Daniel Sartório reflete sobre perda do pai no Dia de Finados

No primeiro Finados sem o pai, Daniel Sartório registra em vídeos a superação da dor e o processo de voltar a fazer comédia após a perda aos 74 anos

Crédito: divulgação

Neste 2 de novembro de 2026, o comediante Daniel Sartório vivencia o seu primeiro Dia de Finados após o falecimento do pai, Celso Trindade, aos 74 anos. Engenheiro florestal, pesquisador e consultor, Celso transformou a cumplicidade com o filho e as apresentações conjuntas de comédia stand-up em um mecanismo lúcido e sereno para enfrentar os diagnósticos clínicos e as limitações decorrentes da idade.

A relação construída nos tablados, contudo, sofreu um abalo imediato com a partida do patriarca. O ambiente do espetáculo, antes compartilhado como ponto de encontro e afeto mútuo, perdeu momentaneamente o sentido para o humorista, que se viu afastado dos palcos diante do impacto do luto.

“O stand-up era o nosso chão comum, o lugar onde a gente se encontrava de verdade. Quando ele se foi, perdi totalmente a vontade de fazer comédia. Parecia que não tinha mais espaço para o riso”, relata Daniel. “Só comecei a destravar quando me permiti sentar e escrever piadas sobre o que estava vivendo: o luto, a ausência, as contradições da dor. Foi escrevendo sobre o próprio baque que a vontade de voltar a falar e subir no palco reapareceu.”

Daniel Sartório
divulgação

A trajetória de retomada artística e os bastidores emocionais dessa reconstrução estão sendo compartilhados em primeira pessoa em uma série de vlogs semanais publicados no canal de Daniel Sartório no YouTube.

Especial gravado, livro de memórias e legado

A dinâmica entre pai e filho nos palcos foi imortalizada no especial de comédia “Antes que ele se esqueça”, registrado ao vivo diante da plateia e disponibilizado na íntegra na internet. Nas apresentações, Daniel Sartório atuava como escora e condutor do pai, transformando lapsos de esquecimento em momentos de conexão espontânea com os espectadores, marco que Celso resumia em cena ao afirmar: “Dizem que rir é o melhor remédio, e vocês são o meu tratamento”.

A memória afetiva e o olhar bem-humorado de Celso sobre a existência também se materializaram em literatura com a publicação do livro “Lembre-se de Rir: O Diário de um Mineiro Passando a Perna no Alemão”. A obra póstuma reúne crônicas, causos populares e considerações autobiográficas sobre a superação das adversidades de saúde, com tiragens impressas distribuídas diretamente aos leitores pelo perfil no Instagram.

Ao revisitar a jornada trilhada com o pai, Daniel Sartório destaca a permanência do vínculo afetivo.

“A vantagem de ter feito todos esses projetos com ele é que a comédia uniu a gente de um jeito único. Pude dar a oportunidade de uma nova vida para o meu pai, algo que realmente fez ele se segurar firme. Ele não tinha medo do câncer, ele tinha medo apenas de esquecer das piadas. Quando perguntavam sobre a gravidade da doença, ele respondia na hora, em tom de piada: ‘Ah, ele vai morrer comigo’. Hoje, o sentimento de dever cumprido fica, e o que sobra é apenas a falta, a saudade pura. Mas sei que toda vez que eu piso num palco agora, ele estaria feliz demais em estar tendo essa oportunidade junto comigo.”

  • Publicado: 30/10/2026 15:03
  • Alterado: 30/10/2026 15:03
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria