Estação Tamanduateí traz fotos sobre proteção à infância
Milhares de passageiros conferem imagens onde a Estação Tamanduateí exibe fotos de alunos sobre respeito, consentimento e proteção integral até dezembro
- Publicado: 06/11/2026 07:45
- Alterado: 06/11/2026 07:50
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Assessoria
A rotina apressada dos trilhos paulistas ganha uma pausa necessária para reflexão social. A Estação Tamanduateí exibe fotos produzidas por estudantes da rede pública no projeto Circuito Humanização e Arte, em cartaz de 5 de novembro a 5 de dezembro na Linha 10-Turquesa da CPTM. As obras retratam olhares infantojuvenis sobre prevenção da violência e enfrentamento ao abuso sexual de crianças e adolescentes.
A iniciativa resulta de oficinas práticas e rodas de conversa conduzidas dentro do ambiente escolar pela ONG ImageMagica. Financiada pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet, a mostra conta com a parceria logística da companhia ferroviária para transformar plataformas de embarque em galerias de conscientização cidadã.
Os registros visuais revelam a capacidade das artes em traduzir dores que costumam ser abafadas pelo silêncio familiar. Ao converter angústias em imagens e textos autorais, o projeto capacita jovens a identificar violações e buscar apoio em suas redes comunitárias.
Estação Tamanduateí exibe fotos e frases de impacto

As lentes operadas pelos alunos captam detalhes cotidianos que expressam limites corporais, acolhimento e a coragem necessária para romper o medo. Cada painel traz legendas elaboradas pelos próprios adolescentes, servindo como guia pedagógico para quem circula pelo mezanino:
- “Nosso corpo, nossas regras”, reforçando a autonomia física individual;
- “Pedir ajuda é um ato de coragem”, desmistificando o isolamento das vítimas;
- “O segredo que machuca não é segredo”, denunciando violências veladas dentro de casa.
O diálogo aberto em sala de aula preparou os estudantes para enxergar o perigo antes que ele se concretize. Educadores e equipes técnico-pedagógicas participaram ativamente das capacitações para acolher relatos sensíveis que surgiram durante as atividades práticas.
“A fotografia funciona como um canal de expressão potente para transformar tabus em diálogo aberto, permitindo que a infância manifeste suas dores e construa defesas contra violações históricas.”
A abordagem humanizada quebra a barreira da timidez nas escolas periféricas. Ao levar o trabalho pedagógico para o espaço público, o projeto conecta os ensinamentos da sala de aula à rotina de quem transita diariamente pela metrópole.
Sensibilização popular no transporte sobre trilhos
O fluxo de passageiros no terminal ferroviário amplia o alcance da mensagem contra a violência infantojuvenil. Quem passa pelo mezanino encontra um contraponto visual à correria da viagem, incentivando pais e responsáveis a dialogarem com seus filhos sobre consentimento e limites interpessoais.
A organização não governamental ImageMagica atua desde 1995 utilizando a linguagem visual como instrumento de intervenção social. Com passagens por 19 países e mais de 400 mil pessoas beneficiadas, a entidade aposta na fotografia documental para estimular o pensamento crítico em territórios de alta vulnerabilidade.
O impacto da intervenção visual ultrapassa o público que utiliza os trens suburbanos. A ação mobiliza a comunidade escolar ao validar a produção artística dos alunos diante de olhares externos, fortalecendo a autoestima de crianças que descobrem a força de suas próprias vozes.
Informações de acesso à mostra na Linha 10
A visitação fica aberta durante todo o horário comercial de operação dos trens metropolitanos, funcionando diariamente das 4h à meia-noite. O acesso aos painéis fotográficos exige apenas o pagamento da tarifa regular do sistema de transporte da CPTM, sem cobrança de taxa adicional para conferir as obras.
O espaço conta com elevadores, rampas e piso tátil para garantir a circulação irrestrita de passageiros com deficiência e mobilidade reduzida. As obras estão dispostas em altura acessível, facilitando a visualização por crianças e pessoas em cadeiras de rodas.
A circulação diária de milhares de trabalhadores transforma a estação ferroviária em uma ferramenta de vigilância comunitária. Ao unir arte e combate à violência sexual, a Estação Tamanduateí exibe fotos que educam o olhar da sociedade e constroem barreiras firmes em defesa do futuro de crianças e adolescentes.