Complexo de Saúde Irmã Dulce mudará rotinas de partos e envolve rede básica na certificação
Iniciativa Hospital Amigo da Criança
- Publicado: 13/04/2012 23:26
- Alterado: 13/04/2012 23:26
- Autor: Nádia Almeida
- Fonte: FUABC
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Introduzir rotinas de humanização que já são comuns no parto normal também na cesárea, parto cirúrgico restrito a situações em que a vida mãe ou o bebê está em risco, é um dos desafios do Complexo de Saúde Irmã Dulce para o sucesso do aleitamento materno exclusivo. Esse foi um dos temas do primeiro dia do curso preparatório para a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), ontem (12), no anfiteatro, com a presença do secretário de Saúde, Adriano Bechara, diretores do complexo, funcionários e profissionais da rede básica.
Enquanto no Centro Obstétrico da Maternidade a promoção do contato pele a pele da mãe com o bebê logo após o nascimento é uma realidade consolidada, o Centro Cirúrgico, onde são realizadas as cesáreas, vive uma situação diferente, por conta de suas especificidades. Em sondagem feita pela enfermeira Janete de Carvalho Lopes, coordenadora da Maternidade, na segunda quinzena de março, em 72% dos partos normais foi promovido esse contato, enquanto nos cirúrgicos a prática ocorreu em 13%. O trabalho de mudar esse e outros aspectos de posturas e condutas hospitalares em prol do aleitamento materno, treinando as equipes, é coordenado pela assistente técnica da Pediatria, Marisa da Matta Aprile.
A cerimônia de abertura do curso contou com o secretário de Saúde, Adriano Bechara; o superintendente-adjunto, Francisco Jaimez Gago; e a diretora técnica Maria Alice Tavares da Silva, bem como de Marisa Aprile e da gerente de Ensino e Pesquisa em Enfermagem, Sônia Angélica Gonçalves. O curso de 20 horas reconhecido pelo Ministério da Saúde seguirá até o dia 10 de maio, sempre às quintas-feiras, envolvendo profissionais do complexo e da rede básica de saúde na área da atenção materno-infantil.
UNIÃO – Manifestando seu apoio aos esforços do Irmã Dulce em prol do aleitamento materno e lembrando que a construção de um Banco de Leite foi um dos primeiros projetos almejados pela Diretoria Técnica, Bechara frisou a importância da união com a rede, por meio da participação de funcionários da Secretaria de Saúde. O superintendente-adjunto Francisco Gago acentuou essa parceria: “É isso o que a gente espera: funcionários da Prefeitura e da Fundação do ABC (gestora do complexo) caminhando juntos. É satisfatório porque sempre foi um sonho conquistar esse selo; levou algum tempo porque precisávamos nos adequar. Temos qualidade, falta apenas o ajuste fino”.
Convicta dos benefícios do leite materno, a diretora Maria Alice frisou o ganho do conhecimento de Marisa Aprile, consultora internacional em lactação e que traz sua experiência como coordenadora do Banco de Leite do Hospital Municipal Universitário (HMU), de São Bernardo do Campo, pioneiro no País em produzir leite humano desnatado. A diretora frisou que a união dos setores do complexo e deste com a rede é fundamental: “Cada um está no seu dia-a-dia, trabalhando e fazendo a diferença na vida das pessoas”.
NA PELE – Permitir a colocação do recém-nascido ao peito da mãe logo nos primeiros minutos de vida é uma das condutas previstas na norma técnica pelo êxito do aleitamento, em construção. Além do vínculo entre mãe e filho, a amamentação na primeira hora ajuda o útero a contrair, prevenindo hemorragia pós-parto. No caso de parto cirúrgico, o procedimento requer planejamento entre médicos e enfermeiros. “O reflexo de sucção do bebê é muito forte na primeira hora, mas o bebê só vai para o peito da mãe de estiver bem”, observa.
Na primeira aula, Aprile falou sobre os motivos de se promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, apresentando dados científicos sobre os benefícios do leite, como suas propriedades imunológicas. “O leite materno é mesmo a primeira vacina do bebê”, destaca. “Trata-se de uma substância viva de grande complexidade biológica, além de ser espécie-específico.”
A IHAC foi idealizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. O objetivo é mobilizar funcionários de estabelecimentos de saúde para que mudem condutas e rotinas responsáveis pelos altos índices de desmame precoce.