USP detalha funcionamento do sistema de monitoramento
Com uma rede de mais de 4.800 câmeras, a USP revoluciona a proteção de seus sete campi, combinando vigilância inteligente, policiamento comunitário e tecnologia
- Publicado: 29/11/2025 14:53
- Alterado: 29/11/2025 14:53
- Autor: Redação
- Fonte: Agência SP
Zelar pela segurança de um universo de mais de 150 mil pessoas que circulam diariamente pelos sete campi da Universidade de São Paulo (USP) exige uma infraestrutura de ponta e uma estratégia de prevenção integrada. Para auxiliar nessa missão complexa, a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU) consolidou um modelo que prioriza a tecnologia e o envolvimento da comunidade.
O coração dessa estratégia é uma sofisticada rede de monitoramento eletrônico, operando 24 horas por dia. O sistema atualiza e potencializa a segurança na USP, sendo o resultado de uma profunda mudança conceitual iniciada há uma década.
A Estrutura de Vigilância: O Cérebro Eletrônico da USP

A infraestrutura de monitoramento é impressionante em escala. São mais de 4.800 câmeras dedicadas à vigilância das portarias, ruas, travessas, bolsões de estacionamento e espaços abertos da universidade. Dessas, 2.000 câmeras estão concentradas apenas na Cidade Universitária.
Para gerenciar esse volume de dados, a SPPU opera um sistema robusto de centrais:
- 11 Centrais de Monitoramento: Incluem uma Central de Controle de Operações (CCO) principal, localizada na Cidade Universitária, sete centrais em outras áreas da capital e nos seis campi do interior, e três centrais de apoio estratégicas (no Centro de Difusão Internacional, Quadrilátero Saúde/Direito e Faculdade de Medicina).
- Câmeras Inteligentes: Nas portarias, câmeras do tipo LPR (Reconhecimento de Placas de Veículos) monitoram o acesso. São 45 câmeras LPR que, conectadas ao sistema Muralha (antigo Detecta) da Secretaria de Segurança Pública (SSP), enviam os números das placas em tempo real para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Isso garante uma resposta rápida em caso de veículos procurados.
- Tipos de Câmeras: O sistema é composto por câmeras dos tipos bullet, dome e speed dome, permitindo diferentes ângulos e capacidades de vigilância.
O sistema de monitoramento eletrônico da USP, iniciado em 2018 com a inauguração da CCO, é uma parceria técnica fundamental com a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI). O superintendente da STI, João Eduardo Ferreira, explica que a evolução da segurança na Universidade, nos últimos dez anos, gerou uma “demanda por infraestrutura, conectividade, aplicativos,” que a STI trabalhou para viabilizar e potencializar.
A Central de Controle: O CCO e a Evolução para I.A.
Localizada na sede da SPPU, a Central de Controle de Operações (CCO) é o centro nevrálgico do sistema. Ela recebe e armazena as imagens de todos os campi por, no mínimo, 30 dias.
Com 18 telas de monitoramento e uma lousa interativa para análise, a CCO funciona ininterruptamente, com três turnos de trabalho que se revezam para acompanhar alertas, gerenciar o armazenamento de imagens e operar a comunicação via rádio e telefone.
O futuro da segurança na USP passa pela Inteligência Artificial (I.A.). Segundo João Eduardo Ferreira, o próximo passo estratégico é desenvolver um algoritmo que, baseado no extenso cadastro de ocorrências e registros de imagens acumulados, seja capaz de identificar comportamentos suspeitos e emitir alertas preventivos. “Nós passamos por uma fase de implantação da infraestrutura e agora estamos iniciando uma fase de introdução da inteligência artificial no sistema, de maneira a permitir a detecção de eventos e comportamentos suspeitos,” afirmou Ferreira.
Policiamento comunitário e App: A Mudança Cultural da Segurança
O sistema de monitoramento eletrônico representa o ápice de um projeto de segurança de longo prazo que teve início em 2015, com a assinatura de uma parceria histórica entre a USP e a SSP para implantar o policiamento comunitário na Cidade Universitária.
O modelo adotado é o japonês koban, que prioriza a fixação dos mesmos policiais militares na região do campus. O objetivo é construir um vínculo de colaboração e confiança com a comunidade universitária. Enquanto a PM foca na prevenção e combate a crimes (como roubos e furtos), a vigilância patrimonial de rotina e os problemas disciplinares seguem a cargo da Guarda Universitária.
Essa mudança de abordagem trouxe resultados evidentes na redução de ocorrências. A superintendente da SPPU, José Antonio Visintin, relatou que, em 2015, ano da assinatura do convênio, foram registradas 315 ocorrências na Cidade Universitária, incluindo crimes graves como sequestro relâmpago e estupro. No ano passado (presumidamente 2023), o total caiu para 181 ocorrências, sendo a maioria delas classificadas como furtos.
A parceria com a SSP e a implantação do sistema de vigilância foram complementadas pelo lançamento do aplicativo Campus USP em 2016. O aplicativo, utilizado por toda a comunidade, permite a comunicação rápida de ocorrências e chamados de emergência.
Guarda Universitária e Atuação Integrada
A Guarda Universitária também passou por uma restruturação significativa, com reforma de bases, treinamentos e valorização das equipes. A atuação dos 250 agentes da Guarda não se limita mais apenas à segurança patrimonial de rotina, sendo ampliada para:
- Emergências Médicas: As bases e locais de grande circulação, como o Centro de Práticas Esportivas (Cepeusp), estão equipados com 50 desfibriladores.
- Transporte Acessível: Todos os campi possuem 8 carros adaptados para o transporte de pessoas com mobilidade reduzida, com chamados feitos via aplicativo Campus USP.
- Novas Ferramentas: A frota inclui ainda 11 drones utilizados para vistorias aéreas e monitoramento de áreas extensas.
A convivência da comunidade, da Guarda e da Polícia é, hoje, muito mais harmônica, segundo Visintin. A integração se estende a parcerias com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e o Corpo de Bombeiros, que fornecem treinamentos contínuos para as equipes da SPPU, garantindo que a USP mantenha um alto padrão de excelência em proteção.