Chuvas deixam mortos, desaparecidos e desalojados em SP

Temporais atingem a capital e o interior, causando desabamentos fatais e bloqueios em rodovias. Governo estadual mobiliza ajuda humanitária.

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As fortes chuvas em São Paulo causaram pelo menos duas mortes, deixaram pessoas desaparecidas e forçaram a instalação de um gabinete de crise neste sábado (12). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cancelou seus compromissos oficiais para coordenar as ações de resgate e o envio de ajuda humanitária aos municípios mais devastados pelos temporais.

A Defesa Civil do Estado e o Fundo Social de São Paulo iniciaram o despache de cerca de mil itens de assistência básica. As cidades de Sumaré, Eldorado, Juquitiba e Monte Mor são os alvos primários dessa primeira etapa de suporte. O foco governamental concentra-se no acolhimento de famílias que perderam suas moradias ou precisaram evacuar áreas de risco geológico.

Estamos mandando ajuda humanitária nesse primeiro momento para atender desalojados, desabrigados, levantando estragos para já pensar numa fase posterior, de recuperação”, declarou o governador Tarcísio de Freitas.

O coordenador estadual da Defesa Civil, Coronel PM Rinaldo de Araújo Monteiro, explicou o procedimento técnico para a liberação de fundos aos prefeitos. “Para podermos repassar emergencialmente recursos, apoiamos os municípios no processo de decretação de situação de emergência ou estado de calamidade local”, detalhou o militar.

Desabamentos e vítimas após chuvas em São Paulo

Desabamento na zona leste de SP soterra vítimas na chuva
Paulo Pinto/Agência Brasil

A tragédia mais severa impulsionada pelas chuvas em São Paulo ocorreu na Penha, zona leste da capital. Um prédio em construção desmoronou sobre residências vizinhas durante a madrugada. As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros retiraram duas pessoas mortas dos escombros até o início da tarde. Outras duas vítimas foram resgatadas com ferimentos e encaminhadas para hospitais da região.

Pelo menos 60 bombeiros e 20 viaturas continuam no perímetro do colapso estrutural. A corporação trabalha nas buscas ativas por outras quatro pessoas que seguem desaparecidas sob os destroços do canteiro de obras.

O interior e a região metropolitana também registraram episódios críticos durante a madrugada e manhã de sábado. O balanço de estragos aponta múltiplos focos de atenção:

  • Em Jandira, dois homens desapareceram na correnteza de um rio transbordado na Avenida Antônio Bardella.
  • A Polícia Civil abriu investigação após agentes encontrarem o corpo de um homem de 60 anos em um córrego no bairro Catiapoã, em São Vicente.
  • O bairro de Sapopemba sofreu com a queda de uma casa, deixando 24 pessoas desalojadas. No Jabaquara, duas residências cederam às margens de um curso d’água e oito propriedades foram interditadas.
  • O município de Juquitiba registrou deslizamentos e alagamentos generalizados. A prefeitura localizou 60 moradias em situação de interdição total e monitora o transbordamento dos rios Juquiá e São Lourenço.
  • Em Pariquera-Açu, a força do vento derrubou tendas instaladas no Centro de Eventos Imigrantes, sem deixar feridos.

Volume pluviométrico extremo no interior

A força do sistema meteorológico sobrecarregou o solo paulista. O monitoramento oficial mapeou 40 municípios com acumulados superiores a 50 milímetros em um curto período de 24 horas. O maior índice de chuvas em São Paulo ocorreu em Santana de Parnaíba, que atingiu 94 mm de chuva acumulada. As cidades de Santo André e Cotia registraram 92 mm cada, seguidas por Diadema com 90 mm e Parelheiros com 89 mm.

As rajadas também provocaram destruição na rede elétrica e destelhamentos. A estação meteorológica em Piraju, no Vale do Paranapanema, apontou ventos de 92,6 km/h na madrugada. O município de Bauru marcou 72,7 km/h e Dracena anotou 66 km/h. O governo disparou 21 alertas preventivos via SMS para preparar a população para a intensificação das chuvas em São Paulo e o agravamento do tempo.

Rodovias bloqueadas e transporte ferroviário

O escoamento de veículos enfrenta barreiras físicas decorrentes da tempestade. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) relatou a interdição de uma faixa no quilômetro 104 da rodovia SP-165, onde o tráfego flui parcialmente no esquema pare e siga. Um segundo deslizamento bloqueou totalmente o acostamento no quilômetro 39,3 da rodovia SP-141.

A concessionária responsável pela Serra Antiga da Tamoios interditou a via temporariamente a partir das 2h da madrugada. O índice pluviométrico superou o protocolo de segurança geológica estabelecido, acionando risco iminente de novos deslizamentos. A operação comboio guiou o fluxo de veículos de forma controlada pela Serra Nova.

Os passageiros da rede ferroviária enfrentaram atrasos severos logo nas primeiras horas do dia. Descargas atmosféricas provocaram o desarme da subestação de energia na região do Tatuapé. Os trens paralisaram a circulação entre as estações Brás e Tatuapé na Linha 12-Safira e no Expresso Aeroporto durante quase cinco horas. A Linha 11-Coral também suspendeu as viagens entre a estação da Luz e Corinthians-Itaquera.

O governo mantém o maquinário das usinas de bombeamento operando em máxima capacidade para baixar as calhas dos rios Tietê e Pinheiros. As represas de Calazans e Alicate seguem em estado de alerta. As autoridades orientam as famílias em áreas de encosta a buscarem abrigo seguro até o escoamento total das águas e o abrandamento dos impactos gerados pelas contínuas chuvas em São Paulo.

  • Publicado: 13/09/2026 09:16
  • Alterado: 13/09/2026 09:17
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Agência SP