Consumo nos lares cresce 2,71% no ano, aponta ABRAS
O barateamento de itens essenciais e a criação constante de vagas formais garantem o aquecimento contínuo das vendas no varejo em 2026.
- Publicado: 01/10/2026 14:59
- Alterado: 01/10/2026 14:59
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABRAS
O consumo nos lares brasileiros registrou alta de 2,71% no acumulado de janeiro a agosto de 2026. O resultado consolida o aquecimento do setor supermercadista nacional e inverte a pressão sobre o orçamento doméstico. Os números integram o levantamento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).
Na comparação com o consumo nos lares de julho, o volume de compras avançou 2,21% em agosto. O fôlego nas vendas reflete diretamente o saldo positivo de 1.134.033 postos de trabalho com carteira assinada criados este ano, segundo dados recentes do Novo Caged.
Mercado de trabalho impulsiona o consumo nos lares
A expansão da população ocupada, que alcançou o contingente histórico de 103,5 milhões de pessoas, atua como motor direto para a economia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, deflaciona os dados da pesquisa e comprova o aumento real do poder de compra.
“A queda dos preços de alguns alimentos reduz a pressão sobre o orçamento destinado ao abastecimento dos lares. Esse movimento, combinado aos indicadores favoráveis do mercado de trabalho e ao avanço da renda, contribui para manter a trajetória positiva”, analisou o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.
O rendimento médio do trabalhador estabilizou em R$ 3.777, marcando um crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior. A injeção de recursos provenientes do Bolsa Família, do Abono Salarial PIS/PASEP e do Imposto de Renda turbinou o capital circulante no comércio.
Alimentos básicos puxam a retração de preços
O alívio financeiro percebido nas gôndolas sustenta o aumento do consumo nos lares brasileiros de forma orgânica. O indicador Abrasmercado, responsável por monitorar 35 produtos de largo alcance, recuou 0,57% em agosto. O valor médio nacional dessa cesta passou de R$ 841,95 para R$ 837,14.
Produtos de primeira necessidade lideram as quedas acumuladas em 2026. O café torrado e moído despencou 15,27%, seguido pelo açúcar refinado com redução de 14,59% e pelo óleo de soja, que ficou 10,23% mais barato.
A seção de hortifrúti ampliou a folga no caixa familiar. Nas cinco regiões do país, a batata barateou 19,89%, a cebola caiu 11,07% e o tomate registrou retração de 10,94% apenas durante a passagem de julho para agosto.
Panorama regional do consumo nos lares e o comportamento no Sudeste
O recuo nos preços atingiu todo o território nacional. A região Nordeste liderou a retração mensal com uma queda de 1,50%, mantendo o menor custo absoluto de abastecimento do país.
O Sudeste, polo econômico que concentra a maior massa salarial, apresentou números específicos que refletem a dinâmica da cadeia de distribuição nacional. O desempenho dos preços evidencia o peso da região na estabilização do varejo.
Abaixo, a variação da cesta Abrasmercado nas macrorregiões em agosto:
| Região | Variação Mensal | Valor da Cesta Completa |
| Nordeste | -1,50% | R$ 751,61 |
| Centro-Oeste | -0,54% | R$ 786,58 |
| Sudeste | -0,44% | R$ 853,35 |
| Norte | -0,13% | R$ 925,66 |
| Sul | -0,12% | R$ 916,40 |
Os dados revelam um comportamento de consumo estratégico nas prateleiras do Sudeste:
- O custo da cesta abrangente (35 itens) caiu 0,44%, fixando-se em R$ 853,35.
- A cesta restrita aos 12 produtos básicos apresentou leve alta de 0,23%, totalizando R$ 370,86.
- A região mantém o terceiro menor valor geral do país, indicando alta competitividade entre as redes varejistas locais.
A convergência entre a deflação de alimentos cruciais e o aumento da massa de rendimento, que chegou ao montante inédito de R$ 385,6 bilhões, dita o ritmo de crescimento econômico. As sucessivas contratações formais no segundo semestre prometem manter aquecido o consumo nos lares até o período das festas de fim de ano.