Consumo nos lares cresce 2,71% no ano, aponta ABRAS

O barateamento de itens essenciais e a criação constante de vagas formais garantem o aquecimento contínuo das vendas no varejo em 2026.

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O consumo nos lares brasileiros registrou alta de 2,71% no acumulado de janeiro a agosto de 2026. O resultado consolida o aquecimento do setor supermercadista nacional e inverte a pressão sobre o orçamento doméstico. Os números integram o levantamento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

Na comparação com o consumo nos lares de julho, o volume de compras avançou 2,21% em agosto. O fôlego nas vendas reflete diretamente o saldo positivo de 1.134.033 postos de trabalho com carteira assinada criados este ano, segundo dados recentes do Novo Caged.

Mercado de trabalho impulsiona o consumo nos lares

A expansão da população ocupada, que alcançou o contingente histórico de 103,5 milhões de pessoas, atua como motor direto para a economia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, deflaciona os dados da pesquisa e comprova o aumento real do poder de compra.

“A queda dos preços de alguns alimentos reduz a pressão sobre o orçamento destinado ao abastecimento dos lares. Esse movimento, combinado aos indicadores favoráveis do mercado de trabalho e ao avanço da renda, contribui para manter a trajetória positiva”, analisou o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.

O rendimento médio do trabalhador estabilizou em R$ 3.777, marcando um crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior. A injeção de recursos provenientes do Bolsa Família, do Abono Salarial PIS/PASEP e do Imposto de Renda turbinou o capital circulante no comércio.

Alimentos básicos puxam a retração de preços

O alívio financeiro percebido nas gôndolas sustenta o aumento do consumo nos lares brasileiros de forma orgânica. O indicador Abrasmercado, responsável por monitorar 35 produtos de largo alcance, recuou 0,57% em agosto. O valor médio nacional dessa cesta passou de R$ 841,95 para R$ 837,14.

Produtos de primeira necessidade lideram as quedas acumuladas em 2026. O café torrado e moído despencou 15,27%, seguido pelo açúcar refinado com redução de 14,59% e pelo óleo de soja, que ficou 10,23% mais barato.

A seção de hortifrúti ampliou a folga no caixa familiar. Nas cinco regiões do país, a batata barateou 19,89%, a cebola caiu 11,07% e o tomate registrou retração de 10,94% apenas durante a passagem de julho para agosto.

Panorama regional do consumo nos lares e o comportamento no Sudeste

O recuo nos preços atingiu todo o território nacional. A região Nordeste liderou a retração mensal com uma queda de 1,50%, mantendo o menor custo absoluto de abastecimento do país.

O Sudeste, polo econômico que concentra a maior massa salarial, apresentou números específicos que refletem a dinâmica da cadeia de distribuição nacional. O desempenho dos preços evidencia o peso da região na estabilização do varejo.

Abaixo, a variação da cesta Abrasmercado nas macrorregiões em agosto:

RegiãoVariação MensalValor da Cesta Completa
Nordeste-1,50%R$ 751,61
Centro-Oeste-0,54%R$ 786,58
Sudeste-0,44%R$ 853,35
Norte-0,13%R$ 925,66
Sul-0,12%R$ 916,40

Os dados revelam um comportamento de consumo estratégico nas prateleiras do Sudeste:

  • O custo da cesta abrangente (35 itens) caiu 0,44%, fixando-se em R$ 853,35.
  • A cesta restrita aos 12 produtos básicos apresentou leve alta de 0,23%, totalizando R$ 370,86.
  • A região mantém o terceiro menor valor geral do país, indicando alta competitividade entre as redes varejistas locais.

A convergência entre a deflação de alimentos cruciais e o aumento da massa de rendimento, que chegou ao montante inédito de R$ 385,6 bilhões, dita o ritmo de crescimento econômico. As sucessivas contratações formais no segundo semestre prometem manter aquecido o consumo nos lares até o período das festas de fim de ano.

  • Publicado: 01/10/2026 14:59
  • Alterado: 01/10/2026 14:59
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABRAS