Cirurgia de catarata ajuda a controlar o glaucoma
A remoção da catarata reduz a pressão ocular e pode eliminar a necessidade de colírios em até 80% dos pacientes com glaucoma
- Publicado: 17/06/2026 17:50
- Alterado: 17/06/2026 17:50
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Adiar a cirurgia de catarata por medo ou falta de informação pode agravar significativamente o quadro de pacientes com glaucoma e aumentar o risco de perda definitiva da visão. O alerta é do oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), entidade que estima a existência de 2,5 milhões de casos de glaucoma no Brasil.
De acordo com o especialista, o avanço da catarata torna o cristalino mais espesso, o que comprime as estruturas oculares, dificulta a drenagem do humor aquoso (fluido interno do olho) e eleva a pressão intraocular, provocando a morte das células do nervo óptico. A substituição desse cristalino rígido por uma lente fina e flexível facilita o gerenciamento do glaucoma.
Redução no Uso de Colírios e Taxas de Sucesso

Estudos publicados no American Journal of Ophthalmology comprovam que a cirurgia de catarata atua diretamente na redução da pressão interna do olho. O impacto no cotidiano do paciente varia de acordo com o tipo e a gravidade do glaucoma:
- Glaucoma de Ângulo Fechado: Apresenta as maiores taxas de sucesso na eliminação dos colírios, pois a retirada da catarata resolve a causa física do bloqueio no canal de drenagem;
- Glaucoma de Ângulo Aberto (Leve a Moderado): Entre 30% e 50% dos pacientes conseguem suspender totalmente o uso de colírios apenas com a cirurgia de catarata. Caso o procedimento seja associado ao implante de um microstent, o índice de libertação da medicação salta para 70% a 80%;
- Glaucoma Avançado: A cirurgia isolada não substitui os colírios. O procedimento serve para evitar picos de pressão, mas a redução pode durar apenas de 1 a 2 anos, exigindo o retorno gradual dos medicamentos com o envelhecimento ocular.
Os Três Estágios do Glaucoma

Por ser uma doença silenciosa e assintomática nas fases iniciais, o diagnóstico precoce depende de exames preventivos estruturais. A patologia se desenvolve em três fases:
- Leve (Inicial): Totalmente assintomático. O campo visual está intacto, registrando-se apenas alterações estruturais sutis no nervo óptico e afinamento das fibras nervosas da retina;
- Moderado: Surgem manchas escuras na periferia de uma das metades do campo visual (superior ou inferior). O paciente geralmente não nota porque o cérebro e o olho saudável compensam os pontos cegos;
- Severo (Avançado): Há dano extenso ao nervo óptico e perda nítida da visão periférica lateral (conhecida como “visão em túnel”), gerando dificuldades para caminhar sem esbarrar e prejuízos na leitura.
Risos e Cuidados no Pós-Operatório
O principal risco cirúrgico para pacientes glaucomatosos é o pico de pressão intraocular imediato, que pode fragilizar o nervo óptico já debilitado. Essa alteração pode ocorrer pela retenção de substância viscoelástica usada no ato cirúrgico, inflamação natural ou reação a corticoides.
O médico ressalta, porém, que as equipes cirúrgicas são amplamente preparadas para monitorar e reverter esse quadro de forma medicamentosa imediata.
Hoje, o maior fator de risco para a cegueira por glaucoma continua sendo a falta de adesão ao tratamento e a interrupção inadequada do uso dos colírios por parte do paciente.