Suicídios entre policiais em SP crescem 200% desde 2020

Categoria de policiais penais inicia nova fase de mobilização por saúde mental após aumento drástico de suicídios no sistema de SP

Crédito: Governo de São Paulo/Divulgação

O Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal) divulgou um levantamento alarmante sobre a saúde mental da categoria. O número de suicídios entre esses profissionais saltou de dois casos em 2020 para seis em 2025, um aumento de 200%. A tendência de alta persiste em 2026, com quatro registros contabilizados apenas nos primeiros cinco meses do ano.

Além das perdas fatais, o adoecimento psíquico atinge a estrutura da segurança pública: estima-se que 20% dos servidores ativos estejam afastados por transtornos mentais, reflexo de um sistema sob pressão extrema e falta de suporte institucional.

Sobrecarga e Déficit de Funcionários

policiais
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise é atribuída a uma combinação de fatores estruturais. Atualmente, o déficit de policiais penais no estado chega a 39%. Dados comparativos revelam o tamanho do desafio:

  • Em 2013: Havia 31.847 policiais para 207 mil detentos (média de 6,49 presos por servidor).
  • Em 2026: O efetivo caiu para 23.126 agentes para 228 mil detentos (média de 9,85 presos por servidor).

O cenário ignora a recomendação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que estabelece um limite de cinco presos por agente para garantir a segurança e a saúde ocupacional.

O Lado Humano da Crise

Polícia Militar  policiais
Divulgação/Governo de SP

Relatos como o de policiais como Natália Cristina Raphael Fernandes dão rosto às estatísticas. Após o suicídio de seu marido, Marcelo Augusto, também policial penal, Natália luta por uma transferência humanitária para evitar o trauma de trabalhar na mesma unidade onde o companheiro atuou por 13 anos. Segundo o Sinppenal, há uma “falta de sensibilidade institucional” para lidar com casos de luto e trauma na categoria.

Colapso no Sistema Prisional

A crise dos servidores ocorre em paralelo a um colapso geral. Relatórios do Condepe indicam que uma pessoa morre a cada 19 horas no sistema prisional paulista. A carência de profissionais de saúde no sistema agrava o quadro, com um déficit de 69% nas vagas para médicos e enfermeiros.

“Passou da hora de cuidar de quem cuida da segurança pública. Não somos máquinas, somos humanos”, afirma Fábio Jabá, presidente do Sinppenal, que defende a abertura imediata de concursos e políticas efetivas de saúde mental.

Radiografia do Sistema (Maio 2026)

  • Unidades Prisionais: 180 em todo o estado.
  • População Carcerária: 228 mil pessoas.
  • Servidores Afastados: Aprox. 20% por questões psíquicas.
  • Déficit de Saúde: Apenas 803 médicos/enfermeiros para 2.626 vagas.
  • Publicado: 11/05/2026 12:36
  • Alterado: 11/05/2026 12:36
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria