‘Etiqueta Respiratória’ é prevenção para doenças comuns de inverno

Santo André investe em cuidados básicos de higiene e recomendações aos usuários da rede municipal, como lavar as mãos com água e sabão e cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir

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Não é só à mesa que as pessoas devem ter boas maneiras. Algumas medidas preventivas de higiene também protegem contra doenças transmitidas por vias respiratórias e comuns no inverno, como rinite alérgica, asma e bronquite. Para reduzir os casos nesta época do ano, a Secretaria de Saúde de Santo André investe na Etiqueta Respiratória, espécie de protocolo com orientações básicas que os profissionais do serviço público municipal de Saúde repassam aos pacientes. Entre as dicas estão procedimentos simples como cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir, lavar as mãos com água e sabão e, quando possível, higienizá-las com álcool gel.

A Prefeitura de Santo André também está implementando na rede de atendimento aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) algumas medidas de precaução. A mais recente é a nova compra de dispensadores de álcool gel (desinfetante para as mãos), que serão colocados nas recepções de todos os serviços e equipamentos de Saúde, como unidades básicas e centros de especialidades médicas. A conduta, obrigatória aos órgãos públicos e privados, foi estabelecida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2010. Um ano antes, o País sofria a maior epidemia da gripe causada pelo vírus influenza A (H1N1).

As medidas de controle, também chamadas popularmente como Etiqueta da Tosse, devem ser implementadas nos serviços de saúde para se evitar ou reduzir ao máximo a transmissão hospitalar, inclusive de pacientes com gripe e suspeitos de infecção por influenza A (H1N1), segundo recomenda a Anvisa. No inverno, a baixa umidade do ar, as mudanças bruscas de temperatura e o aumento da poluição são os principais motivos de preocupação dos médicos e enfermeiros, especialmente nas pessoas que possuem doenças respiratórias crônicas, como bronquite e asma.

 “Lavar as mãos, várias vezes ao dia, é um dos primeiros cuidados. Simples de se fazer e extremamente importante, mas que muitas pessoas esquecem”, afirmou a enfermeira Ivani Moreno Maretti, responsável pela Vigilância Epidemiológica, órgão vinculado ao Departamento de Vigilância à Saúde. A profissional ressaltou que, praticamente, tudo se transmite pelas mãos por meio do contato físico. “A Etiqueta Respiratória nada mais é do que tomar as medidas preventivas de higiene, como evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, e até mesmo de educação ao tossir e espirrar”, acrescentou Ivani, ao lembrar que é importante utilizar o lenço descartável para higienização nasal e depois descartá-lo na lixeira.

A médica alergista Marilice Franco Martins Tiveron, que atua no Centro de Especialidades I de Santo André, tem a mesma opinião. “Pacientes com algum tipo de alergia estão mais propensos a apresentar alteração respiratória no inverno, principalmente com as baixas temperaturas”, apontou. No Brasil, segundo Marilice, 30% da população possui renite. No Grande ABC, especialmente em Santo André, entre 12% e 15% dos pacientes sofrem com asma – doença inflamatória crônica das vias aéreas. 

Para Marilice, algumas das doenças comuns podem ser evitadas com bom senso e cuidados básicos do dia a dia, como lavar as peças de roupas de inverno guardadas no armário desde a temporada passada, que acumulam mofo e ácaro, ou substituir o cobertor de lã pelo edredom. A higienização do colchão e das cortinas também faz parte das recomendações caseiras ou de higiene ambiental. Todas as pessoas, principalmente as crianças, os idosos e os pacientes alérgicos ou com doenças crônicas, devem evitar locais fechados e sem ventilação por conta de possíveis contágios.

Com 26 anos na área, a profissional explicou que o objetivo no Centro de Especialidades Médicas é de prevenção de toda e qualquer doença. “Trabalhamos para evitar que esse paciente chegue ao serviço de emergência e, consequentemente, a uma possível internação”, explicou. Por isso, que os médicos recomendam cuidados simples, como não levar a mão na boca e propagar gotículas de saliva no ar. “Lavar as mãos várias vezes ao dia é bastante eficaz”, receitou a alergista.

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Sacadura Cabral, equipamento municipal que funciona 24 horas, o pequeno Isac, 3 anos, estava com tosse, coriza e olhos lacrimejantes. “Há uma semana que ele está com esses sintomas. Acho que está com gripe”, afirmou a dona de casa Hilda Conceição da Silva, 37 anos, mãe de Isac e de outros quatro filhos. Depois de passar por consulta, o médico pediatra recomendou que ela lavasse o nariz da criança com soro, além de ter receitado xarope e inalação, procedimento realizado no próprio local.

  • Publicado: 02/07/2013 13:58
  • Alterado: 02/07/2013 13:58
  • Autor: Elaine Granconato
  • Fonte: Secom PSA