Taka busca tecnologia chinesa para segurança em Diadema

Taka Yamauchi visita a China para conhecer tecnologias de inteligência artificial que podem reforçar o monitoramento e a segurança municipal de Diadema

Crédito: Divulgação

O prefeito de Diadema, Taka Yamauchi, está na China para conhecer tecnologias de inteligência artificial e monitoramento que poderão ser utilizadas na segurança pública do município. A agenda inclui uma visita a Hangzhou, um dos principais polos de inovação do país. O retorno ao Brasil está previsto para 6 de novembro.

Conhecida como o “Vale do Silício da China”, Hangzhou abriga a sede de gigantes globais da tecnologia de vigilância e inteligência artificial, como Hikvision, Dahua e o grupo Alibaba. A metrópole asiática é o berço do projeto “City Brain” (Cérebro da Cidade), uma infraestrutura digital que coleta e cruza dados urbanos em tempo real. Nesse ecossistema, o monitoramento vai muito além da simples gravação de imagens: algoritmos avançados processam milhões de informações simultâneas para otimizar desde o fluxo dos semáforos no trânsito até o deslocamento estratégico de viaturas policiais em áreas com movimentação atípica.

Hangzhou

Na prática urbana, as câmeras de inteligência artificial chinesas operam sob um sistema de análise comportamental e biometria contínua. Os equipamentos conseguem mapear o trajeto de um indivíduo por toda a cidade utilizando o reconhecimento facial e a leitura de características físicas secundárias (como a cor das roupas ou a forma de caminhar), mesmo em meio a grandes multidões. Para a segurança pública local, essa tecnologia permite identificar automaticamente placas de veículos roubados, emitir alertas instantâneos às autoridades quando pessoas com mandados de prisão entram no raio de alcance das lentes e detectar padrões de risco, como aglomerações repentinas ou invasões de perímetro, antes mesmo de uma denúncia via telefone.

O projeto para Diadema e a integração de forças

A viagem tem como objetivo avaliar ferramentas que possam integrar o novo Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Diadema. O projeto prevê a instalação de mais de 1.200 câmeras conectadas a uma central de monitoramento.

“Queremos trazer para Diadema o que existe de mais moderno em tecnologia para a segurança pública. Nosso objetivo é contar com um sistema inteligente, capaz de ajudar na prevenção de crimes, agilizar o trabalho das equipes e ampliar a proteção da população”, afirmou Taka.

O município já utiliza sistemas de leitura automática de placas de veículos. A tecnologia de reconhecimento facial, por sua vez, ainda está em fase de implementação. A modernização prevê ampliar a integração entre a Guarda Civil Municipal (GCM) e as polícias Civil e Militar, com o objetivo de agilizar o atendimento às ocorrências, monitorando vias públicas, áreas comerciais, escolas e outros pontos estratégicos da cidade.

Prefeito Taka Yamauchi
Taka Yamauchi – Reprodução

Os desafios de infraestrutura e orçamento

Para além das questões legais, a viabilidade do projeto esbarra em desafios logísticos e orçamentários consideráveis. Operar 1.200 câmeras de alta definição com inteligência artificial integrada exige muito mais do que a simples fixação dos equipamentos nos postes. Para que o monitoramento em tempo real funcione sem falhas, o município precisará estruturar uma rede de tecnologia da informação massiva, o que inclui a implantação de quilômetros de fibra óptica de alta velocidade e a montagem de data centers com altíssima capacidade de processamento de dados. Em projetos de cidades inteligentes, o custo de aquisição do maquinário costuma ser apenas a ponta do iceberg, já que a manutenção ininterrupta da infraestrutura de rede, o pagamento de licenças mensais de softwares chineses e a qualificação de pessoal para operar a central representam gargalos financeiros pesados para os cofres públicos a longo prazo.

O debate sobre privacidade e LGPD

Apesar do apelo tecnológico, a adoção de sistemas de reconhecimento facial por prefeituras esbarra em um intenso debate nacional sobre direitos civis e privacidade. Especialistas em segurança digital e entidades de direitos humanos alertam para o viés algorítmico dessas ferramentas, que historicamente apresentam altas taxas de “falsos positivos” — identificações equivocadas que acabam penalizando de forma desproporcional a população negra e periférica. Além disso, embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabeleça exceções para o tratamento de informações voltadas à segurança pública, a coleta massiva de biometria de cidadãos que apenas caminham pelas ruas levanta preocupações jurídicas. O desafio para a administração de Diadema será provar que o novo centro de monitoramento operará com protocolos rígidos de transparência, auditoria de dados e regras claras para o descarte de imagens, evitando que a promessa de segurança se transforme em uma ferramenta de vigilância em massa.

Custos da viagem

A administração municipal afirma que a viagem de Taka Yamauchi à China está sendo custeada integralmente com recursos próprios do prefeito, sem utilização de dinheiro público municipal. A expectativa é que a visita permita conhecer experiências tecnológicas que possam ser adaptadas à realidade de Diadema e incorporadas às ações de prevenção à criminalidade.

  • Publicado: 31/10/2026 11:05
  • Alterado: 31/10/2026 11:56
  • Autor: Carlos Enriki / Alex Faria
  • Fonte: Assessoria