao governo brasileiro.

Segundo o petista, uma pesquisa realizada após sua visita à Casa Branca mostrou que a maioria dos brasileiros avaliou positivamente o encontro com o presidente americano.

Lula defende diálogo sobre Cuba e alerta para avanço da China

Durante a entrevista, Lula também afirmou que pediu aos Estados Unidos o fim do bloqueio econômico contra Cuba. O presidente brasileiro declarou que o país precisa de “uma chance” e defendeu a abertura de negociações sem imposições.

Ao comentar a situação da América Latina, Lula destacou ainda o crescimento da influência econômica da China na região. Segundo ele, o comércio brasileiro com os chineses atualmente supera em dobro o volume negociado com os Estados Unidos.

O presidente afirmou que o aumento da presença chinesa não representa uma preferência ideológica do Brasil, mas resultado da atuação comercial de Pequim na América Latina.

  • Publicado: 17/05/2026 12:17
  • Alterado: 17/05/2026 12:17
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress