Oswaldinho do Acordeon morre aos 72 anos e deixa legado

Oswaldinho do Acordeon morre aos 72 anos e deixa legado de seis décadas na música brasileira

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Oswaldinho do Acordeon morreu neste domingo (25), aos 72 anos. Referência da música nordestina, o cantor, compositor e instrumentista construiu uma carreira de seis décadas marcada pela virtuosidade na sanfona e pela mistura do forró com gêneros como rock, jazz, blues e música erudita. A causa da morte não foi divulgada.

A notícia foi anunciada nas redes sociais pelo sanfoneiro Rodolfo Forte, amigo do artista, e pelo radialista Orlando Camboim. A morte também provocou manifestações de músicos que reconheceram a importância de Oswaldinho para a música brasileira.

“Adeus, mestre Oswaldinho do Acordeon. Você e sua música seguem em nossos corações”, escreveu Chico César ao compartilhar a notícia.

O guitarrista Nelson Faria também lamentou a perda. “Hoje se foi um dos maiores sanfoneiros que esse país já conheceu. Vai fazer falta”, declarou.

Infância cercada pela música

Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Oswaldo de Almeida e Silva era filho do sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo (1927-1997), um dos responsáveis pela difusão do forró em São Paulo. O contato com a música começou cedo, incentivado pelo pai e pela convivência com grandes nomes da sanfona.

Entre os artistas que frequentavam a casa da família estavam Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca. Oswaldinho aprendeu a tocar o instrumento de forma autodidata e, ao longo da carreira, aperfeiçoou sua técnica com professores.

A estreia no mercado fonográfico aconteceu em 1963, aos nove anos, como convidado de um disco do pai. Três anos depois, aos 12, lançou seu primeiro single.

Seis décadas de carreira

Os primeiros álbuns próprios chegaram na década de 1970. Entre os trabalhos lançados pela gravadora Tropicana estão Fantástico Oswaldo Silva (1973), Só Quero um Xodó (1974) e Oswaldinho (1975).

Na sequência, vieram discos como Forró Pop (1977), Lágrimas de Namorados (1978) e Natureza (1979), lançados pela Copacabana. Em 1981, o álbum Forró in Concert ajudou a abrir caminho para apresentações do músico em festivais europeus.

A trajetória de Oswaldinho ficou marcada pela capacidade de explorar novas possibilidades sonoras para a sanfona, combinando a tradição nordestina com influências de outros estilos musicais.

Parceria com Dominguinhos e Sivuca

Em 2004, Oswaldinho reuniu-se a Dominguinhos e Sivuca para gravar o álbum Cada um Belisca um Pouco, lançado pela gravadora Biscoito Fino. O encontro reuniu três instrumentistas reconhecidos pela contribuição à música brasileira.

Outros trabalhos também evidenciaram sua versatilidade. Asa Branca Blues (2002) e Forró Chorando (2011) são exemplos da busca por aproximar o forró de outras linguagens musicais.

Reconhecido no meio artístico como mestre da sanfona, Oswaldinho do Acordeon deixa uma trajetória marcada pela técnica, pela experimentação e pela contribuição à expansão dos limites da música nordestina.

  • Publicado: 26/10/2026 08:45
  • Alterado: 26/10/2026 08:45
  • Autor: Carlos Enriki
  • Fonte: ABCdoABC