Trump intensifica campanha contra derrota nas midterms
Trump intensifica campanha para manter maioria republicana no Congresso dos EUA; derrota nas midterms pode limitar sua agenda e abrir novas investigações
- Publicado: 01/11/2026 17:08
- Alterado: 01/11/2026 17:08
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: Assessoria
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua participação na campanha eleitoral para tentar garantir a vitória do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, marcadas para a próxima terça-feira (3). O resultado poderá influenciar diretamente os últimos dois anos de seu governo, especialmente a capacidade de aprovar projetos e manter sua agenda política.
Diferentemente do Brasil, o Congresso norte-americano passa por uma renovação parcial a cada dois anos. Nas eleições de novembro, estarão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
Como funcionam as eleições de meio de mandato nos EUA
As midterms acontecem na metade do mandato presidencial e definem a composição das duas Casas do Congresso. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos.
Por isso, a cada eleição, toda a Câmara dos Representantes é renovada, assim como aproximadamente um terço do Senado.
Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, legenda de Trump, conquistou a maioria nas duas Casas. O controle permitiu ao presidente avançar com propostas importantes para o governo, embora a pequena vantagem republicana tenha provocado dificuldades em algumas votações, inclusive com parlamentares do próprio partido contrariando o presidente.
Para Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos Estados Unidos, Trump está preocupado com a possibilidade de perder essa maioria. Uma vitória democrata poderia dificultar a aprovação de projetos e ampliar a fiscalização sobre as ações do governo.
Maioria democrata pode abrir investigações contra Trump
Segundo Poggio, Trump tem recorrido a ordens executivas, instrumentos semelhantes a decretos, para implementar medidas sem depender diretamente da aprovação do Congresso.
Foi por meio desse mecanismo que o presidente impôs tarifas comerciais a diversos países, incluindo o Brasil. Com uma maioria democrata, parlamentares poderiam criar obstáculos adicionais à agenda presidencial e questionar decisões da administração.

A principal preocupação de Trump, segundo o professor, seria a possibilidade de abertura de investigações contra ele e integrantes do governo caso os democratas conquistem o controle das duas Casas.
“Com uma mudança no Congresso, a principal preocupação do Trump é com todas as investigações que serão feitas sobre malfeitos durante a administração dele. E os democratas já deixaram isso claro”, afirma Poggio.
O especialista avalia, porém, que um eventual impeachment é pouco provável. Embora a Câmara dos Representantes possa aprovar o processo por maioria simples, a condenação e o afastamento exigem o apoio de dois terços do Senado.
Esse cenário dependeria de uma crise política mais profunda, com queda expressiva da popularidade do presidente e apoio de parte dos republicanos à iniciativa democrata.
“Esse é um cenário bastante distante”, avalia.
Trump percorre os EUA para mobilizar eleitores
Para evitar uma derrota, Trump tem participado de comícios em diferentes partes do país e intensificado o discurso em defesa dos candidatos republicanos.
Entre as iniciativas mencionadas durante a campanha está a promessa de pagar um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto norte-americano caso os republicanos vençam as eleições.
O presidente também apoiou mudanças nos mapas eleitorais em alguns estados, com o objetivo de favorecer seu partido na disputa por cadeiras da Câmara dos Representantes.
Outra frente de atuação envolve medidas para restringir o voto pelo correio. Trump afirma que esse modelo está sujeito a fraudes, enquanto dados apontam que eleitores democratas têm maior propensão a utilizar essa modalidade de votação.
Popularidade e economia preocupam a Casa Branca
A poucos dias da votação, pesquisas indicam que a desaprovação de Trump está próxima de 60%. A insatisfação dos eleitores está relacionada principalmente à condução da economia e ao custo de vida nos Estados Unidos.
A alta dos preços dos combustíveis também aparece entre os fatores de pressão sobre o governo. A guerra contra o Irã contribuiu para o aumento dos valores, pressionando a inflação e o orçamento das famílias norte-americanas.
O desempenho econômico e a avaliação da administração presidencial podem influenciar o comportamento dos eleitores nas urnas.
O resultado das midterms será decisivo para definir o espaço político de Trump no Congresso. Uma vitória republicana permitiria ao presidente manter maior apoio parlamentar, enquanto uma retomada democrata poderia dificultar a aprovação de propostas e ampliar a fiscalização sobre o governo.