Fachin adia julgamento de André Mendonça no caso Master
Decisão adia análise sobre atuação de ministro no Banco Master em meio à escalada de tensões e embates no Supremo Tribunal Federal.
- Publicado: 17/09/2026 14:31
- Alterado: 17/09/2026 14:31
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento sobre a atuação do ministro André Mendonça nas apurações envolvendo o Banco Master. A análise do caso pelo plenário estava agendada para a próxima quarta-feira, 23 de setembro.
O despacho assinado não estabelece um novo prazo para a retomada das discussões. O magistrado argumentou que questões processuais sobre o trâmite das ações precisam ser superadas antes do debate pelos demais ministros.
Motivos que levaram Fachin ao adiamento do processo

A Corte precisa definir a regularidade da relatoria e decidir se os procedimentos relacionados ao caso devem tramitar em conjunto. “Considerando a direta relação dos pontos contidos na Questão de Ordem referida acima com a apreciação destes autos, abrangendo questionamento sobre a regularidade da própria relatoria, a inclusão em pauta será oportunamente redesignada”, escreveu Fachin no documento.
A suspensão acontece após dias de fortes embates públicos entre os integrantes do tribunal. Na última terça-feira, os magistrados debatiam a condução de inquéritos sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, mas a discussão parou após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O processo chegou ao plenário após um relatório da Polícia Federal (PF) apontar mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do extinto banco. O documento detalha um contrato de R$ 130 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia da esposa do ministro.
Crise interna e novas suspensões no STF

Mendonça quebrou o sigilo desse material durante a tramitação. A atitude provocou forte reação de Moraes, que acusou o colega de omitir documentos processuais e realizar uma liberação seletiva de informações para direcionar a narrativa.
A escalada de tensão fez juristas avaliarem a inviabilidade de manter o cronograma original sem solucionar as divergências prévias. Para tentar conter o desgaste institucional, Fachin tomou uma segunda medida na mesma tarde.
O presidente da Corte cancelou uma sessão extraordinária do plenário. O movimento emergencial tentou frear a continuidade de atritos públicos, impulsionados por discussões recentes entre o ministro Gilmar Mendes e Mendonça.
A paralisação dos julgamentos reflete o esforço do tribunal para reorganizar o ambiente interno antes de novas deliberações. O retorno da pauta sobre o caso Banco Master depende exclusivamente de uma nova autorização formal de Fachin.