SP retira mais de 371 mil m³ de sedimentos do Rio Tietê

Governo paulista investe na retirada de detritos para ampliar a capacidade de escoamento e reduzir impactos das chuvas na Zona Leste.

Crédito: Divulgação/Governo de SP

O Governo de São Paulo removeu mais de 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê na região do Jardim Pantanal. A intervenção na Zona Leste da capital consumiu R$ 55,8 milhões em investimentos estaduais. O objetivo da operação é aumentar a capacidade de escoamento da água e mitigar os impactos das cheias históricas que atingem os moradores locais.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) coordena os trabalhos por meio da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). O processo de limpeza recupera a profundidade da calha fluvial. A medida facilita a passagem da correnteza nos períodos de tempestades severas que atingem a várzea da região metropolitana.

Controle de cheias no Rio Tietê e Barragem da Penha

O sistema de contenção hídrica depende diretamente da operação técnica da Barragem da Penha. O fechamento das seis comportas acontece apenas quando o nível da água atinge a cota de 720 metros no trecho mais urbanizado da capital. A manobra represa a correnteza temporariamente e impede que um grande volume siga rapidamente em direção à região central de São Paulo.

A água excedente passa a ocupar a planície de inundação natural até a área da USP Leste. O Parque Ecológico do Tietê foi projetado ambientalmente para abrigar esse volume durante as chuvas extremas. O represamento recua de forma gradual conforme a precipitação diminui e o canal principal recupera sua vazão normal.

“O Governo do Estado está atuando de forma permanente para melhorar as condições de escoamento e reduzir os impactos das cheias”, afirmou Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. A gestora explicou que a limpeza atua em conjunto com as estruturas de barramento. “São ações complementares dentro de um sistema que precisa ser tratado de forma integrada”, ressaltou a secretária.

O barramento na Penha não causa os alagamentos registrados nos bairros vizinhos ao Rio Tietê, como Jardim Romano e Jardim Helena. Municípios da Grande São Paulo, incluindo Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, enfrentam inundações por questões topográficas próprias da região de cabeceira. Afloramentos rochosos naturais ao longo do curso d’água servem como obstáculo e limitam a influência das comportas nessas localidades mais altas.

Investimentos em macrodrenagem e novos piscinões

As frentes de trabalho no Jardim Pantanal integram um programa governamental mais amplo, que já removeu mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos desde 2023. O montante de investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão em ações de desassoreamento abrange diferentes trechos hidrográficos paulistas. Apenas entre a Penha e o Córrego Três Pontes, os contratos preveem a escavação de 11,7 quilômetros de leito.

A proteção viária da Marginal exige o funcionamento contínuo de 12 conjuntos de pôlderes administrados pela gestão estadual. As estruturas possuem capacidade de armazenamento de 29.153 metros cúbicos de água e utilizam 45 bombas de recalque. O sistema mecânico retira o acúmulo das pistas que ficam em nível inferior ao do Rio Tietê e devolve o volume ao canal principal, evitando a interdição das faixas.

A contenção em áreas densamente habitadas recebeu quase R$ 1 bilhão para a construção e manutenção de novos reservatórios. A entrega do Piscinão Jaboticabal custou R$ 573 milhões e atende diretamente municípios da região do ABC. Cidades da região metropolitana, como Franco da Rocha e Francisco Morato, também inauguraram bacias de retenção com volume equivalente a centenas de piscinas olímpicas para segurar as enxurradas.

O conjunto de intervenções de macrodrenagem busca adaptar a metrópole aos eventos climáticos extremos e proteger a infraestrutura habitacional. A manutenção preventiva das bombas de recalque e a recuperação física constante da calha do Rio Tietê permanecem como as principais estratégias de engenharia para evitar o colapso urbano durante a temporada de temporais de verão.

  • Publicado: 13/09/2026 17:40
  • Alterado: 13/09/2026 17:40
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Semil