TransplantAR atinge marco histórico de 100 voos de vida
Com 99 transplantes realizados, o TransplantAR agiliza o transporte de órgãos em SP utilizando aeronaves privadas e doação de horas.
- Publicado: 24/04/2026 16:52
- Alterado: 24/04/2026 16:52
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: SES-SP
A manhã desta sexta-feira (24/03) o governo estadual celebrou a realização do 100º voo de transporte de órgãos viabilizado pelo programa TransplantAR Aviação Solidária. A marca simbólica ocorreu durante uma operação complexa de captação de múltiplos órgãos no Hospital de Base de São José do Rio Preto, mobilizando uma rede logística de alta precisão para garantir que vidas fossem salvas em tempo recorde.
Desde sua criação, em setembro de 2024, a iniciativa — que une a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e o Instituto Brasileiro de Aviação (IBA) — tem transformado a aviação executiva em um braço humanitário fundamental. O centésimo voo não é apenas um número estatístico, mas o reflexo de uma engrenagem que já resultou em 99 transplantes bem-sucedidos em todo o território nacional, abrangendo órgãos vitais como corações, pulmões, fígados e pâncreas.
Logística aérea e os números do sucesso do TransplantAR
A eficiência do TransplantAR reside na superação do maior inimigo dos transplantes: o tempo. Enquanto voos comerciais dependem de malhas aéreas rígidas e horários pré-determinados, a aviação solidária utiliza jatos e turboélices privados para missões diretas. No balanço das 100 operações realizadas, o programa viabilizou a sobrevivência de pacientes que aguardavam por:
- 64 corações (órgão de altíssima urgência);
- 18 fígados;
- 15 pulmões;
- 2 pâncreas.
Na operação desta sexta-feira, a aeronave partiu de Estrela D’Oeste com destino a São José do Rio Preto para buscar coração, fígado e pulmões captados. No período da tarde, os órgãos desembarcaram no Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, de onde seguiram para unidades de referência, como o Incor-HCFMUSP. Segundo Eudes Quintino de Oliveira Junior, chefe de gabinete da SES-SP e um dos idealizadores do projeto, o marco consolida o programa como uma ferramenta de otimização exclusiva para a preservação da vida.
Como funciona a aviação solidária em São Paulo
O modelo de funcionamento do TransplantAR é inovador por não acarretar custos aos cofres públicos. O projeto baseia-se na generosidade de proprietários de aeronaves particulares que, sob a coordenação do IBA, doam horas de voo que seriam desperdiçadas com aviões parados em hangares. Participam do esforço helicópteros, jatos e turboélices devidamente autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
A agilidade proporcionada por esses veículos é o que permite respeitar as rigorosas janelas de isquemia. Um coração ou pulmão precisa ser transplantado em até quatro horas após a captação; já o fígado possui uma margem de até 12 horas. Sem o suporte aéreo ágil do programa, muitos desses órgãos não chegariam ao destino final em condições de uso, perdendo-se a oportunidade de salvar um paciente na fila de espera.
Reconhecimento nacional e o Prêmio Innovare
A excelência e o impacto social do TransplantAR atravessaram as fronteiras de São Paulo. No último ano, a iniciativa foi a grande vencedora da 22ª edição do Prêmio Innovare, na categoria Justiça e Cidadania. O prêmio é o mais prestigiado do país no que tange à inovação em políticas públicas e ao fortalecimento da cidadania.
O reconhecimento valida a visão dos idealizadores — o Dr. Eudes Quintino, o médico Ronaldo Honorato e o comandante Francisco Lyra — de que a integração entre o setor público e a iniciativa privada pode solucionar gargalos históricos da saúde. Ao completar seu 100º voo, o TransplantAR reafirma que a solidariedade, quando aliada à tecnologia e à organização logística, é capaz de encurtar distâncias e oferecer uma nova chance a centenas de brasileiros.