Fernando Haddad deixa Fazenda com foco no crescimento e desafio fiscal

Fernando Haddad encerra gestão com PIB em alta e inflação na meta, mas entrega cargo com dívida pública em 78,7% após embates no Congresso.

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Durante os quase 1.200 dias à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad enfrentou a questão fiscal como o maior desafio e ponto de vulnerabilidade de sua gestão. O cenário, desenhado desde a transição de governo com a ampliação do espaço orçamentário, consolidou uma trajetória de crescimento econômico constante, mas sob forte pressão das contas públicas.

Diferente de seus antecessores, que lidaram com recessões ou estagnação desde 2014, Fernando Haddad conviveu com uma economia que avançou ao ritmo de 3% ao ano. Esse desempenho foi impulsionado, em parte, por estímulos fiscais e pela queda do desemprego ao menor patamar da história recente, mantendo a inflação dentro dos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional.

Indicadores econômicos e o mercado financeiro

Sob o comando de Fernando Haddad, a Bolsa de Valores (Ibovespa) subiu cerca de 80%, atingindo recordes históricos. O câmbio, embora tenha enfrentado momentos de estresse superando os R$ 6,00 em 2024, estabilizou-se em patamares distantes do ápice da crise após medidas de contenção.

No entanto, o equilíbrio das contas públicas não acompanhou o otimismo do mercado financeiro. A dívida bruta do Brasil saltou de 71,58% no início do governo Lula para 78,7% do PIB ao final de 2025. Esse crescimento ocorreu mesmo com a carga tributária atingindo níveis recordes e uma sucessão de déficits que remetem aos períodos de 2015 a 2018.

Conquistas legislativas e o novo arcabouço fiscal

A gestão foi marcada pela substituição do antigo Teto de Gastos pelo novo Arcabouço Fiscal, apresentado por Fernando Haddad em março de 2023. A nova legislação buscou dar sustentabilidade às despesas públicas, permitindo investimentos, mas limitando o crescimento real dos gastos.

“Conseguimos reduzir em 70% o déficit primário, comparando o resultado de 2025 com a projeção feita no Orçamento para 2023”, defendeu o ministro pouco antes de deixar a pasta.

A interlocução com o Congresso Nacional também garantiu a histórica aprovação da Reforma Tributária, fator determinante para que a agência de risco S&P elevasse a nota de crédito do Brasil. Entretanto, a relação nem sempre foi pacífica, exigindo intervenções frequentes do Supremo Tribunal Federal (STF) em temas como a desoneração da folha de pagamentos e o uso de créditos tributários.

Reformas e o cenário político para 2026

No segundo semestre de 2025, Fernando Haddad consolidou vitórias importantes no Legislativo, como a aprovação da Lei do Devedor Contumaz e a regulamentação da reforma do Imposto de Renda. A agenda de cortes de benefícios fiscais, como o fim gradual do Perse (setor de eventos), também foi implementada após meses de queda de braço com parlamentares e o empresariado.

Agora, por orientação do presidente Lula, Fernando Haddad deixa a Esplanada dos Ministérios para focar na política regional. Ele deve concorrer ao governo de São Paulo contra o atual governador Tarcísio de Freitas, servindo como palanque estratégico para a campanha de reeleição presidencial em território paulista.

  • Publicado: 21/03/2026 09:25
  • Alterado: 21/03/2026 09:25
  • Autor: 21/03/2026
  • Fonte: Ministério da Fazenda