TSE adia análise sobre censura de pesquisa Atlas/Bloomberg

TSE adia julgamento sobre suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg após pedido de vista da ministra Estela Aranha

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) adiou, nesta terça-feira (9), a análise sobre a decisão que suspendeu a divulgação da pesquisa eleitoral da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, após pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O julgamento foi interrompido depois que a ministra Estela Aranha pediu vista do processo, mecanismo que concede mais tempo para análise do caso. Antes da suspensão, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, votou para manter a decisão liminar que impede a divulgação do levantamento.

TSE mantém suspensão provisória da pesquisa

A pesquisa havia sido divulgada em 19 de maio e ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, utilizando o método Atlas RDR (recrutamento digital aleatório, na sigla em inglês).

Na segunda-feira (8), Kassio Nunes Marques determinou, em decisão provisória, a suspensão da divulgação, impulsionamento ou republicação do conteúdo até nova deliberação do plenário do TSE.

O pedido para barrar o levantamento foi apresentado pela equipe jurídica do pré-candidato do PL à Presidência, que alegou possível indução nas respostas dos entrevistados.

Segundo os advogados, a forma como as perguntas foram organizadas e a associação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, poderiam contaminar os resultados.

Questionário incluía áudio de Flávio Bolsonaro

De acordo com documentos apresentados ao tribunal, o questionário da AtlasIntel continha, ao final da pesquisa, um vídeo com áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Os entrevistados, após responderem a 48 perguntas, eram convidados a avaliar o conteúdo do material por meio de uma ferramenta de reação positiva ou negativa.

Para Kassio Nunes Marques, existem indícios de que o formato do questionário pode ter extrapolado os limites de uma aferição estatística regular.

“As circunstâncias corroboram os argumentos que indicam possível utilização de estímulos indutivos aptos a contaminar as respostas subsequentes relativas à imagem, rejeição e intenção de voto”, afirmou o ministro.

Segundo ele, o problema não estaria necessariamente na metodologia da pesquisa, mas em uma possível indução causada pela sequência das perguntas e pelo uso de expressões com carga valorativa negativa.

AtlasIntel defende rigor metodológico

Em nota, a AtlasIntel afirmou que o levantamento seguiu critérios científicos rigorosos e que o áudio citado não foi reproduzido durante a coleta das intenções de voto.

Segundo o instituto, o conteúdo foi exibido apenas em uma etapa posterior do questionário, sem possibilidade de os participantes alterarem respostas já registradas.

O TSE determinou ainda que a empresa apresente, em até dois dias, documentação técnica complementar sobre a metodologia adotada, especialmente sobre o uso do áudio no levantamento. O Ministério Público Eleitoral terá prazo de um dia para se manifestar.

  • Publicado: 09/06/2026 23:00
  • Alterado: 09/06/2026 23:00
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress