Consumo das famílias cresce 1,48% em abril e mantém alta em 2026
Indicador da Abras mostra crescimento impulsionado por programas de transferência de renda, apesar do encarecimento da cesta básica.
- Publicado: 28/05/2026 11:45
- Alterado: 28/05/2026 11:45
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABRAS
O consumo das famílias no Brasil cresceu 1,48% em abril na comparação com março. O levantamento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) aponta que o índice acumula alta de 2,18% no primeiro quadrimestre de 2026. O resultado reflete a injeção direta de renda na economia nacional e a estabilização progressiva do poder de compra da população.
A medição considera o desempenho comercial de todos os formatos de supermercados. Os números são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço de abril marca a consolidação de um movimento positivo que demorou mais a engrenar este ano em relação a 2025.
Injeção de renda estimula consumo das famílias
O ritmo gradual de crescimento reflete a dinâmica apertada do orçamento doméstico. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o reajuste do salário-mínimo injetaram bilhões no mercado varejista. Esses recursos encontram obstáculos nas despesas financeiras e contas recorrentes, exigindo cautela do consumidor.
“Embora haja estímulos importantes de renda em circulação, o crescimento ocorre de forma gradual. Isso mostra que parte desses recursos ainda vem sendo absorvida pelo orçamento das famílias, especialmente com despesas financeiras”, analisa Marcio Milan, vice-presidente da Abras.
O programa Bolsa Família transferiu R$ 12,8 bilhões no período avaliado. Os lotes do PIS/Pasep somaram cerca de R$ 5,4 bilhões. A antecipação do 13º salário do INSS movimentou R$ 78,2 bilhões, ampliando significativamente a liquidez disponível para as compras de supermercado.
Pressão nos alimentos básicos
O indicador AbrasMercado, responsável por monitorar 35 produtos de largo consumo, subiu 1,98% em abril. A cesta passou de R$ 820,54 para R$ 836,80. No grupo essencial de proteínas, o corte bovino dianteiro encareceu 2,62% e o traseiro subiu 1,53%.
O leite longa vida lidera a pressão sobre o consumo das famílias, registrando um salto expressivo de 13,66% em apenas trinta dias. O feijão encareceu 3,47% e o arroz avançou 2,53%. Na via oposta das prateleiras, o café torrado e moído registrou queda de 2,30%, aliviando parcialmente o tíquete final.
Disparidade regional afeta cesta de consumo das famílias
O cenário geográfico brasileiro demonstra fortes assimetrias de preços. A região Norte sofreu o maior impacto inflacionário em abril, com avanço de 3,54%. O custo médio da cesta básica nortista atingiu R$ 922,44, consolidando o patamar mais alto do país. A região Nordeste manteve o menor custo nacional, com a cesta avaliada em R$ 751,53.
Cesta restrita e regiões metropolitanas
O recorte técnico focado em 12 produtos essenciais registrou alta de 2,85%. O valor médio nacional dessa cesta básica enxuta passou de R$ 344,40 para R$ 354,22. Capitais nordestinas como Fortaleza (R$ 306,53) e Recife (R$ 308,67) concentram os menores valores. Municípios como Rio Branco (R$ 435,45) e Belém (R$ 441,18) lideram o ranking de alto custo alimentar.
Os indicadores divulgados pela entidade confirmam que o consumo das famílias manterá uma expansão moderada ao longo do ano. A disponibilidade de renda extra no mercado ditará a força dessa recuperação comercial frente à inflação persistente nos alimentos in natura e itens de primeira necessidade.