Governo Trump destinou US$ 1 milhão em campanha contra o STF, diz jornal
O repasse milionário dos Estados Unidos visa apoiar grupos que criticam o tribunal brasileiro em meio ao histórico recente de tensões.
- Publicado: 01/10/2026 10:13
- Alterado: 01/10/2026 10:13
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: The Guardian
O Governo Trump pressiona o Congresso americano para destinar mais de US$ 175 milhões de fundos do Departamento de Estado a causas conservadoras globais, incluindo um subsídio de US$ 1 milhão voltado a uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O montante financia grupos da sociedade civil brasileira focados no combate à censura e a supostos excessos judiciais da corte.
A liberação dos recursos ocorreu sob ressalvas de parlamentares americanos, mas avançou devido à forte articulação interna do Executivo. “Esses prêmios foram apresentados aos escalões mais altos do departamento e contam com o aval da Casa Branca”, relatou uma fonte ligada ao processo de concessão ao jornal britânico The Guardian.
Histórico do Governo Trump com ministros brasileiros

O Governo Trump acumula episódios recentes de atrito direto com magistrados do Brasil. Alexandre de Moraes, ministro do STF, sofreu sanções diretas aplicadas por meio da Lei Magnitsky, mecanismo que permite o bloqueio de ativos e a proibição de entrada nos Estados Unidos sem aval parlamentar. O lobby pela punição partiu de Eduardo Bolsonaro, deputado federal brasileiro.
Outros membros do alto escalão do Judiciário enfrentaram barreiras diplomáticas. Flávio Dino e Gilmar Mendes, também ministros do STF, tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos temporariamente suspensos em 2025. A diplomacia americana revogou todas as medidas restritivas contra os magistrados meses depois.
Integrantes do núcleo duro do Governo Trump mantêm a retórica de confronto nas redes sociais. Jason Miller, aliado próximo e ex-assessor presidencial, publicou recentemente uma imagem artificial de Moraes utilizando tornozeleira eletrônica. O estrategista americano foi alvo de depoimento compulsório à Polícia Federal em 2021, durante passagem por Brasília, no âmbito do inquérito das fake news conduzido pelo tribunal.
Foco anticomunista e repasses internacionais
Documentos internos revelam que a interferência de funcionários do Governo Trump determinou o direcionamento da maior fatia do fundo. A Victims of Communism Memorial Foundation (VOC), organização anticomunista sem fins lucrativos, recebeu o maior aporte da lista, contabilizando US$ 40 milhões destinados às operações da fundação. O grupo possui em sua liderança Andrew Bremberg, ex-assessor de política interna dos Estados Unidos e ex-embaixador na ONU.
Um segundo braço de financiamento injetou US$ 2 milhões no programa chamado de Promoção de Aliados da Civilização Ocidental, com foco em executores baseados na Europa e nos Bálcãs. A estratégia de política externa do Governo Trump segue priorizando o fomento financeiro a entidades conservadoras que rejeitam agendas ligadas aos direitos humanos tradicionais.