Etanol amplia usos e atrai grandes indústrias no país
O avanço do etanol em setores como mineração e aviação amplia investimentos e atrai a atenção de gigantes industriais em todo o Brasil
- Publicado: 06/11/2026 14:54
- Alterado: 06/11/2026 14:54
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Assessoria
A diversificação do uso do etanol para além da frota de veículos leves consolida uma nova rota de expansão para a matriz de combustíveis limpos no Brasil. Grupos como Petrobras, Vale e Braskem, em conjunto com as principais biorrefinarias do país, desenvolvem projetos para integrar o biocombustível a cadeias produtivas de aviação, navegação marítima, operações de mineração e petroquímica.
O movimento ocorre em paralelo à ampliação da oferta nacional do produto. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra 2026/27 alcançará uma produção de 41,88 bilhões de litros, o que representa um avanço de 11,7% na comparação direta com o ciclo produtivo anterior.
No mercado doméstico, a absorção do etanol anidro pela gasolina comercial atingiu o patamar de 32%, com projeção de testes operacionais no início de 2027 para checar a viabilidade de elevação da mistura para 35%.
Demanda global e aplicações em setores de alta emissão

O interesse de grandes consumidores decorre das metas internacionais de redução na pegada de carbono. Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a procura por combustíveis renováveis no transporte mundial atingirá 215 bilhões de litros anuais até 2030, sendo que o modal aéreo e o marítimo responderão por mais de 75% do volume adicional demandado.
Na área de transportes pesados, a Vale estuda empregar o etanol em locomotivas e caminhões fora de estrada nas minas, reduzindo a queima de óleo diesel. Paralelamente, o plano de negócios da Petrobras para o intervalo de 2026 a 2030 estabelece os biocombustíveis como eixo central do processo de transição energética.
Representantes da indústria energética apontam a importância da substituição fóssil em setores estratégicos:
“A consolidação do biocombustível em frentes de transporte pesado e aviação dependerá da garantia de oferta em grande escala aliada à viabilidade técnica e financeira em relação às matrizes convencionais.”
No segmento aéreo, a rota tecnológica Alcohol-to-Jet posiciona o insumo como matéria-prima para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o volume de etanol consumido na produção de SAF e nas aplicações hidroviárias e agrícolas pode alcançar 3 bilhões de litros em 2036.
Projeções de consumo do etanol e marcos regulatórios
- Volume de safra nacional (Conab 2026/27): 41,88 bilhões de litros projetados.
- Consumo global até 2030 (IEA): 215 bilhões de litros anuais em transportes.
- Meta de descarbonização marítima (IMO): Uso de 5% a 10% de fontes de emissão quase zero na navegação internacional até 2030.
- Perspectiva de demanda dedicada em 2036 (EPE): Aproximadamente 3 bilhões de litros para aviação e navegação.
Ganhos em biotecnologia e créditos de descarbonização
A ampliação dos destinos comerciais exige a modernização contínua das plantas industriais para mitigar oscilações climáticas e perdas em usinas de cana-de-açúcar e milho. A cadeia produtiva foca o aprimoramento genético de leveduras, enzimas de alto rendimento e a aplicação de inteligência artificial em monitoramento preditivo para maximizar a conversão de matérias-primas em etanol.
As alternativas tecnológicas e operacionais serão tema central de debates entre executivos de grupos como Raízen, Tereos, bp bioenergy e Inpasa durante a Biofuels Academy Brasil (BFA) 2026, marcada para os dias 2 e 3 de dezembro, em São Paulo.
Além do fornecimento direto de energia limpa, o processamento do etanol habilita novas receitas financeiras ligadas ao mercado regulado de carbono e aos Créditos de Descarbonização (CBIOs). Estudos econômicos do Ministério da Fazenda apontam que a consolidação desse mercado pode incrementar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 5,8% até 2040, gerando cerca de R$ 57 bilhões em leilões de permissões de emissão.
Em sintonia com a descarbonização, a Braskem e indústrias petroquímicas aceleram rotas fabris baseadas em etanol para substituir insumos de origem fóssil por soluções de química verde, consolidando plásticos e solventes de matriz renovável no mercado internacional.