Mais de 20 países condenam bloqueio iraniano no estreito de Hormuz
Coalizão internacional e OMI buscam soluções urgentes para garantir a segurança da navegação e o fluxo de petróleo no estreito de Hormuz
- Publicado: 21/03/2026 16:47
- Alterado: 21/03/2026 16:48
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Imprensa internacional
O cenário de instabilidade no estreito de Hormuz escalou neste sábado (21/03), após um grupo de 22 nações denunciar formalmente o bloqueio da via por parte do Irã. O comunicado conjunto, liderado majoritariamente por países europeus e com apoio de nações árabes como Emirados Árabes Unidos e Bahrein, condena ataques recentes a navios mercantes e infraestruturas civis de petróleo e gás.
A região é considerada o ponto de estrangulamento mais crítico do mundo para o setor energético. Por ali, transita aproximadamente 20% da produção global de petróleo, o que torna a livre circulação pelo estreito de Hormuz vital para a estabilidade dos preços internacionais e para a segurança de abastecimento de diversos continentes.
Proposta de escolta militar ganha força internacional
Diante da paralisia do tráfego, a proposta do governo dos Estados Unidos para a criação de uma coalizão de escolta de petroleiros voltou ao centro do debate. Na última quinta-feira (19), Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão e Holanda já haviam sinalizado apoio à iniciativa.
“Estamos prontos para contribuir com os esforços adequados para garantir a passagem segura pelo estreito”, afirmou o grupo de países em nota oficial. A prioridade é cessar as hostilidades contra navios desarmados no Golfo, classificadas pelo bloco como “violações veementes” das normas internacionais de navegação.
OMI sugere criação de corredor seguro de emergência
A Organização Marítima Internacional (OMI), braço da ONU para o setor, interveio no conflito sugerindo uma medida paliativa imediata para reduzir os riscos operacionais no estreito de Hormuz. A entidade defende a implementação de uma rota protegida para o escoamento de embarcações que se encontram em áreas de perigo.
“É uma medida provisória e urgente. O corredor deve facilitar a evacuação dos navios mercantes das áreas de alto risco e afetadas para um local seguro”, indicou a OMI em comunicado.
Custos de seguro e o modelo de financiamento dos EUA
A crise no estreito de Hormuz também reflete no mercado financeiro e de seguros. Segundo informações do jornal Financial Times, a administração de Donald Trump estuda um modelo de seguro obrigatório para navios que solicitarem escolta das tropas norte-americanas. O programa seria gerido pela Development Finance Corporation (DFC).
Atualmente, o mercado privado apresenta custos elevados para operar na região, o que tem afastado armadores:
- Taxa de mercado: Seguradoras cobram entre 3% e 5% do valor do navio.
- Exemplo de custo: Um petroleiro de US$ 100 milhões desembolsa até US$ 5 milhões por viagem.
- Abrangência: A cobertura discutida inclui casco, maquinário e a carga transportada.
A recusa da maioria dos proprietários em aderir aos seguros comerciais pressiona as autoridades para que uma solução diplomática ou militar estabilize o estreito de Hormuz e normalize os custos operacionais do setor.