Exportações brasileiras ao Canadá batem recorde em 2026
Exportações brasileiras ao Canadá batem novo recorde até setembro, com US$ 5,69 bilhões em vendas e saldo comercial positivo de US$ 2,97 bilhões no período
- Publicado: 17/10/2026 11:30
- Alterado: 17/10/2026 11:30
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: Assessoria
As exportações brasileiras ao Canadá alcançaram um recorde histórico entre janeiro e setembro de 2026, totalizando US$ 5,69 bilhões, alta de 12,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do levantamento Quick Trade Facts (QTF), elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).
No mesmo período, as importações brasileiras de produtos canadenses somaram US$ 2,72 bilhões, crescimento de 14,9%. Com isso, a corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 8,41 bilhões, avanço de 13% na comparação anual. O Brasil manteve saldo comercial positivo de aproximadamente US$ 2,97 bilhões.

O resultado das exportações supera em US$ 614 milhões o recorde anterior, registrado entre janeiro e setembro de 2025, quando as vendas brasileiras ao Canadá atingiram US$ 5,08 bilhões. Em dois anos, o crescimento acumulado das exportações foi de cerca de 28%.
Ouro lidera as exportações brasileiras ao Canadá
O ouro bruto permaneceu como principal produto da pauta exportadora brasileira para o mercado canadense. As vendas de bulhão dourado somaram aproximadamente US$ 3,06 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, alta de 47% em relação ao mesmo período de 2025.
O produto respondeu por 53,8% de todas as exportações brasileiras ao Canadá, ante 41,1% no ano anterior. O avanço ocorreu em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas e pela procura por ativos considerados seguros.
Outros produtos também contribuíram para o crescimento das vendas. A carne bovina desossada e congelada registrou alta de 828%, alcançando US$ 76,5 milhões. As exportações de máquinas carregadoras cresceram 80%, para US$ 55,8 milhões, enquanto as vendas de querosene de aviação avançaram 83%, chegando a US$ 39,4 milhões.
Em contrapartida, alguns produtos apresentaram retração. As exportações de alumina calcinada caíram 28%, para US$ 858,8 milhões. As vendas de açúcar de cana recuaram 25%, enquanto as de café verde diminuíram 20%.
Fertilizantes concentram importações brasileiras
Entre os produtos comprados pelo Brasil do Canadá, os fertilizantes mantiveram a liderança. As importações de cloreto de potássio alcançaram US$ 1,41 bilhão até setembro, crescimento de 14,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O item representou 51,9% do valor total importado pelo Brasil do mercado canadense.
Segundo a CCBC, as disrupções nas cadeias globais de fertilizantes podem favorecer fornecedores com grande capacidade produtiva e menor dependência de insumos externos, como o Canadá.

Além dos fertilizantes, o Brasil ampliou as compras de produtos industriais, aeronáuticos e farmacêuticos. As importações de turborreatores com empuxo superior a 25 kN cresceram 61,4%, somando US$ 195,4 milhões. As compras de helicópteros de até 2.000 quilos avançaram 83%, para US$ 68,3 milhões.
No setor farmacêutico, uma das principais categorias de medicamentos importados registrou alta de 35,7%, chegando a aproximadamente US$ 63 milhões. A valorização do real frente ao dólar e ao dólar canadense ao longo de 2026 também pode contribuir para tornar os produtos importados mais competitivos no mercado brasileiro.
CCBC destaca complementaridade entre as economias
Para Hilton Nascimento, diretor-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, o desempenho do comércio bilateral evidencia a relevância da parceria entre os países diante das incertezas internacionais.
Segundo o executivo, a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, enquanto a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e abre oportunidades para aprofundar as relações comerciais.
Os dados completos do levantamento Quick Trade Facts estão disponíveis no site da Câmara de Comércio Brasil-Canadá.