Atos no ABC exigem que delegacias da mulher funcionem por 24 horas

Movimento Olga Benario denuncia recorde de feminicídios em São Paulo e cobra abertura integral das delegacias da mulher na região do ABC

Crédito: Divulgação

Mulheres de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Mauá realizaram uma série de manifestações simultâneas para exigir o funcionamento 24 horas das delegacias da mulher na região. Organizados pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, os atos denunciaram a falta de amparo estatal diante do aumento dos índices de feminicídio. Atualmente, nenhuma unidade especializada da região opera fora do horário comercial, deixando vítimas vulneráveis em períodos críticos, como noites e finais de semana.

Insegurança e falta de acolhimento no ABC Paulista

Movimento de Mulheres Olga Benario exigem funcionamento 24h de delegacias da mulher – Divulgação

A mobilização ocorre em um cenário de alerta. De acordo com os organizadores, o ABC Paulista registrou três casos de feminicídio em apenas uma semana recentemente. Em Santo André, o protesto aconteceu em frente à unidade policial, onde manifestantes colaram fotos de vítimas nos postes. Relatos colhidos durante o ato indicam que é comum mulheres buscarem as delegacias da mulher e encontrarem as portas fechadas.

“Somente unidas e lutando organizadas é que conseguiremos mudar essa realidade. Precisamos construir uma sociedade que não seja baseada em recebermos 25% a menos do que os homens e que direitos básicos sejam assegurados”, afirmou Isabela Leal, representante da Unidade Popular pelo Socialismo, durante a manifestação em São Caetano.

Movimento de Mulheres Olga Benario exigem funcionamento 24h de delegacias da mulher - Divulgação
Movimento de Mulheres Olga Benario exigem funcionamento 24h de delegacias da mulher – Divulgação

O impacto dos cortes no orçamento estadual

As manifestantes responsabilizam diretamente a gestão estadual pela precarização dos serviços. O grupo aponta que o corte de 54% no orçamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres compromete o funcionamento das delegacias da mulher e das redes de acolhimento.

Em Mauá, o ato teve um caráter simbólico e emocional ao relembrar Gabriela Mariel Silverio, dirigente do movimento assassinada no ano passado. Gabriela era uma das vozes ativas na coleta de assinaturas para que as delegacias da mulher tivessem atendimento ininterrupto na cidade.

Mobilização popular e abaixo-assinado

Os eventos em São Bernardo do Campo e São Caetano focaram na conscientização de trabalhadores e estudantes. Em São Bernardo, mais de 35 funcionários da Cidade da Criança aderiram ao abaixo-assinado. A meta do movimento é pressionar o Governo do Estado para que as delegacias da mulher cumpram o papel de proteção integral, conforme previsto em legislação federal, mas ainda não executado plenamente no Grande ABC.

  • Publicado: 24/03/2026 20:07
  • Alterado: 24/03/2026 20:07
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC