Tatuagem sem dor: anestesia para tattoo é discutida no Tattoo Day

Durante evento organizado pelo Tattoo Week e o Tattoo do Bem, médicos da Azoto Tattoo esclarecem dúvidas sobre segurança, técnica e benefícios da anestesia em tatuagens

Crédito: Divulgação

O uso de anestesia para realização de tatuagens foi tema de destaque no Tattoo Day, evento realizado em São Caetano do Sul com a presença de profissionais renomados da área médica e artística. A Azoto Tattoo, empresa pioneira no Brasil na aplicação de anestesia para procedimentos de tatuagem, apresentou seus protocolos e abordagens ao público, gerando debate e esclarecendo dúvidas.

Segundo o Dr. Romulo, médico anestesista e responsável técnico da Azoto, “todo mundo, tem o direito de não sentir dor”. Ele explica que o procedimento é feito com anestesia intravenosa ou bloqueio loco-regional, realizado dentro de um centro cirúrgico e sob a supervisão de dois médicos especialistas. “A gente faz uma avaliação do paciente antes, porque não é todo mundo que pode ser submetido à sedação”, reforçou o médico.

A avaliação pré-anestésica inclui exames laboratoriais e eletrocardiograma. A partir desses resultados, os médicos decidem se o cliente está apto ou não a ser anestesiado. Condições clínicas descompensadas, como diabetes ou hipertensão, podem inviabilizar a realização do procedimento.

Mais conforto para o cliente, mais qualidade para o tatuador

Os profissionais destacaram que a dor é um fator subjetivo, e que cada pessoa sente de forma diferente. Para muitos, a dor torna-se um obstáculo que impede a conclusão de trabalhos complexos ou extensos. “A dor foi um grande entrave para o crescimento do mercado de tatuagem de uma maneira geral”, pontuou o Dr. Fernando, também anestesista e idealizador do projeto.

Além de proporcionar conforto ao cliente, a ausência de dor pode favorecer o trabalho do tatuador. “O cliente que sente muita dor sangra mais, a pressão sobe, a frequência cardíaca aumenta e o tempo de pele diminui. Isso interfere na aplicação dos pigmentos”, explicou Fernando.

Ao serem questionados sobre o tempo de duração do procedimento, Fernando comparou o processo a uma dança: “A anestesia e o procedimento são como uma valsa. A gente só termina a sedação quando o procedimento termina”. Mas, Rômulo completou que não é recomendado passar das 8h de sedação.

A polêmica das pomadas anestésicas

De acordo com os médicos, o uso excessivo dessas pomadas pode levar à intoxicação, pois se trata de anestésicos locais com dose-limite.

Então, eventualmente, se você usar essa pomada anestésica de forma exorbitante tem o risco da intoxicação, tá? Lembre-se que é um anestésico local que tem o seu risco de intoxicação”, reforçou Fernando.

Os pacientes sentem mais dor após o procedimento?

Além da sedação, os pacientes recebem medicações como anti-inflamatórios, corticoides e antibióticos, o que contribui para a redução da dor no pós-tatuagem e melhora da cicatrização. “Nós temos excelentes relatos desses nossos clientes, que até o Fernando falou, ele [paciente] acordou no dia seguinte e não sabia que tinha feito, por conta que não tinha dor nenhuma. Ele [paciente] falou: ‘nossa, parece que eu nem fiz a tatuagem’”, destacou Romulo.

Apesar de a prática ainda não estar formalmente regulamentada, os médicos explicam que ela segue todos os critérios técnicos e éticos exigidos por procedimentos médicos. “O fato de não existir uma regulamentação de fato nos leva a crer que ao mesmo tempo que não é proibido, também não é expressamente permitido”, explicou Fernando.

Casos clínicos demonstram eficácia e impacto emocional

Durante a apresentação, os médicos compartilharam casos reais que tiveram suas vidas impactadas positivamente pelo uso da anestesia. Um deles envolveu um homem que buscava cobrir uma tatuagem antiga nas costas, mas não conseguia devido à dor. Após três tentativas frustradas, procurou a Azoto e finalmente conseguiu realizar a cobertura com sucesso. “Ele parou as medicações que fazia na parte psiquiátrica por conta dessa cobertura que nós realizamos”, relatou Romulo.

Outro exemplo foi o de uma paciente que havia passado por uma mastectomia devido ao câncer. Com o auxílio da anestesia, ela foi submetida à micropigmentação areolar, em parceria com uma ONG e um tatuador, com resultados positivos para sua autoestima. Casos semelhantes também foram relatados com pacientes que sofreram queimaduras e realizaram tatuagens reconstrutivas com anestesia.

Debate entre tradição e inovação no mundo da tatuagem

O uso da anestesia ainda gera resistência entre alguns profissionais do ramo, principalmente por questões ideológicas. “Existe uma vertente dentro do mundo da tatuagem que acredita que a dor faz parte do processo, muitas vezes até por filosofia ou ideologia”, afirmou Fernando. No entanto, os médicos reforçam que o objetivo não é eliminar a tradição, mas oferecer alternativas seguras e éticas para quem deseja ou precisa de uma experiência sem dor.

“Se o cliente for mais ‘Nutelinha’, como muitos dizem, tenha sedação para ajudar vocês com esse cliente. Se for dos mais tradicionais, que bom também. Tudo que nasce e dá frutos nessa vida tem uma raiz, e o nosso intuito não é tirar a raiz da tatuagem, mas sim fazer com que as coisas evoluam com o tempo”, concluiu.

Futuro da anestesia em tatuagens

A Azoto Tattoo já realizou mais de 400 procedimentos no Brasil e segue investindo em pesquisas e publicações na área médica para ampliar o conhecimento sobre o tema. A empresa defende que o método pode não apenas melhorar a experiência estética do cliente, mas também atuar como ferramenta de saúde mental e reabilitação emocional.

Para os tatuadores presentes no evento, a experiência foi uma oportunidade para quebrar preconceitos e conhecer uma nova possibilidade dentro da profissão. “A nossa intenção é fazer com que a pele do cliente vire uma tela onde vocês possam desenvolver a arte da melhor maneira possível”, afirmou Fernando aos artistas presentes.

A participação dos médicos no Tattoo Day foi recebida com entusiasmo e aplausos do público, encerrando a discussão com uma mensagem clara: é possível tatuar sem dor, desde que com responsabilidade, conhecimento técnico e ética profissional.

  • Publicado: 20/07/2025 18:28
  • Alterado: 20/07/2025 18:28
  • Autor: 20/07/2025
  • Fonte: ABCdoABC

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