Vice-prefeito de Hortolândia obtém Habeas Corpus no STJ
Decisão do ministro Carlos Augusto Pires Brandão reduz medidas cautelares contra Cafu César e permite retomada do mandato
- Publicado: 13/03/2026 13:27
- Alterado: 13/03/2026 14:38
- Autor: Márcio Prado
- Fonte: Assessoria
Em uma vitória jurídica, o vice-prefeito de Hortolândia, Carlos Augusto, conhecido como Cafu César, obteve Habeas Corpus em decisão assinada pelo ministro relator Carlos Augusto Pires Brandão, permitindo seu retorno ao cargo para o qual foi eleito e a redução das medidas cautelares impostas pela Justiça.
As restrições haviam sido determinadas após a decretação de sua prisão preventiva no âmbito da Operação Coffee Break, que investiga a suposta prática de crimes licitatórios, corrupção e lavagem de capitais.
No pedido apresentado pela defesa, os advogados destacaram que o Ministério Público Federal apresentou denúncia sem incluir Carlos Augusto César entre os acusados, mesmo após a realização de buscas e apreensões e a quebra de sigilos temáticos. O fato acabou enfraquecendo a narrativa acusatória construída ao longo da investigação.
A ausência de provas suficientes para sustentar a imputação direta a Cafu César levou o Judiciário a reavaliar parte das restrições impostas, evitando o que poderia ser interpretado como excesso na atuação do Estado.
Decisão permite retorno de Cafu César ao mandato

Com a decisão do ministro, Cafu César não retornará ao cargo de secretário de Governo, função que exercia anteriormente, mas poderá retomar o mandato de vice-prefeito de Hortolândia, além de permanecer apto a disputar eleições.
Entre as medidas revogadas pela decisão estão a proibição de sair de Hortolândia e o uso de tornozeleira eletrônica. O ministro também autorizou o vice-prefeito a retomar contato com agentes públicos, mantendo apenas a restrição de comunicação com os demais investigados.
Ligação com investigação do Banco Master

A decisão judicial ocorreu um dia após o relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar, revelar uma possível ligação entre investigados da Operação Coffee Break e o caso do Banco Master.
Segundo o parlamentar, surgiram informações indicando que cerca de R$ 150 milhões desviados teriam sido direcionados a um fundo de investimento supostamente ligado ao crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A empresa mencionada pelo deputado seria a Life Tecnologia Educacional, investigada por atuar na venda de kits educacionais, livros e materiais didáticos para prefeituras, por meio de licitações supostamente superfaturadas. Entre os municípios citados nas apurações está Hortolândia, alvo da Operação Coffee Break, deflagrada pela Polícia Federal.
De acordo com a investigação, um dos operadores e lobistas apontados seria Cafu César, vice-prefeito do município. Segundo o Ministério Público, ele teria atuado como intermediador político do esquema, juntamente com o secretário de Educação Fernando Gomes de Moraes.
No entanto, a decisão do Ministério Público Federal de não incluir Cafu César no polo passivo da denúncia foi considerada determinante para a concessão do Habeas Corpus pelo ministro relator.
Márcio Prado

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.
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