Turistas estrangeiros aumentam, mas gastam menos no Brasil

País recebe mais de cinco milhões de visitantes no semestre, mas a despesa média registra terceira queda consecutiva e acende alerta.

Crédito: Prefeitura de Ilhabela

O turismo internacional no Brasil registrou a entrada de mais de 5,26 milhões de estrangeiros no primeiro semestre, aproximando-se do recorde histórico pré-pandemia. Os dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) mostram um volume expressivo de chegadas. O setor financeiro enfrenta um desafio estrutural que afeta diretamente a arrecadação nacional.

Um levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), baseado em números do Banco Central, revela um cenário contraditório. O volume de pessoas nas fronteiras aumenta, enquanto o gasto médio por visitante registra a terceira queda consecutiva de 12,75% em dois anos. O mercado não consegue converter multidões em geração efetiva de caixa para o país.

Desafios cambiais do turismo internacional no Brasil

O câmbio real desponta como o principal obstáculo para rentabilizar a entrada de estrangeiros. A moeda brasileira perdeu um terço do seu valor frente ao dólar desde 2018, barateando o custo da viagem para quem vem de fora. A taxa atrai turistas rapidamente, mas derruba o valor real de consumo no mercado nacional.

O volume médio de despesas despencou consideravelmente, caindo de R$ 6.447 no primeiro semestre de 2024 para R$ 5.625 no ano atual. “Tem mais gente do exterior chegando, mas o País não consegue transformar isso em mais receitas”, apontou o estudo da FecomercioSP.

A desvalorização reduz o poder de compra e o consumo efetivo dentro do território nacional. A dinâmica afeta o faturamento de bares, restaurantes, redes hoteleiras e o comércio focado em lembranças locais e produtos típicos.

Impacto da dependência argentina e alta tributação

O peso demográfico do país vizinho altera completamente a balança comercial do turismo internacional no Brasil. Os visitantes argentinos representam hoje 38% das chegadas no território brasileiro. O perfil orçamentário desse grupo envolve gastos médios muito inferiores aos de viajantes europeus ou asiáticos.

A instabilidade econômica estrutural em Buenos Aires pressiona essa matemática. A capacidade de consumo do vizinho sul-americano despenca durante crises financeiras e duros ajustes fiscais internos. O mercado hoteleiro brasileiro fica refém dessa extrema volatilidade regional.

Barreiras estruturais e bloqueio de novos públicos

Os custos operacionais internos freiam a rentabilidade do turismo internacional no Brasil. A alta carga tributária e a falta de sistemas de devolução de impostos, como o mecanismo tax-free europeu, encarecem a experiência geral. As passagens aéreas e os gargalos logísticos em cidades centrais como Rio de Janeiro e São Paulo dificultam a retenção de capital.

A diversificação de público sofreu um golpe pesado e recente com mudanças nas regras de imigração governamentais. Ocorreu uma queda de 3,5% no volume de americanos após a exigência de visto de entrada no país. “A medida foi um erro, porque esse público tem estadia mais longa e gasto médio mais alto”, avaliou a FecomercioSP.

O avanço definitivo do setor exige políticas coordenadas que ultrapassem a simples publicidade de destinos tropicais. O governo precisa integrar conectividade aérea de qualidade, infraestrutura hoteleira e isenções fiscais estratégicas. Somente atacando essas frentes o turismo internacional no Brasil atrairá viajantes de longa distância e consolidará um modelo de negócio de alto valor agregado.

  • Publicado: 20/08/2026 09:33
  • Alterado: 20/08/2026 09:33
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP