BRT-ABC enfrenta atrasos e governo ameaça romper contrato

Obra prevista para 2023 segue com 58% de avanço; Artesp aplica penalidades e avalia encerrar contrato com a Next Mobilidade

Crédito: Célio Messias/GESP

O governador paulista indicou a possibilidade concreta de romper o acordo do BRT-ABC. Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobrou publicamente a concessionária Next Mobilidade pelo ritmo lento das obras do corredor de ônibus elétricos. O projeto metropolitano do BRT-ABC deveria ligar São Bernardo do Campo à capital paulista ainda em 2023, mas sofre com sucessivas postergações de cronograma.

Atrasos e risco de caducidade no BRT-ABC

Obras BRT-ABC
Reprodução

O governo estadual mudou a postura frente à concessionária. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) assumiu a fiscalização do contrato no início de 2025 e já iniciou a aplicação de penalidades. A decretação de caducidade surge como a principal ferramenta jurídica do Estado para encerrar o vínculo com a empresa de forma unilateral. Em nota a Artesp foi categórica sobre as falhas contratuais do BRT-ABC e as punições:

“A ARTESP acompanha e fiscaliza a execução das obras desde o início de 2025. A Agência identificou atrasos na execução das obras e dos investimentos previstos e já iniciou as providências cabíveis, que incluem notificações, aplicação de penalidades e outras medidas previstas em contrato.”

O governador endossou a insatisfação governamental.

“A gente deve tomar medidas mais firmes. A gente tem um acordo que não está sendo honrado, não está sendo cumprido”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.

Status da obra e exigência de investimentos

BRT-ABC
Divulgação/Next Mobilidade

A construtora sustenta que o avanço físico do canteiro de obras atingiu 58%. O empreendimento de 17,3 km exige um aporte financeiro robusto da iniciativa privada, estimado entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão.

  • Ligação expressa entre o centro de São Bernardo e a capital.
  • Paradas estruturadas nos terminais integrados Tamanduateí e Sacomã.
  • Operação prevista com uma frota de 82 ônibus elétricos articulados.

Histórico de mudanças no transporte do Grande ABC

O imbróglio de engenharia na região metropolitana completou uma década. A gestão de Geraldo Alckmin aprovou a construção da Linha 18-Bronze em 2014, um projeto de monotrilho avaliado em R$ 4,2 bilhões. João Doria assumiu o Palácio dos Bandeirantes anos depois e cancelou a ferrovia. O ex-governador alegou inviabilidade financeira, substituiu os trilhos pela proposta do BRT-ABC, firmando o contrato pelo modelo atual em 2022.

Tarcísio de Freitas e João Doria
Divulgação/GESP

Essa troca de modalidade gerou custos pesados ao erário público. O Estado precisou indenizar a antiga concessionária do monotrilho em R$ 335 milhões. A atual administração estadual concordou com o pagamento milionário para encerrar o litígio judicial travado com o consórcio anterior.

Promessas de operação do novo sistema

O formato atual foca na velocidade de deslocamento diário. A infraestrutura do corredor prevê a instalação de semáforos inteligentes e faixas de ultrapassagem para garantir a agilidade das viagens.

  • Serviço expresso: 40 minutos de trajeto ponta a ponta.
  • Serviço semi-expresso: 43 minutos de viagem média.
  • Serviço parador: 52 minutos com embarque em todas as estações.

A equipe de reportagem do ABCdoABC procurou o Governo do Estado de São Paulo e a empresa Next Mobilidade para buscar posicionamentos oficiais sobre o futuro do BRT-ABC. Nenhuma das partes enviou respostas até a publicação deste conteúdo.

  • Publicado: 17/03/2026 16:35
  • Alterado: 17/03/2026 16:35
  • Autor: 17/03/2026
  • Fonte: ABCdoABC