SP reforça alerta para prevenção da Leishmaniose
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- Publicado: 10/08/2026 21:18
- Alterado: 10/08/2026 21:18
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Saúde-SP
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) iniciou nesta segunda-feira (10) as ações da Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose. A mobilização busca conscientizar a população sobre a prevenção contra a infecção e reforçar os cuidados que reduzem o risco de proliferação do vetor.
Infecciosa e considerada grave, a leishmaniose visceral afeta humanos e cães. O contágio não ocorre de pessoa para pessoa e tampouco pelo contato direto com o cão. A transmissão se dá exclusivamente pela picada da fêmea do inseto phlebotominae, chamado popularmente de mosquito-palha, quando este se encontra infectado.
“A prevenção passa diretamente pelo controle do ambiente urbano. O mosquito-palha necessita de locais úmidos e com matéria orgânica para se reproduzir. O manejo correto dos quintais é a principal barreira contra o vetor”, orienta a equipe do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP).
Dados epidemiológicos do Estado de São Paulo
Segundo balanço oficial do CVE-SP, a leishmaniose visceral provocou 336 casos e 37 óbitos no estado entre os anos de 2021 e 2025. No recorte recente de 2026, com dados computados até o mês de maio, São Paulo contabilizou 17 infecções e uma morte decorrente da complicação do quadro clínico.
Nos centros urbanos, os cães figuram como os principais reservatórios do parasito. Ao picar um animal contaminado — mesmo que ele não apresente sintomas visíveis —, o inseto adquire o protozoário e passa a transmiti-lo a outros animais e aos seres humanos.
Medidas de prevenção e sintomas em humanos
O combate ao inseto exige a eliminação de seus criadouros. O mosquito-palha reproduz-se em locais sombreados, com umidade e acúmulo de matéria orgânica. As orientações da Secretaria da Saúde envolvem:
- Manter quintais limpos, livres de folhas secas, frutos caídos, fezes de animais e lixo orgânico;
- Instalar telas de malha fina em janelas e portas, além do uso de mosquiteiros;
- Aplicar repelentes regulamentados, sobretudo em regiões com histórico de transmissão;
- Evitar a permanência ao ar livre no final da tarde e durante a noite;
- Higienizar com frequência o abrigo dos animais de estimação.
A leishmaniose em humanos manifesta-se por febre prolongada, perda de peso, anemia, fraqueza e aumento do fígado e do baço. Ao notar esses sinais, a busca por atendimento médico imediato é crucial para garantir o diagnóstico precoce e evitar complicações graves da leishmaniose.
Cuidados veterinários e proteção dos animais
A proteção do público canino em áreas endêmicas exige o uso de repelentes específicos com indicação veterinária, como coleiras inseticidas. A investigação para a leishmaniose deve ocorrer sempre que o animal apresentar os seguintes sintomas:
- Feridas e descamações na pele (frequentemente no focinho, orelhas e ao redor dos olhos);
- Aparecimento de caroços (linfonodos) no pescoço, ombros ou atrás dos joelhos;
- Perda involuntária de peso, apatia e perda de massa muscular;
- Crescimento anormal das unhas (onicogrifose);
- Sangramentos nasais e fezes acompanhadas de sangue.
Como a leishmaniose pode ser assintomática em diversos cães, a avaliação periódica por um médico veterinário é indispensável para o diagnóstico e condução adequada dos protocolos sanitários.
Ações de Vigilância Epidemiológica
A SES-SP atua continuamente ao lado dos municípios no monitoramento epidemiológico e controle de vetores. As estratégias estaduais englobam a investigação de áreas de foco, treinamento de equipes de saúde para diagnóstico ágil e aplicação de controle químico do mosquito-palha quando houver indicação técnica.