Arival Dias Casimiro deixa pastorado da IPP após acordo
Arival Dias Casimiro: pastor titular pede licença da IPP em SP após acordo trabalhista em ação de ex-funcionária
- Publicado: 14/09/2026 16:03
- Alterado: 14/09/2026 16:03
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
O reverendo Arival Dias Casimiro pediu licença e deixou o cargo de pastor titular da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), uma das igrejas locais mais tradicionais e influentes da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) na capital paulista. A decisão foi formalizada após a homologação de um acordo perante a Justiça do Trabalho com uma ex-funcionária que o acusou formalmente de assédio moral, importunação e abuso espiritual.
A saída do religioso ocorre em meio a intensos questionamentos internos entre membros e lideranças da comunidade evangélica sobre a sua permanência na condução pastoral da igreja local em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça também atua como pastor auxiliar.
“Ciente dos fatos, o reverendo Arival, em respeito à família e à IPP, resolveu pedir licença em comum acordo com o conselho”, informou a assessoria de imprensa contratada pela instituição religiosa.
Até o momento, a direção da IPP não especificou o prazo de duração do afastamento, se a medida possui caráter temporário ou definitivo, nem se Arival Dias Casimiro continuará exercendo outras atribuições internas na estrutura administrativa da igreja.
Acordo Trabalhista e Posicionamento Oficial
A denunciante atuava no setor administrativo da Junta Missionária de Pinheiros, órgão vinculado à igreja. Ela ajuizou a reclamatória trabalhista em maio de 2025, decidindo encerrar a disputa jurídica por meio de uma conciliação financeira e processual entre as partes.

Em comunicado encaminhado aos seus membros, a direção da IPP admitiu que Arival Dias Casimiro encaminhou mensagens “inoportunas, inadequadas e infelizes” à trabalhadora. A nota institucional sustentou que o episódio foi “apurado no ambiente eclesiástico” e que o pastor, após reconhecer “a inconveniência das mensagens” e pedir perdão formal, foi submetido a uma “medida disciplinar”, cujo teor exato não foi revelado pela cúpula.
A igreja frisou ainda que houve “acordo homologado pela Justiça do Trabalho, sem sentença de mérito e sem reconhecimento de prática de assédio”. O trecho, contudo, gerou insatisfação e críticas de fiéis, que interpretaram o comunicado como uma postura corporativista e leniente com o comportamento do titular da igreja local.
Relatos de Abordagens e Mensagens nos Autos
De acordo com o depoimento prestado pela ex-colaboradora à Justiça do Trabalho, Arival Dias Casimiro se dirigia diariamente até a sua mesa de trabalho para abraçá-la, acompanhando a aproximação física de elogios e comentários jocosos tidos como invasivos. Arival Dias Casimiro também opinava frequentemente sobre a aparência da funcionária, insistindo para que ela utilizasse maquiagem e roupas mais curtas a fim de atrair atenção.
Em uma das ocasiões citadas na petição inicial, o reverendo teria declarado na presença de outros funcionários que pretendia se casar com ela no futuro.
A ação judicial reuniu ainda capturas de tela com conversas mantidas por aplicativo de mensagens entre 2022 e 2024. Nos diálogos anexados, conversas iniciadas com pendências da rotina de trabalho eram desviadas para assuntos particulares. Em uma das interações, enquanto a funcionária detalhava relatórios financeiros, o pastor afirmou que precisava dizer algo que não cabia por texto, mas apenas presencialmente: “O que sinto por você”, recuando logo em seguida com a mensagem: “Esquece”.
Conforme o relato à Justiça, em 15 de agosto de 2024 foi realizada uma reunião a portas fechadas no gabinete pastoral para discutir o comportamento de Arival Dias Casimiro, com a presença da supervisora imediata da colaboradora e de um presbítero. Na ocasião, o pastor pediu perdão, justificou que havia “caído num laço do inimigo” e disse ter “invertido os papéis”, alegando que a via com afeto paternal e oferecendo auxílio financeiro para a compra de um imóvel.
Apesar do pedido de Arival Dias Casimiro para que continuasse na Junta Missionária, a funcionária optou por solicitar demissão sem justa causa para recebimento de suas verbas rescisórias. Na ação, a defesa da ex-funcionária sustentou que o contexto configurou não apenas assédio continuado, mas também “abuso espiritual”, pela instrumentalização de sua autoridade pastoral sobre uma subordinada religiosa.