Fechamento do Lar de Maria em Santo André gera controvérsias e mobilização das famílias
Câmara Municipal e direção da instituição divergem sobre motivos para o encerramento das atividades; mães denunciam falta de alternativas adequadas para os filhos
- Publicado: 24/06/2025 18:11
- Alterado: 24/06/2025 18:18
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: ABCdoABC
O anúncio do fechamento da unidade Santa Cristina do Lar de Maria, em Santo André, gerou indignação entre mães e responsáveis por crianças atendidas no local. Muitas famílias relataram dificuldades para encontrar outro serviço com a mesma estrutura e proximidade.
A principal queixa é que as alternativas apresentadas pela Prefeitura de Santo André envolvem deslocamentos que geram custos extras, inviáveis para muitas das famílias atendidas.
“São de 77 a 120 crianças atendidas naquele local, e que funciona há mais de 30 anos. Meu Deus do céu! Tem um monte de instituição que, com muito respeito, não tem a seriedade que o Lar de Maria tem”, declarou o vereador Bahia do Lava Rápido durante sessão na Câmara Municipal.
Em tom de apelo, ele pediu uma solução urgente. “Vamos procurar empresários, deputados, mas não podemos deixar fechar o Lar de Maria“, reforçou.
As mães relataram que foram surpreendidas com o anúncio do fechamento e o vereador Bahia do Lava Rápido (PSDB) corroborou: “Eu tive as minhas conversas com o secretário, ele nos garantiu que ia manter o Lar de Maria aberto. De repente, já se falaram que vão manter fechado. Gente, não pode isso acontecer. Não pode”.
Prefeitura alega que Lar recusou alternativas e garante atendimento das crianças

Por outro lado, o vereador Dr. Fábio Lopes (CID), líder do Governo na Câmara, afirmou que a Prefeitura de Santo André apresentou propostas para manter o serviço. Segundo ele, a unidade Santa Cristina nunca recebeu recursos públicos e sempre foi mantida com verba própria do Lar de Maria.
“Quando nós ficamos sabendo dessa situação, a Prefeitura entrou em contato com o Lar de Maria e passamos para eles três possibilidades”, disse Lopes. “Só que está muito claro que é o Lar de Maria que não quer manter o serviço. A Prefeitura não pode ser responsabilizada por um serviço que nunca teve recursos públicos”, afirmou.
O vereador também destacou que todas as crianças serão realocadas em instituições próximas. “As mães podem ficar tranquilas. Todas as crianças que estão hoje no Lar de Maria serão encaminhadas para instituições próximas”, garantiu.
Dr. Fábio ainda lembrou que houve um chamamento público para serviços da assistência há dois anos e que o Lar de Maria perdeu a seleção.
Direção do Lar de Maria rebate: propostas foram inviáveis e não houve documentação oficial
A versão da Prefeitura é contestada pela direção do Lar de Maria. Em diferentes momentos, uma representante da instituição afirmou que as propostas apresentadas foram inviáveis e, principalmente, que não houve formalização oficial das ofertas.
“A única proposta que nos deram foi com verba da Secretaria de Esporte, mas nosso estatuto não permite receber recursos de outras áreas que não sejam da assistência ou do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD)”, explicou.
Ela reforça que a entidade formalizou ofícios solicitando apoio, mas não recebeu respostas documentadas da Prefeitura. “Tentaram fazer algo? Tentaram. Mas a gente explicou inúmeras vezes que nosso estatuto não aceita verba do esporte. Não é questão de vontade, é questão legal. Nós prestamos contas ao Tribunal de Contas, ao MEC e ao Ministério da Assistência”, disse.
Sobre o uso do FUMCAD, foi argumentado que a verba existe, mas a Prefeitura recusou a destinação para a instituição. “O Fundo tem dinheiro. A Prefeitura alega que não pode repassar para não abrir precedentes para outras instituições. Enquanto isso, as crianças estão ficando sem atendimento”, afirmou.
Além disso, ela esclareceu que, por conta da falta de recursos, a equipe da unidade já estava em processo de demissão. “Os funcionários já estavam cumprindo aviso prévio. Agora não há mais como reverter”, afirmou.
Câmara de Vereadores tenta intermediar, mas clima permanece tenso
O vereador Bahia do Lava Rápido cobrou um novo diálogo entre a Prefeitura e a instituição. “Vamos chamar todas as mães, todos os pais e vamos dialogar para isso não acontecer”, afirmou em tribuna.
Parte dos parlamentares manifestou apoio à mobilização das famílias. No entanto, a Prefeitura mantém a posição de que a responsabilidade pelo fechamento é da própria instituição.
Enquanto isso, as mães seguem e pressionando o poder público por uma solução que garanta o atendimento das crianças no bairro onde vivem.