Fiscalização do TCESP flagra mofo e caos em escolas

Varredura surpresa revela cenário alarmante de descaso logístico, com materiais estragados e unidades operando sem laudos de segurança.

Crédito: Divulgação/TCESP

A Fiscalização do TCESP escancarou o descaso com o dinheiro público na educação paulista. A operação recente mobilizou 379 servidores para auditar colégios municipais no interior e no litoral do estado. O saldo da varredura revela livros didáticos mofados e uniformes que se desfazem nas mãos dos alunos.

Auditores focaram na eficiência da gestão e na logística de distribuição. A auditoria garantiu a avaliação rigorosa das condições de armazenamento e dos registros de entrada e saída.

O impacto da fiscalização do TCESP no controle de estoque

Equipes do TCESP constataram que 66% das unidades operam sem qualquer procedimento formal para gerenciar insumos didáticos. A rotina básica de monitorar quantidades mínimas inexiste em mais da metade das escolas.

Gestores ignoram ocorrências críticas diariamente. Quase a totalidade dos locais visitados (90%) não possui registros de perdas, furtos ou avarias. O descontrole logístico gera um impacto severo e imediato no cotidiano dos estudantes:

  • 17% das cidades não entregaram itens básicos no ano de 2026.
  • 59% das escolas falharam no repasse de vestuário aos alunos.
  • 43% dos estudantes estavam sem trajes adequados durante as visitas.

Risco estrutural eminente e galpões insalubres

Prédios de ensino funcionam como verdadeiras armadilhas devido à ausência quase total de planos contra incêndios e enchentes. A segurança física das crianças está em risco.

Cerca de 75% dos almoxarifados operam sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O acúmulo de sucata bloqueia o acesso vital aos extintores e mangueiras. A presidente da corte paulista, Cristiana de Castro Moraes, expressou forte indignação com as estruturas insalubres:

“Nós vimos estoques de produtos vencidos, televisores armazenados há muito tempo e tóneres estragados. Um desperdício de dinheiro público, uma má qualidade, um mau cuidado com a educação.”

Cobrança severa aos prefeitos

Prefeitos notificados precisam apresentar justificativas imediatas para corrigir as graves irregularidades apontadas nos relatórios preliminares. Falhas persistentes ameaçam a aprovação das contas anuais.

Documentos detalhados abastecerão os conselheiros estaduais e relatores. A imprensa e a sociedade civil também receberão os dados em portal aberto para pressionar as gestões locais e os Conselhos Municipais de Educação por mudanças efetivas.

Secretários municipais precisarão reformular completamente os fluxos de distribuição se quiserem evitar sanções rigorosas e processos. A qualidade do ensino depende diretamente de uma infraestrutura digna e transparente. A nova fiscalização do TCESP prova que a incompetência administrativa transforma o investimento público em entulho e sabota o futuro de milhares de estudantes.

  • Publicado: 24/03/2026 10:42
  • Alterado: 24/03/2026 10:42
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: TCE-SP