Espetáculo Prazer Zezé celebra trajetória da artista em São Paulo

O musical Prazer Zezé narra seis décadas de carreira de Zezé Motta, abordando arte e resistência negra no Teatro Raul Cortez até abril.

Crédito: Divulgação

O cenário cultural paulistano recebe uma obra de fôlego que transcende a biografia convencional. O musical Prazer Zezé estreou no dia 20 de março, ocupando o palco do Teatro Raul Cortez, no Sesc 14 Bis. A montagem mergulha em seis décadas de atuação pública de Zezé Motta, uma das figuras mais emblemáticas da cultura brasileira, apresentando sua jornada desde a formação no Teatro Escola Tablado até a consagração internacional com o filme “Xica da Silva“.

A produção não se limita a uma cronologia linear, mas estabelece um diálogo crítico com os desafios enfrentados pela artista. Em cartaz até o dia 21 de abril de 2026, o espetáculo utiliza a música e o teatro para discutir o espaço da mulher negra nas artes. Com sessões de quinta a domingo, a peça é uma realização do Ministério da Cultura e do Sesc São Paulo.

A estrutura narrativa e o protagonismo negro

A concepção do espetáculo Prazer Zezé afasta-se da celebração protocolar para focar em embates reais contra estruturas de exclusão. Em cena, a atriz Larissa Noel assume a responsabilidade de interpretar Zezé Motta em suas diversas fases, acompanhada por um elenco de 11 intérpretes e uma banda composta por oito músicos.

A diretora artística Débora Dubois destaca a importância de evidenciar a luta por espaços:

“A história dela é a de uma artista que precisou disputar cada espaço em um país que sempre naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares de protagonismo. O musical nasce deste embate entre desejo, talento e estruturas que tentam limitar quem pode ocupar o centro da cena.”

Repertório musical e contexto histórico

A trilha sonora é um elemento central em Prazer Zezé, integrando canções que se tornaram hinos de afirmação e identidade. Sob a direção musical de Cláudia Elizeu, clássicos como “Senhora Liberdade“, “Tigresa” e a faixa-título “Muito Prazer, Zezé” conduzem o espectador pelas transformações sociais do Brasil.

O espetáculo revisita momentos cruciais, como a participação de Zezé no histórico “Roda Viva”, dirigido por Zé Celso Martinez Corrêa, evidenciando como a artista transformou sua presença física e vocal em uma linguagem de resistência política e estética.

CategoriaDetalhes
LocalTeatro Raul Cortez (Sesc 14 Bis)
Período20 de março a 21 de abril de 2026
HoráriosQuinta a domingo
Equipe Técnica11 atores e 8 músicos em cena
IdealizaçãoToni Brandão
ProduçãoGávea Filmes

Impacto social e legado cultural

Ao apresentar o musical Prazer Zezé, a Gávea Filmes e o Bradesco Seguros apoiam uma obra que joga luz sobre as desigualdades estruturais do campo cultural. O texto articula conquistas e quedas, compondo o retrato de uma mulher que abriu caminhos onde não havia garantias.

Para o público, o musical Prazer Zezé funciona como um documento vivo sobre poder, racismo e permanência. É uma oportunidade de entender como a trajetória de uma única mulher pode refletir as tensões e os avanços de toda uma nação ao longo de meio século de história artística.

  • Publicado: 28/03/2026 11:40
  • Alterado: 28/03/2026 11:40
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Sesc 14 Bis