Artistas brasileiras apresentam exposição em Nova York
Artistas brasileiras levam debate sobre maternidade e poder aos EUA
- Publicado: 18/03/2026 12:29
- Alterado: 18/03/2026 12:29
- Autor: Larissa Rodrigues
- Fonte: APEXART
No dia 27 de março de 2026, a Apexart, renomada instituição cultural de Nova York com mais de três décadas de tradição, inaugura a exposição “O útero também é um punho”. O projeto carrega o diferencial de ter sido a única proposta brasileira selecionada entre 658 inscrições globais. Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra reúne cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e uma argentina radicada no Brasil, explorando suportes variados como pintura, escultura, vídeo e performance para pautar o debate sobre justiça reprodutiva. O título é uma alusão direta ao poema de Angélica Freitas, utilizando a metáfora do órgão como unidade de medida e símbolo de resistência contra as limitações institucionais impostas ao corpo feminino.
As artistas que compõem a exibição integram o coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista) e representam diferentes estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe. Essa pluralidade geográfica, somada às variações de raça e idade, reforça o argumento das curadoras de que os direitos reprodutivos transcendem a interrupção da gestação, englobando acesso à educação sexual, saúde digna, transporte e condições de parentalidade responsável. A exposição busca preencher uma lacuna persistente nas artes visuais contemporâneas brasileiras, onde o tema frequentemente enfrenta silenciamentos e resistências institucionais.
No percurso expositivo, o público encontrará obras provocativas que tencionam a relação entre o corpo materno e a animalidade, como na videoperformance “Sua vaca!”, de Ludmilla Ramalho, e na pintura “Efeito Bruce”, de Rikia Amaral. Outras peças exploram a violência sistêmica, a exemplo das cianotipias de Rosa Bunchaft sobre o Judiciário e da instalação de Renata Freitas, que utiliza lençóis hospitalares para refletir sobre o controle ginecológico. Há também abordagens que lidam com o luto e o gesto abortivo de maneira onírica ou sutil, como nos trabalhos de Raffaella Yacar, Mariana Feitosa e Leticia Ranzani, enquanto Guillermina Bustos propõe um jogo eletrônico que simula a tensão de decisões diante de uma gravidez indesejada.
A programação se estende para além das galerias com atividades que incentivam a participação direta do público. No dia da abertura, Renata Freitas apresenta a performance “Desdobrável, eu sou”, seguida no dia 28 pela ação “Suspensão”, de Liane Roditi. A agenda inclui ainda uma oficina de gravura com Leíner Hoki no início de abril e uma roda de conversa on-line em maio, que contará com as pesquisadoras Carolina Filippini e Fernanda Corrêa para aprofundar a análise das obras sob o contexto brasileiro. O projeto é capitaneado por curadoras com sólida trajetória acadêmica: Talita Trizoli, historiadora premiada com a Mellon Fellowship, e Renata Freitas, doutora em Comunicação e Semiótica cuja prática artística foca na interseção entre gênero, memória e poder.
Serviço: Exposição “O útero também é um punho”
Abertura: 27 de março de 2026, das 18h às 20h
Exposição: até 23 de maio de 2026
Local: Apexart
Endereço: 291 Church St. NYC
Funcionamento: De terça a sábado, das 11h às 18h
Entrada gratuita
Programação pública
· Dia 27 de março, às 18h – visita guiada com as curadoras Talita Trizoli e Renata Freitas, com transmissão ao vivo pelo Instagram.
· Dia 27 de março, às 19h30 – performance “Desdobrável, eu sou”, de Renata Freitas.
· Dia 28 de março, às 17h – performance “Suspensão”, da artista Liane Roditi
· Dia 1 de abril, às 16h – oficina de carimbos com a artista Leíner Hoki.
· Dia 21 de maio, às 16h – roda de conversa on-line com as pesquisadoras e curadoras Carolina Filippini e Fernanda Corrêa.