Empreender na confeitaria: Regiane Canuto conta como conseguiu expandir seu negócio no ABC

Regiane Canuto, dona de uma rede de confeitarias no ABC Paulista, compartilha lições de vida, superações e dicas valiosas para quem deseja empreender na confeitaria com sucesso.

Crédito: Suzana Rezende

Se você acredita que abrir uma confeitaria se resume a espalhar doçura e beleza pelo mundo, talvez seja hora de repensar. Para quem decide empreender na confeitaria, como Regiane Canuto, o caminho é repleto de desafios, aprendizados e decisões difíceis.

Dona de uma rede conhecida no ABC Paulista, Regiane Canuto Confeitaria, Regiane sabe o que é transformar paixão em negócio, se, romantizar o processo.

“Todo mundo romantiza muito a confeitaria. É tudo muito bonito, a sobremesa é legal, é gostoso, mas não é nada fácil”, afirma a empresária.

Da cozinha de casa à marca consolidada

A história de Regiane com os doces começou informalmente em 2013, quando ela deixou uma carreira de 15 anos como designer de interiores para se dedicar à maternidade. Enquanto cuidava dos filhos gêmeos recém-nascidos, começou a fazer brigadeiros gourmet em casa, uma tendência em alta na época.

“Eu não queria ficar sem trabalhar. Precisava ajudar meu marido, tinha meus sonhos, e fazer brigadeiro foi minha forma de continuar ativa”, relembra.

No início, ela dava os brigadeiros para a família e amigos. Depois, as vendas eram feitas boca a boca. Os elogios ao sabor dos doces começaram a se multiplicar. A procura cresceu tanto que os vizinhos do prédio passaram a reclamar da movimentação. Assim, Regiane percebeu que precisava profissionalizar o negócio.

Profissionalização: da paixão à gestão

Regiane não apenas se aperfeiçoou na cozinha, mas também buscou preparo na gestão. Participou de cursos de confeitaria, oficinas práticas e, principalmente, de um programa do Sebrae, que a ajudou a estruturar o plano de negócios da sua primeira loja.

“Eu fiz o plano de negócios com o Sebrae, apresentei tudo certinho: quanto eu queria vender, quanto esperava faturar, o conceito da loja. Mas na prática, o banco queria saber o que eu já tinha em mãos e eu não tinha capital”, relembra.

“Foi aí que a gente vendeu carro, vendeu chácara, e com muito esforço terminamos a obra da loja.”

Mesmo sem apoio financeiro das instituições, o conhecimento adquirido nos cursos foi essencial. “Eu queria aprender mais pra oferecer sempre o melhor pros meus clientes. Então, tudo que eu via de curso, eu fazia. E isso fez toda a diferença na minha trajetória”, reforça.

“Resiliência” é a palavra de ordem

Entre erros, acertos e muito improviso, a primeira loja surgiu em 2018, no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo. A inauguração veio depois de um grande esforço financeiro, incluindo a venda do carro da família e até de uma chácara.

“Foi de encomenda por encomenda, brigadeiro por brigadeiro, que eu fui guardando dinheiro pra abrir minha loja”, conta. “Eu sempre fui muito dedicada a tudo que eu faço. Se me proponho a fazer algo, vou entregar o meu melhor.”

Para Regiane, a palavra-chave para quem deseja empreender na confeitaria é resiliência. “A gente passa muitas dificuldades. Trabalhar com alimento não é fácil. Mas eu amo o que faço e tento passar isso pra todos: colaboradores, clientes, fornecedores. O segredo é amar o que faz”, completa.

Qualidade é essencial para transformar doce em negócio

A empresária reforça que não basta saber cozinhar ou seguir receitas da internet. É preciso investir em insumos de qualidade, boas marcas e uma identidade visual profissional. “Fazer doce todo mundo pode fazer. Mas empreender na confeitaria é outra coisa. É preciso investir em produto, embalagem, marca e qualidade”, aconselha.

Segundo ela, um dos principais erros de quem começa é tentar economizar nos ingredientes. “Não adianta querer ganhar cortando qualidade. O cliente sente a diferença. Invistam nos produtos de vocês”, alerta Regiane.

Conselho para quem quer começar: acredite no seu potencial

Regiane faz questão de inspirar outras confeiteiras que estão começando. Para ela, o sucesso começa com acreditar no próprio sonho. “Acreditem no potencial de vocês. Invistam em vocês, no negócio de vocês. A confeitaria pode ser um grande negócio, sim. Mas precisa de amor, técnica e coragem”, ressalta.

Com o crescimento de sua marca e a fidelidade dos clientes, Regiane hoje é reconhecida nas ruas. “Tem gente que me chama de ‘a mulher dos doces’ ou ‘a Regiane dos Brigadeiros’. Brinco que já me veem como um brigadeiro com perninha andando”, diz, bem-humorada.

Empreender na confeitaria exige estratégia, não mágica

Em tempos de redes sociais e empreendedorismo digital, é comum ver histórias de sucesso embaladas por filtros e frases motivacionais. Mas Regiane oferece uma visão mais pé no chão e verdadeira.

“Não existe mágica. Existe trabalho duro, amor pelo que se faz, estratégia e muita paciência. Ninguém constrói uma rede de lojas da noite pro dia”, finaliza.

A trajetória de Regiane Canuto mostra que é possível empreender na confeitaria com sucesso, desde que haja preparo, planejamento e, principalmente, paixão pelo que se faz. Para quem deseja começar, seu conselho é claro: “Não desista. Faça com amor e faça com qualidade. O resultado vem.”

  • Publicado: 30/05/2025 18:44
  • Alterado: 30/05/2025 19:27
  • Autor: 30/05/2025
  • Fonte: Regiane Canuto