Capela da Santa Casa de Mauá Abriga Raros Afrescos de Artista Romeno

Hospital precisa de verba para sua restauração

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A capela da Santa Casa de Mauá, localizada em Mauá, no ABC
Paulista, abriga raros afrescos do pintor Emeric Marcier, artista plástico
romeno, refugiado no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Porém, a
instituição precisa de verba para garantir a manutenção e conservação dessa
preciosidade cultural.

São 23 afrescos de Emeric Marcier, alguns pintados a óleo e outros
em têmpera. Os painéis ocupam todas as paredes e o teto da capela, cujo
trabalho levou dois anos para ser concluído. Ele começou a pintar a capela em
1943 e no conjunto de afrescos, o artista representou passagens bíblicas, entre
elas, a ascensão de Jesus Cristo, a Torre de Babel, os sacrifícios ao bezerro
de ouro e a divisão do Mar Vermelho. Marcier dizia que a capela não tinha
arquitetura, mas o complexo da Santa Casa é um dos poucos exemplares com
influência da arquitetura gótica na cidade de Mauá.

Com o passar do tempo,
as obras já necessitaram de duas restaurações, a do teto, em 2010 e das
paredes, em 1995, mas, mesmo com todos os cuidados destinados à conservação
desse patrimônio, é necessária manutenção preventiva constante. De acordo com o
diretor superintendente Harry Horst Walendy, essa conservação constante, quase
que uma restauração permanente, tem custo elevado e precisa ser realizada por
profissionais especializados e habilitados em restaurações de obras de arte.

“Iniciaremos uma
campanha voltada exclusivamente para a restauração da nossa capela, um espaço
utilizado pelos pacientes e pela comunidade local, que sedia semanalmente missa
aos enfermos”, explica Walendy.

Os interessados em
colaborar com a campanha podem fazer doação de recursos materiais ou
financeiros, entrando em contato com o hospital pelo telefone (11) 2198-8309
para obter informações sobre a conta específica da campanha e receber o
respectivo recibo de doação e o diploma de “Amigo da Santa Casa de Mauá”.

Sobre
o artista:
Emeric Marcier nasceu em 1916, em Cluj, fronteira com a Hungria.
Concluiu os estudos na Escola de Belas Artes Brera, de Milão, em 1938. Veio ao
Brasil no início da década de 40, casando-se com a filha de um brigadeiro. De
acordo com o livro autobiográfico Deportado para a Vida, residia no Rio de
Janeiro havia três anos quando foi convidado a decorar a igrejinha. Em
princípio recusou a proposta de trabalhar gratuitamente para os padres. Casado
e com dois filhos, a arte era seu sustento.

Um tempo depois decidiu aceitar. Uma das condições impostas foi a
retirada dos vitrais da capela para que houvesse mais espaço para os painéis.
Marcier pintava dia e noite, mas preferia o trabalho noturno, iluminado apenas
por velas. Após a guerra e com o início da ditadura brasileira, Marcier
dividiu-se entre Brasil e França e em 1990 faleceu em Paris, aos 94
anos.

Sobre
o Hospital:
Com 46 anos de fundação, a Santa Casa de Mauá é um dos
poucos hospitais da região do Grande ABC que possui UTI neonatal e seus índices
de infecção hospitalar estão abaixo da média brasileira. Possui 6 mil metros
quadrados de área construída, ambulatório de especialidades, centro de
hemodiálise, radiologia, tomografia e laboratório de análises clínicas.

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  • Publicado: 30/11/2012 21:10
  • Alterado: 30/11/2012 21:10
  • Autor: Redação
  • Fonte: MP & Rossi