Ambulatório no Grande ABC oferece tratamento de epilepsia
Dia da Epilepsia destaca conscientização e atendimento especializado no Centro Universitário FMABC,
- Publicado: 26/03/2026 09:06
- Alterado: 26/03/2026 09:13
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FMABC
Celebrado em 26 de março, o Dia Mundial de Conscientização sobre a epilepsia destaca a necessidade de combater estigmas e garantir o acesso a tratamentos adequados para uma condição que afeta cerca de 1% da população mundial. Na região do Grande ABC, o Ambulatório de Epilepsia do Centro Universitário FMABC atende aproximadamente 120 pacientes por mês, oferecendo acompanhamento contínuo e humanizado.
Como a epilepsia se manifesta

Segundo o neurologista Rudá Alessi, a epilepsia é caracterizada pela predisposição do cérebro a gerar crises epilépticas espontâneas, decorrentes de atividade elétrica anormal. “A forma da crise depende da região cerebral envolvida, variando de movimentos involuntários a alterações sensoriais, como alucinações visuais”, explica.
As causassão variadas. Podem ser genéticas, ou surgir após lesões cerebrais, como traumatismos, AVCs ou tumores. Em outros casos, não há uma causa identificável. A doença pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais frequente em crianças pequenas e idosos, com fatores distintos para cada grupo.
Gatilhos e primeiros socorros

Diversos fatores podem desencadear crises epilépticas, incluindo privação de sono, estresse e interrupção do tratamento. Estímulos visuais, como luzes piscantes, também podem provocar episódios em alguns pacientes.
Diante de uma crise, a orientação é manter a calma e priorizar a segurança do indivíduo. “Posicione a pessoa de lado, proteja a cabeça e afaste objetos que possam causar ferimentos. Não tente conter movimentos à força nem colocar objetos na boca”, alerta Alessi. Atendimento médico imediato é essencial se a crise durar mais de cinco minutos, ocorrer repetidamente sem recuperação ou for o primeiro episódio.
Tratamento e avanços terapêuticos

O tratamento é, na maioria dos casos, medicamentoso, controlando as crises em grande parte dos pacientes. Cerca de um terço não responde adequadamente às medicações, sendo indicadas alternativas como cirurgia, neuromodulação ou dieta cetogênica. “O tratamento é contínuo e visa o controle das crises, não necessariamente a cura”, ressalta o neurologista.
Nos últimos anos, houve avanços no entendimento genético da epilepsia e no desenvolvimento de novos fármacos. Técnicas como a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda ampliaram as possibilidades terapêuticas.
Desmistificando a epilepsia

A epilepsia ainda é cercada de mitos. Um equívoco comum é acreditar que a pessoa pode “engolir a língua” durante a crise, ou que pacientes não podem estudar ou trabalhar. “Muitos levam uma vida completamente normal com tratamento adequado”, afirma Alessi.
A informação é ferramenta-chave para reduzir o estigma da epilepsia. No Ambulatório do Centro Universitário FMABC, o acompanhamento é individualizado, variando de consultas semestrais a retornos semanais, dependendo da gravidade e controle das crises.