André Mendonça determina afastamento do diretor-geral da PF

Mendonça determina afastamento do chefe da corporação e exige apuração criminal sobre produção de dossiês ilícitos contra autoridades.

Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o afastamento imediato do Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão impõe a abertura de procedimentos investigatórios criminais na Corregedoria da PF para apurar a produção de relatórios de inteligência usados no monitoramento de autoridades.

André Mendonça ordenou a suspensão imediata de qualquer compartilhamento de documentos voltados à análise funcional de magistrados e advogados públicos. O magistrado solicitou a convocação de uma sessão extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a liminar.

André Mendonça detalha esquema de monitoramento dirigido

A peça processual revela que Rodrigues encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes pelo menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. O escrutínio sistemático durou mais de 30 dias de monitoramento ilícito por parte da polícia.

O Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, figurava entre os alvos centrais da coleta dirigida de informações. Os documentos policiais insinuavam que Messias evitava recorrer em determinadas operações para manter laços políticos favoráveis com o relator.

A corporação chegou a atrelar a conduta dos magistrados a uma suposta base de apoio de igrejas evangélicas. “A acusação é surreal e abjeta”, classificou André Mendonça ao analisar o juízo de valor feito sobre decisões jurisdicionais da Suprema Corte e o mérito técnico da defesa federal.

Documentos apócrifos e vazamento de operações

A fragilidade técnica das peças foi destacada pelo relator do caso. Os arquivos operavam como um nada jurídico, pois não apresentavam timbre, brasão, assinatura ou numeração oficial, descumprindo frontalmente a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP).

A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) reagiu rapidamente ao escândalo institucional. “A Inteligência de Estado não se confunde com investigação criminal, tampouco com a elaboração de peças destinadas à formação de juízo acusatório”, esclareceu a nota oficial da entidade.

O vazamento das investigações prejudicou diretamente inquéritos em andamento envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto. A divulgação prévia revelou as potenciais medidas cautelares aos investigados, frustrando completamente a eficácia das apurações.

Crise na corporação e pressões externas

A instabilidade no comando policial ganhou tração no início de setembro de 2026. O Partido Novo acionou a Corte pedindo a prisão preventiva de Rodrigues por suspeita de integrar uma rede de influência criminosa liderada pelo empresário Daniel Bueno Vorcaro.

  • Publicado: 08/09/2026 09:17
  • Alterado: 08/09/2026 09:19
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria