Ciro Gomes oficializa pré-candidatura ao Governo do Ceará em ato

Ciro Gomes oficializa pré-candidatura ao Governo do Ceará com foco em segurança e aliança com oposição, visando retomar o comando do estado

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O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) confirmou, neste sábado (16/05), sua pré-candidatura ao Governo do Ceará em um evento marcado por um discurso de confronto direto e alianças políticas surpreendentes. Durante o ato realizado no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, o tucano subiu o tom contra a atual gestão e priorizou a segurança pública como o pilar central de sua plataforma eleitoral, prometendo tolerância zero contra grupos criminosos.

“Hoje o povo do Ceará vive falando baixo, vive capiongo [triste] olhando para o lado, com medo, aterrorizado, humilhado pelas facções criminosas”, afirmou Ciro Gomes diante de apoiadores.

Alianças estratégicas e união com a oposição

A nova incursão de Ciro Gomes na política estadual redesenha o cenário cearense ao unir antigos adversários. O evento contou com a presença de figuras ligadas ao bolsonarismo, como o deputado federal André Fernandes (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil). Para a chapa majoritária, o ex-ministro confirmou o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) como pré-candidato a vice-governador.

Embora a aproximação com o PL de Jair Bolsonaro tenha gerado críticas internas na direita, especialmente por parte de Michelle Bolsonaro, Ciro Gomes defendeu a coalizão como uma necessidade de “defesa do estado”. O político enfatizou que sua identidade permanece independente, rechaçando rótulos de polarização nacional.

“Será de muita má-fé quem quiser me reapresentar como bolsonarista ou lulista”, declarou Ciro Gomes em coletiva de imprensa, ressaltando que, apesar das diferenças ideológicas com os novos aliados, o foco é a mudança na administração estadual.

Foco na segurança pública e embate com Elmano

Sem citar nominalmente o governador Elmano de Freitas (PT), Ciro Gomes criticou o que chamou de “omissão quase absoluta” das autoridades no combate ao crime organizado. O pré-candidato utilizou um tom autoritativo para prometer o enfrentamento às facções, chegando a protagonizar um momento de tensão ao confundir um gesto de um apoiador com um símbolo criminoso, pedindo sua prisão imediata antes de se desculpar pelo mal-entendido.

A estratégia de Ciro Gomes visa explorar a vulnerabilidade da atual gestão em áreas sensíveis. Ele pontuou que “o fraco líder faz fraca a forte gente”, sugerindo uma falta de comando no Palácio da Abolição.

Cenário eleitoral e reconstrução política

A decisão de disputar o governo estadual, cargo que ocupou entre 1991 e 1994, ocorre após Ciro Gomes recusar o convite do PSDB para a corrida presidencial. O movimento é visto como uma tentativa de reconstruir seu capital político em sua base eleitoral após o desempenho aquém do esperado nas eleições federais de 2022.

Dados da pesquisa Genial/Quaest, divulgada em abril de 2026, corroboram a viabilidade do nome de Ciro Gomes. O levantamento indica que o tucano venceria o atual governador Elmano de Freitas em um eventual segundo turno por 46% a 35%. Contudo, o cenário é mais desafiador contra o ex-governador Camilo Santana (PT), que lidera com 44% das intenções de voto contra 39% do ex-ministro.

  • Publicado: 16/05/2026 16:45
  • Alterado: 16/05/2026 16:45
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC