CPTM investe R$ 97 milhões em estações de Santo André e Mauá
Obras na Linha 10-Turquesa começam em maio, com foco em acessibilidade e reestruturação completa dos acessos nas duas estações
- Publicado: 24/04/2026 13:00
- Alterado: 24/04/2026 19:11
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABCdoABC
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) oficializou a destinação de R$ 97 milhões para reformar as estações Santo André e Mauá. O contrato assinado assegura a adequação completa de acessibilidade nas instalações da Linha 10-Turquesa. O extrato publicado no Diário Oficial do Estado confirma o Consórcio LK-JZ como responsável por executar os serviços de engenharia civil.
As frentes de trabalho da CPTM começam em maio deste ano e seguem de forma simultânea nas duas cidades. O cronograma oficial estabelece a conclusão do projeto em 42 meses. O avanço das intervenções estruturais afeta diretamente a rotina de milhares de passageiros que dependem da malha ferroviária para acessar a capital paulista diariamente.
Projetos da CPTM mudam acessos nas estações Santo André e Mauá

O escopo da licitação supera a simples instalação de rampas e elevadores padronizados. O edital prevê uma reestruturação profunda nas entradas e no deslocamento interno rumo às plataformas de embarque e desembarque. A intervenção exige modificações estruturais rigorosas para cumprir as normas vigentes do Corpo de Bombeiros.
As equipes da CPTM atuarão na reformulação dos saguões leste e oeste das paradas de trem. O projeto abrange atualizações no sistema de comunicação visual e nas instalações hidrossanitárias. Os operários trabalharão no remanejamento físico das linhas de bloqueios, nos sistemas de telecomunicações e na atualização da sinalização ferroviária da via permanente.
As estações Santo André e Mauá da CPTM continuarão funcionando normalmente durante todo o período de intervenções pesadas. A execução ocorrerá em etapas isoladas para minimizar o impacto na operação da rede de passageiros. O planejamento estratégico da CPTM descarta a necessidade de montagem de plataformas provisórias de embarque.
O que muda na parada Celso Daniel

O complexo central andreense receberá uma passarela inédita focada em mobilidade universal. A estrutura interligará as duas margens da via férrea através de elevadores modernos e escadas fixas de alto tráfego. O modelo arquitetônico planejado pela estatal paulista replica o padrão visual e de engenharia já adotado no município de São Caetano do Sul.
Os engenheiros demolirão uma seção da plataforma norte para viabilizar a reconstrução total da base. A extensão útil de 190 metros do local de espera permanecerá inalterada para acomodar as composições longas. Os trabalhadores elevarão o piso para eliminar o desnível de acesso aos vagões e aplicarão sinalização tátil de ponta a ponta.
A remoção de um pilar da rede aérea na Plataforma 1 abrirá espaço livre para a construção de novas baterias de banheiros acessíveis. Os antigos guichês de alvenaria para comércio de bilhetes darão lugar a uma moderna Sala de Supervisão Operacional (SSO). Máquinas de autoatendimento assumirão a venda exclusiva de passagens e recargas de cartões de transporte.
As velhas telhas de amianto desaparecerão definitivamente da cobertura do complexo ferroviário. Coberturas metálicas do tipo sanduíche garantirão maior proteção térmica e isolamento acústico superior aos usuários em dias de chuva. O projeto inclui ainda a renovação integral dos vestiários de funcionários e a montagem de novos reservatórios de água.
Concessão das estações Santo André e Mauá à iniciativa privada

O aporte milionário do governo de São Paulo ocorre em um momento estratégico de transição do ramal. A gestão estadual planeja leiloar o controle administrativo da linha turquesa até o fim de 2026. O pacote de privatização unificará a operação do trajeto atual com a futura Linha 14-Ônix, projetada para operar no modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
A empresa vencedora do futuro leilão assumirá a responsabilidade de adquirir frotas de última geração. O contrato do parceiro privado exigirá a construção de novas paradas e o aumento da capacidade de transporte metropolitano. A antecipação destas obras estruturais reduz drasticamente o passivo de acessibilidade que seria repassado ao operador empresarial.
“As estações Prefeito Celso Daniel-Santo André e Mauá irão passar por intervenções para adequação às normas vigentes de acessibilidade. A proposta é construir novas passarelas de acesso às plataformas, elevadores e escadas fixas nas duas estações”, detalhou a CPTM.
O documento da companhia confirma intervenções em todas as áreas externas dos terminais de embarque. O valor final da licitação fechado com o consórcio representou economia aos cofres públicos, ficando abaixo do teto de R$ 103,6 milhões estimado inicialmente pelas planilhas de referência do edital.
Impacto no trânsito municipal

A reconfiguração física dos terminais afeta o planejamento do trânsito viário do Grande ABC. A passarela municipal da cidade de Santo André continuará aberta para a travessia segura de pedestres e moradores. A prefeitura da cidade assume a obrigação de executar as adaptações de acessibilidade na estrutura de responsabilidade do município.
“A reforma da estação é fundamental para melhorar a integração entre os diferentes modais de transporte na cidade. Quando você qualifica esse tipo de equipamento, facilita a conexão entre trem, ônibus e outros meios”, avaliou Almir Cicote, secretário de Mobilidade Urbana de Santo André.
O gestor público municipal apontou a agilidade logística gerada pela modernização da infraestrutura de locomoção. A redução do desgaste físico no deslocamento diário beneficia milhares de profissionais que cruzam as fronteiras do ABC em direção ao centro de São Paulo.
Histórico recente nas estações Santo André e Mauá

A injeção de recursos da CPTM na infraestrutura contrasta com a crise operacional enfrentada recentemente pela linha. O governo paulista precisou suspender a transferência dos trens mais novos do ramal na segunda semana de abril. A determinação atendeu a uma forte pressão política de lideranças comunitárias e prefeitos das cinco cidades conectadas pela via férrea.
A companhia estatal havia começado a remanejar composições com seis anos de uso para linhas operadas por concessionárias privadas parceiras. O trajeto do ABC começou a receber de forma gradativa velhos trens espanhóis com até 18 anos de fabricação. A manobra logística provocou protestos massivos contra um suposto processo de sucateamento do serviço estadual.
A gestão da Secretaria dos Transportes Metropolitanos defendeu o remanejamento alegando critérios técnicos de engenharia ferroviária. A repercussão negativa imediata nos veículos de imprensa regional barrou a substituição das frotas. A malha transporta atualmente cerca de 477.861 usuários por dia útil e continua sendo a última rota gerenciada de maneira direta pelos cofres do Estado.
A Prefeitura de Mauá foi contactada pela reportagem para detalhar o impacto no trânsito do seu lado da operação, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.